<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005</id><updated>2012-02-16T01:40:14.446-08:00</updated><title type='text'>A escuridão que abraça a vela</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>158</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-3404189489129998224</id><published>2012-02-02T10:24:00.000-08:00</published><updated>2012-02-02T10:32:35.181-08:00</updated><title type='text'>Poema biografia 18:18</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para todo mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vivo ou morto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje meu poema tem esse gosto de Jazz&lt;br /&gt;Essa derrota azulada que se abateu sobre nossas cabeças&lt;br /&gt;Em forma de uma chuva a muito desejada,&lt;br /&gt;Ou como cavalos comendo lixo em certa rua movimentada por onde passei&lt;br /&gt;Muitos anos atrás&lt;br /&gt;E que ainda me povoa como me povoam pombos,&lt;br /&gt;Como me povoam todos que vi&lt;br /&gt;Como me povoam as legiões do império romano,&lt;br /&gt;E demônios do império cristão,&lt;br /&gt;E soldados do império ocidental,&lt;br /&gt;Marchando dentro e fazendo tremer meu continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje meu poema tem um gosto de sangue velho,&lt;br /&gt;Como aquele que fica na boca quando se acorda&lt;br /&gt;E se mordeu a bochecha por dentro&lt;br /&gt;E cospe-se uma saliva amarela e coagulada&lt;br /&gt;E a cabeça sabe doer como se deve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje meu poema me sabe um gosto antigo,&lt;br /&gt;Como as vespas de cobre na janela de minha avó,&lt;br /&gt;Como as florestas convulsivas de meu bairro natal,&lt;br /&gt;Como as ruas vidradas da cidade onde moro e de onde fujo,&lt;br /&gt;Como minhas próprias veias constrangidas,&lt;br /&gt;Hoje meu poema me cheira como flores pisadas&lt;br /&gt;E gritos de alerta de criança,&lt;br /&gt;E um cachorro doente:&lt;br /&gt;Terminal, o cão&lt;br /&gt;Terminal, eu&lt;br /&gt;Porque há um pouco de mim no cachorro que vai morrer,&lt;br /&gt;Porque há um pouco de mim nas vespas da janela que já morreram.&lt;br /&gt;Vespas e janela e avó,&lt;br /&gt;Porque há um pouco de mim nos pássaros desafiadores que fecundaram a pilastra,&lt;br /&gt;Porque há um pouco de mim em tudo e em tudo estou, também, de alguma forma morrendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque há morte em tudo&lt;br /&gt;E isso eu venho repetindo como antes repetia,&lt;br /&gt;E eu venho tentando mostrar a todo custo isso&lt;br /&gt;E venho tendo longas conversas comigo mesmo,&lt;br /&gt;Longas e cerebrais conversas que encerram sem nunca findar&lt;br /&gt;E eu me repito sobre a morte e sobre a força da morte e sobre a presença da morte,&lt;br /&gt;E sobre o universo inteiro, que caminha para ela,&lt;br /&gt;E sobre a vida no planeta que surgiu, mas não é guiada, nem guardada e que vai morrer,&lt;br /&gt;E na entropia de todas as coisas, cada vez mais próxima dos equilíbrios&lt;br /&gt;E penso no Santo Buda que pregava isso muito antes de eu poder entender&lt;br /&gt;E penso em Jesus Cristo falando sobre amar a tudo&lt;br /&gt;E penso em Lao Tse falando sobre o vazio, que também é uma forma de morte&lt;br /&gt;E é a morte que me dá o sentido de tudo, muito antes do meu corpo ser um corpo,&lt;br /&gt;Muito antes de meus átomos serem átomos,&lt;br /&gt;E muito antes de vibrarem cordas e retesarem forcas,&lt;br /&gt;E é o vazio em tudo e é a morte em tudo que preenche a tudo.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;E eu venho pensando e pregando a mim mesmo esse longo e negro jazz que explode o universo,&lt;br /&gt;E que vai fazer o próprio universo calar a boca um dia,&lt;br /&gt;Quando de estrelas mortas fizer o coração,&lt;br /&gt;Quando as cinzas forem o único alimento do monstro,&lt;br /&gt;Quando não houver olho para ver e boca para duvidar,&lt;br /&gt;Provaremos do sol muito antes de tudo,&lt;br /&gt;E eu penso nos santos e nos mártires e nas lápides,&lt;br /&gt;E eu penso em Rimbaud e nos seus delírios,&lt;br /&gt;E eu penso na realidade que é bruta e frágil,&lt;br /&gt;E eu penso na vida nova da criança que chora no berço ao lado e que é tudo e não é nada e tem em si todas as possibilidades da vida,&lt;br /&gt;E eu penso na lentidão das horas de minha cidade natal,&lt;br /&gt;Onde há uma convulsão de vozes e cheiros e gostos,&lt;br /&gt;E onde eu posso ser réptil preguiçoso ao sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu penso em todos os anos que passaram,&lt;br /&gt;Minhas vinte e duas histórias de morte,&lt;br /&gt;Minhas vinte e duas vitórias perdidas,&lt;br /&gt;Minhas vinte e duas voltas ao redor de um sol que aprendi a odiar e a amaldiçoar,&lt;br /&gt;E giro de volta ao Santo Hamlet e seus delírios e sua grandeza louca,&lt;br /&gt;E em todos os delirantes perdidos lunáticos fanáticos paranóicos esquizóides,&lt;br /&gt;E em tudo que eu sou e em tudo que me diz tudo,&lt;br /&gt;E eu tento a comunhão do Santo Whitman,&lt;br /&gt;E eu ergo os braços como o Santo Allen,&lt;br /&gt;E eu me lanço à febre e ao desespero do meu próprio deserto,&lt;br /&gt;E caio em toda oportunidade que tenho,&lt;br /&gt;E peco e mancho e sujo e maculo e conspurco e profano a tudo onde coloco minhas mãos&lt;br /&gt;E hoje escrevo esse poema como quem vive&lt;br /&gt;Simplesmente porque cansei de não fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo para por uns instantes,&lt;br /&gt;Não é a primeira vez e já não será a última,&lt;br /&gt;Muito já foi dito e não há nada novo sob o sol como profetizou Salomão muitos anos antes de coisas não poderem renovar a si mesmas.&lt;br /&gt;Hoje o poema tem gosto de tempo e tudo o que eu escrevo é triste como eu sou triste, mas não o tempo todo.&lt;br /&gt;Não, não o tempo todo.&lt;br /&gt;Nada para sempre, por favor.&lt;br /&gt;Cansei de imortalidades e escrevo esse poema como quem escreve um poema sem pensar muito, mas pensando sempre, porque sempre se está a pensar a não ser quando se é um Buda Santo e aí tudo já foi pensado e eu não quero esse destino ainda.&lt;br /&gt;Não, ainda não.&lt;br /&gt;Nada para sempre, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu tenho saudades também.&lt;br /&gt;Estar na Bahia é ter saudades para mim,&lt;br /&gt;E eu me volto para o mar sempre que não tenho o mar por perto,&lt;br /&gt;E eu, verdadeiramente não gosto tanto de praia, mas o mar é lindo e sempre.&lt;br /&gt;A única coisa para sempre, por favor, que seja o mar, que seja o mar, que seja o mar, que seja o mar, que seja o mar, por favor, a única coisa para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu penso em gente morta e penso em gente viva,&lt;br /&gt;E eu penso em ver e penso em não ver&lt;br /&gt;E eu penso em ser e penso em não ser&lt;br /&gt;Mas hoje, hoje e apenas hoje, escrevo como quem está cheio de vida e com sorrisos verdadeiramente genuínos,&lt;br /&gt;Hoje, apenas hoje, e para todo o hoje, mas não para todo o sempre, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sento aqui, com o jazz, com o cavalo, com o lixo, com as vespas, com a janela, com a avó, com o mar e com as saudades e com a Bahia e com Buda e com Jesus Cristo e com Walt Whitman e com Allen Ginsberg e com Uirá dos Reis e com saudades e com vida.&lt;br /&gt;E eu escrevo como quem escreve,&lt;br /&gt;E eu posso porque estou longe e não estou desesperado,&lt;br /&gt;E meu pescoço está livre e eu respiro bem e não tenho mais medo,&lt;br /&gt;Pelo menos por hoje eu não tenho mais medo,&lt;br /&gt;Porque eu morrerei um dia, é bem verdade,&lt;br /&gt;Minha avó já morreu, é bem verdade,&lt;br /&gt;Em tudo há morte, sabemos, já dissemos isso um ao outro tantas vezes,&lt;br /&gt;E em tudo há tudo, e a vida é ainda maior, até que não seja maior, porque o tempo é ainda maior, e o universo está debaixo de leis e tudo vai morrer até que nada mais possa morrer e então nada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que é o mesmo que paz,&lt;br /&gt;Nada que é o mesmo que solidão,&lt;br /&gt;Nada que é o mesmo que nada&lt;br /&gt;E fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;2012&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-3404189489129998224?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/3404189489129998224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=3404189489129998224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3404189489129998224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3404189489129998224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2012/02/poema-biografia-1818.html' title='Poema biografia 18:18'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-133956151509521816</id><published>2012-01-18T07:49:00.000-08:00</published><updated>2012-01-18T07:53:52.125-08:00</updated><title type='text'>Meu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;às três pessoas que moram em minha esquina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;Seria uma boa hora para colocar chumbo derretido por sobre o papel,&lt;br /&gt;Gotas de mercúrio,&lt;br /&gt;Pedaços de vidro de um termômetro quebrado&lt;br /&gt;E sangrar a máquina de forma que o meu silêncio pudesse realmente dizer algo aqueles que procuram palavras nele.&lt;br /&gt;De forma que meu silêncio possa simbolizar algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que não seja a covardia, minha covardia, de não dizer nada.&lt;br /&gt;Pois, de onde eu venho, palavras dizem muito e, aos olhos, resta o espetáculo das coisas do mundo,&lt;br /&gt;Os olhos prestam-se apenas para ver&lt;br /&gt;E não para dizer o que não pode ser traduzido na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já está dito que não decifro olhares,&lt;br /&gt;É do conhecimento de todos que não sou dado a alquimias espirituais,&lt;br /&gt;Que não estou apto a reconhecer ouro no outro, a não ser que me seja mostrado,&lt;br /&gt;E que meu silêncio só pode ser se não: silêncio&lt;br /&gt;E o espaço descolorido entre uma palavra e outra apenas permite a si mesmo não ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa hora de madrugada assombrada bem que poderia se mostrar mais fértil,&lt;br /&gt;Com a coloração certa nos lábios e seios perfumados,&lt;br /&gt;Poderia surgir para me dar algo, uma dádiva,&lt;br /&gt;Alguma forma de milagre,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o som dos carros e das motocicletas é real no meu poema e não há nada que eu possa fazer.&lt;br /&gt;Essa impotência será uma forma de salvação.&lt;br /&gt;Essa inatividade me levará, cedo ou tarde, ao caminho perfeito, ou a lugar nenhum.&lt;br /&gt;Saberemos mais tarde,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora é importante saber acariciar a madrugada com os dedos para lhe dar um rubor mais apetitoso,&lt;br /&gt;Saber bolinar, com a ponta do indicador e do médio, o fruto da madrugada,&lt;br /&gt;Para perceber as mudanças em sua respiração,&lt;br /&gt;Para sentir seu calor umedecer,&lt;br /&gt;Para ver suas pernas abrindo&lt;br /&gt;E penetrar fundo nela, para seu reino de traição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se pode fazer&lt;br /&gt;É, pois, levantar-se com decisão nos gestos,&lt;br /&gt;Arrebatar a garrafa da prateleira de cima,&lt;br /&gt;Com uma firmeza nunca dantes demonstrada abrir a tampa e&lt;br /&gt;Derramar em um copo agilmente conjurado de outra estante&lt;br /&gt;Uma corajosa quantidade de líquido,&lt;br /&gt;Para poder fazer uma nova conexão&lt;br /&gt;E beber escondido de todos os outros a bebida quente e forte que ainda me arranca caretas.&lt;br /&gt;Beber escondido e chorar escondido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Hamlet, quantas lágrimas por nós?&lt;br /&gt;Nós, os palhaços trágicos,&lt;br /&gt;Nós, os traídos,&lt;br /&gt;Nós, os loucos com sentimento de grandeza,&lt;br /&gt;Quanto, Hamlet, quanto do choro do mundo por nós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um gole, mais uma careta,&lt;br /&gt;Hoje não é preciso disfarçar,&lt;br /&gt;As coisas são amargas e me torcem o nariz,&lt;br /&gt;Tenho diversos tiques nervosos,&lt;br /&gt;Algumas neuroses bem cultivadas,&lt;br /&gt;Muitos medos envelhecidos há anos, guardados em cofres,&lt;br /&gt;Nenhum amigo, mas diversos conhecidos&lt;br /&gt;E esse poema é uma forma de dizer sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu ainda penso em todos vocês,&lt;br /&gt;Sim, eu estou pisando em ovos,&lt;br /&gt;Sim, eu estou desanimado e fraco,&lt;br /&gt;Sim, tão desanimado quanto é possível,&lt;br /&gt;Esse desânimo é a minha paga e eu ainda sou o mesmo e eu ainda estou sentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus bolsos não estão cheios, mas os sinto pesar,&lt;br /&gt;Outubro veio levando embora meu idílio.&lt;br /&gt;Eu já não sei em que estação vivemos agora,&lt;br /&gt;Mas eu penso em nomear a tudo com as cores do outono que nunca vi,&lt;br /&gt;Mas que imagino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu ainda sinto aquela inveja contra todo mendigo e indigente do mundo,&lt;br /&gt;Eles e suas camas suadas,&lt;br /&gt;Eles e seus pés imundos,&lt;br /&gt;Eles e suas mãos estendidas,&lt;br /&gt;Com o nível mais básico de todas as necessidades do mundo lhes sendo negado,&lt;br /&gt;Colecionando latas,&lt;br /&gt;Confeccionando vícios,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles que perderam tudo e que tiveram muito,&lt;br /&gt;Eles que não tem mais nada,&lt;br /&gt;E já não podem perder o que posso,&lt;br /&gt;Porque a força da gravidade se impôs ao máximo e,&lt;br /&gt;Como costumava dizer certo personagem de minha infância,&lt;br /&gt;Do chão não é o costume deixar alguém passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sim, eu sou desesperadamente egoísta,&lt;br /&gt;Sim, meu auto construído ego é maior que eu,&lt;br /&gt;E hoje, meu maior medo é não poder mais diferenciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Hamlet, por nós, os irremediáveis, nenhuma mão virá.&lt;br /&gt;Mais cedo ou mais tarde todas as costas mostrarão suas faces,&lt;br /&gt;Cedo ou tarde nenhum amigo ficará,&lt;br /&gt;E nossa vida-Dinamarca se desfaz em veneno.&lt;br /&gt;Ah, Hamlet, por nós, os insensatos, nenhum conselho chegará a tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é preciso afiar os olhos e seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei se há algo para acreditar.&lt;br /&gt;Pensar em morte não é novidade para os mortos e é a vida que se faz grande mistério,&lt;br /&gt;Esfinge decifrada e traiçoeira devorando a tudo...&lt;br /&gt;Ah, Édipo, dessa não escaparemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse exato momento todo o mundo dos apartamentos aos lados existe e acontece de forma real e concreta, dispensando toda metafísica e seria de terrível mal gosto creditar a si mesmo ser único,&lt;br /&gt;Oh, vaidade chamada homem...&lt;br /&gt;Salomão, não somos diferentes, eu e tu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria essa a hora de povoar o papel com palavras feitas de chumbo,&lt;br /&gt;Não temos mais tempo,&lt;br /&gt;Eu não quero mais saber,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso de sempre se colocar diante dos outros é extremamente cansativo,&lt;br /&gt;O meu inferno sou eu,&lt;br /&gt;Mas ao lado alguém sorri,&lt;br /&gt;À frente uma mulher de cabelos presos e escuros procura algo na bolsa até que encontra seu telefone e, ao mesmo tempo, posso ouvir dois adolescentes conversando atrás de mim&lt;br /&gt;E estou bastante seguro de estar me afogando com os pulmões cheios de ar, em pleno engarrafamento às seis e vinte e sete da noite, em um ônibus cheio de outros infernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o meu inferno sou eu e, para mim, não há um santo que me olhe com carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estou doente.&lt;br /&gt;A cabeça pesa, é certo,&lt;br /&gt;As mãos doem, é bem verdade,&lt;br /&gt;Os joelhos não são bons, assumo,&lt;br /&gt;Fora isso, antes disso, no mundo urge uma necessidade de estar vivo e é isso que me falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa minha madrugada mantém seu ar morno para mim,&lt;br /&gt;Ela me deseja,&lt;br /&gt;Sopra quente nas minhas orelhas,&lt;br /&gt;Serpenteia a língua na minha nuca,&lt;br /&gt;Desce pelas minhas costas com as mãos&lt;br /&gt;E sobe sulfurosa lambendo minhas virilhas,&lt;br /&gt;E morde minhas coxas,&lt;br /&gt;E acaricia meus testículos,&lt;br /&gt;Ela sabe como ser agradável, a madrugada,&lt;br /&gt;Ela sabe como ser boa,&lt;br /&gt;Afasta minhas pernas e abocanha meu pau e me faz gritar,&lt;br /&gt;E me masturba enquanto sussurra aos meus ouvidos e se insinua toda, essa madrugada,&lt;br /&gt;Apenas para interromper o coito e se afastar sorrateira e sorridente&lt;br /&gt;Me abandonando a mim,&lt;br /&gt;Me deixando sozinho com o meu copo e com o meu corpo e com seu calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viro o resto do copo e não faço caretas,&lt;br /&gt;Estou sabido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para um pouco,&lt;br /&gt;Vai à janela olhar a rua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Hamlet, se o fantasma de meu pai aparecesse,&lt;br /&gt;Se houvesse um plano para mim,&lt;br /&gt;Uma série de sortilégios e um coveiro verdadeiramente trágico,&lt;br /&gt;Ah, Hamlet, como poderíamos ser iguais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aqui nada me anima mais do que a desistência,&lt;br /&gt;E eu não tenho a quem recorrer,&lt;br /&gt;Estou velho no inicio da vida,&lt;br /&gt;Ou pelo menos me fizeram acreditar nisso,&lt;br /&gt;Estou velho e fraco e feio,&lt;br /&gt;Salomão, somos um e outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque agora eu me sinto roubado,&lt;br /&gt;Me sinto traído e pouco querido,&lt;br /&gt;Me sinto mal.&lt;br /&gt;Sou a reencarnação do dono dos porcos&lt;br /&gt;Que vivia próximo a um cemitério onde estava acorrentado o louco, o possesso do vilarejo,&lt;br /&gt;Lembro-me como se realmente tivesse vivido aquilo,&lt;br /&gt;O assassinato vil dos meus quase dois mil porcos, ordenado pela boca do próprio senhor filho do deus em pessoa e espírito santo.&lt;br /&gt;E os meus porcos endemoninhados, tão inocentes, condenados ao suicídio no abismo do inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que estou traído.&lt;br /&gt;Eu que nunca fiz o mal,&lt;br /&gt;Eu que era um inocente suinocultor,&lt;br /&gt;Atingido pelo próprio santíssimo na base de usa profissão,&lt;br /&gt;Roubado dele o nome de seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou com essa marca na alma,&lt;br /&gt;Esse ressacado tumor na minha corcunda,&lt;br /&gt;Estou aleijado,&lt;br /&gt;Uma marca como essas não se apaga,&lt;br /&gt;Mas perdura vida após vida,&lt;br /&gt;Mantendo-se em mim e em tudo que eu chamar eu no futuro das minhas próximas encarnações.&lt;br /&gt;E este poema é a minha forma de dizer sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu perdi, mas há tanto para perder que nunca vou parar.&lt;br /&gt;Sim eu sinto essa inveja e essa raiva,&lt;br /&gt;E esse odor da madrugada e do copo, há tanto esvaziado...&lt;br /&gt;Ah, Hamlet... O nosso destino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem verterá lágrimas por nós, meu querido?&lt;br /&gt;Quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;2011&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-133956151509521816?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/133956151509521816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=133956151509521816' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/133956151509521816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/133956151509521816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2012/01/meu.html' title='Meu'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4753674066829509025</id><published>2011-06-21T03:56:00.000-07:00</published><updated>2011-06-21T03:57:45.032-07:00</updated><title type='text'>Prece</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   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exterior,&lt;br /&gt;Deixa-me, Senhor, aprender o oficioso e cansativo artesanato dos falsos.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Me ensina, Senhor, a ter a impavidez do monte que, mesmo com fé, se permite não lançar-se ao mar, mesmo quando o mar já tiver invadido todo o meu interior,&lt;br /&gt;Mesmo quando tudo em mim for mar,&lt;br /&gt;Quando eu mesmo for vale de sombra e morte,&lt;br /&gt;Quando minha face interior for choro e ranger de dente,&lt;br /&gt;Quando eu me arder num inferno particular, permita Senhor o inferno particular, permita o mar, permita a perdição e me ensine a sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me proteja, Senhor, pois o que eu mais desejo é essa lama carnosa e humana de onde tiraste o bisavô desavisado.&lt;br /&gt;Essa terra fértil e lodosa onde o jardim foi plantado e que deu de comer à árvore da morte.&lt;br /&gt;Não me proteja, Senhor, de mim ou de ti, mas, antes disso, lança sobre mim teus rancores.&lt;br /&gt;Deixo-me ser Jó,&lt;br /&gt;Entrego-me ovelha risonha, escarnecedora, com lã enlinhavada e suja de folhas e espinhos,&lt;br /&gt;Permita tudo o que estiver escrito, Senhor, permito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas me ensine, a ter o poder de, em mim, dançar uma festa quando dentro ardem velas de enterro.&lt;br /&gt;A alegria de estar morrendo diariamente, o controle da terra cheia de magma por dentro, toda líquida e molecente por dentro, toda ela um rio quente e fluído por dentro, mas jamais por fora, dá-me senhor, o controle que tem a terra.&lt;br /&gt;Dá-me as pernas e as mãos de um homem que já cansou.&lt;br /&gt;Dá-me os ombros e os sovacos de um dos milhares de mendicantes do mundo.&lt;br /&gt;Dá-me as virilhas das putas,&lt;br /&gt;Os pés dos santos da rua,&lt;br /&gt;Os cabelos dos dementes,&lt;br /&gt;Dá-me, Senhor, o que tiver de pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fogos do meu rosto,&lt;br /&gt;O suor da minha face para deixar a terra fértil,&lt;br /&gt;E me dá de comer esse pomo de sal que brota da árvore que plantei.&lt;br /&gt;Eu aceito, permito e desejo o pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto o cheiro.&lt;br /&gt;Dá-me, por fim, a frieza do mar, que é uno mesmo quando chove e cresce.&lt;br /&gt;Que é uno mesmo quando afoga e penetra, sem convites, casamentos e velórios.&lt;br /&gt;Que é uno quando afoga aqui e, ali, é leito.&lt;br /&gt;Que é uno quando dividido em tantos, que tem nele a tua natureza de Deus de ser muitos e ser um.&lt;br /&gt;Dá-me a divindade do mar, que é diferente de ti, pois sabe de mortes que desconheces.&lt;br /&gt;Dá-me a divindade do mar que é diferente de ti, pois é vivo.&lt;br /&gt;Dá-me a divindade do mar, que sofre e se dói e destrói a tudo que está no caminho, mas sempre calmo, mesmo quando destrutivo, mesmo quando não calmo.&lt;br /&gt;Dá-me a divindade do mar e me abandona,&lt;br /&gt;Em nome de todos os nomes,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-4753674066829509025?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/4753674066829509025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=4753674066829509025' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4753674066829509025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4753674066829509025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2011/06/prece.html' title='Prece'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1838619786799784660</id><published>2011-05-28T09:09:00.001-07:00</published><updated>2011-05-28T09:09:42.834-07:00</updated><title type='text'>Sem lágrimas, mas com muitas palavras</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Eu não acredito em nada disso, veja, ouça, deixe-me dizer, deixe-me recompor o discurso, desdizer, torná-lo outro, infectá-lo comigo, mostrar a farsa. Eu repito: não acredito em nada disso, nada daquilo, eu não acredito em nada. Ouça aí, sente aí,&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;sinta, carinha de anjo, vá só ouvindo, mesmo, mas não se preocupe, vá sentindo, não detenha sua cara de nojo, não impeça a face de mostrar, não segure o estômago, isso eu posso aguentar. Eu não preciso do seu respeito, do seu mesquinho reconhecimento, dessa coisica quase que nada que você leva aí junto ao peito, no lado onde se guardam, nas roupas mais finas, o bolso, onde você leva o que quer que se leve para dividir com aqueles que você ama, àquelas a quem você dá esse amorzinho mesquinho, por isso eu não me interesso, o que eu quero são as suas orelhinhas, meu querido, eu estou de Marco Antônio aqui, Marco Antônio shakespeariano discursando sobre o cadáver do meu próprio Júlio César tendo sido assassinado pelo meu próprio Brutus-eu. Tá ouvindo, meu bem, sou os três personagens principais dessa tragédia onde você é só o público, a crowd de romaninhos famintos e chorantes, percebe, pescou aí, pois pesque, arme sua vara com a menos atraente das iscas, a menos colorida delas e deixe deslizar verticalmente para dentro do rio, esse rio de sangue, de baba, de merda, tudo misturado, pegue aí, desse rio-meu, desse rio que eu estou te dizendo and lend me your ears, my dear. Me deixe falar, essa é a minha vez, é chegada a hora, a minha hora de dizer que tudo o que foi dito antes era uma mentirinha mal contada, daquelas que a gente ouvia quando era criança, ou quando amava alguém e só precisava ouvir o que precisava ouvir e tinha sempre um outro pronto pra mentir pelo bem do tudo estará bem amanhã. Cada sorriso meu, cada palavra, cada traço uma farsa, uma comédia essa tragédia, mas não divina, com perdão do trocadilho dantesco, divina não que eu não mecho com isso aí, que disso aí eu quero distância, meu negócio aqui te é dizer que foi tudo uma farsa, mas sem usar a palavra máscara, não vou usar tuas palavrinhas bobas, nunca usei máscaras, quando criança tentei, mas cheiravam a plástico barato e sempre me desagradou a respiração quente que voltava pro meu rosto da máscara. Guarde as lágrimas, meu bem, engula o choro, engula o choro e me diga, depois, ainda não é sua vez de falar, me diga o gosto que ele tem, para que eu possa ouvir e já não esquecer, não engolirei mais choros, nem represarei lágrimas, mas engula aí o seu choro que vai chegar a hora dele, não falta muito, vai chegar a hora de se afogar em lágrimas, ainda não, calme que agora é a hora da minha palavra, do fim dos sorrisos, eu não espero precisar sorrir jamais, não espero precisar sorrir quando terminar: não vai terminar nunca: eu vou seguir falando, vou ao inferno falando, sem sorrir, sim, cada sorriso foi uma traição, uma traição a mim, eu traí a mim com os sorrisos, com as conversinhas, calma, cale a boca, eu me traí com aquelas provas, cada vez eu que eu fiz uma correção, cada vez que eu reescrevi uma palavra, cada vez que eu me desculpei, retiro tudo, retiro tudo, apague tudo. Apague tudo, das suas fotos, das suas lembranças, das atas, dos autos, das bulas, apague as estrelinhas do seu céu, o sol sorridente da infância desenhado sem talento algum sobre a casinha com telhado porcamente pintado de vermelho e com um papai e uma mamãe e um cachorrinho sorrindo, todo mundo sorrindo, isso, apague, pode chorar agora, viu, não demorou, pode chorar e use suas lágrimas para borrar tudo, para distorcer tudo. Eu quero inaugurar aqui, o navio do teu esquecimento do meu sorriso, do meu gosto amargo cada vez que cumprimentei alguém com fingida simpatia, do meu próprio esquecimento, do apagamento, do esvaziamento, da morte infinita, do espaço vazio eterno que há entre um papel e outro, escolha aí o mais fino dos líquidos inflamáveis para atear fogo à minha pilha de palavras antigas, aos meus livros lidos com aquele tédio de quem está indo para um cadafalso moroso. Lance fogo a tudo enquanto ergo minha taça vazia de tudo, mas cheia de descrença para brindar suas lágrimas, para brindar seus músculos tesos, seus tendões odiando, seu coração bombeando mais sangue,&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;para brindar à derrota que eu te nego, te nego o poder de sair derrotado, vença, meu bem, ganha, sobreponha-se, subjugue-me, isso meu bem, vença, vença, me esmurre, eu não vou parar, use o nó dos joelhos assim, eu não vou parar, eu vou sangrar, sim, mas não vou parar, não vou parar, não vou sorrir, isso, os cotovelos, o fio dos dentes, isso, aplique sua ira, eu não vou parar, use a lâmina das unhas na minha carne, no pescoço, atinja com precisão médica a veia que alimenta a cabeça, eu não vou parar, pise, pise com essa força, chute, cuspa, sinta, eu não estou sorrindo, eu não estou parando, eu nunca pararei, eu não preciso vencer, eu posso, de boa vontade, ser vencido, eu não vou parar, eu não vou parar, eu vou falar para todo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;Tito de Andréa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt; line-height:115%;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; line-height: 18px; "&gt;2011&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1838619786799784660?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1838619786799784660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1838619786799784660' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1838619786799784660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1838619786799784660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2011/05/sem-lagrimas-mas-com-muitas-palavras.html' title='Sem lágrimas, mas com muitas palavras'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8328989575196299199</id><published>2011-05-24T03:26:00.000-07:00</published><updated>2011-05-24T03:33:53.886-07:00</updated><title type='text'>Poema-biografia-afásico ou Blues da total incompetência ou Da tragédia de todo poema ou Poema-biografia-Rir-de-si</title><content type='html'>&lt;div&gt;É preciso, o poeta pensa, é preciso escrever uma faca,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não uma faca comum, uma faca cega de tanto cortar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma faca com um olho, uma faca morna.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É preciso, ele pensa, ele pensa uma mão cheia de precisões,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele pensa os olhos cheios de ouro,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele pensa um veneno escorroso e corrosivo nos suores,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele pensa secreção, escorpiana cauda,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E morre-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele começa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Impera a necessidade,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso, ele repete, sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/span&gt;– É preciso é preciso é preciso é preciso é preciso é preciso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O poeta está nu,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Violentamente despido,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imundo de suores e odores,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O poeta está e não escreve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso cantar, de alguma forma,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De algum modo, sem - que se diga agora, como me indicou um poeta amigo de certo professor Doutor - utilizar-se de adjuntos adverbias, sobretudo aqueles que tem como função demonstrar modo, repito, é preciso cantar de algum modo essa incompetência carnosa que ele propaga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algo ele propaga. Mas não comecemos o coro de risos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há de chegar a hora de chamar os conhecidos, os amigos e as animosidades para dar seu depoimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, pois há sempre a hora do juízo onde meia dúzia de amigos persistentes receberão voz contra todos os outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os outros que ficaram cansados,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os outros que não tiveram mais o que dizer,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Pois é bastante comum na humanidade esgotar a possibilidades de frases novas a &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;dizer para &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;outra pessoa e o silêncio, ao contrário do que prega a voz vigente, não &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;diz muita coisa, é &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;preciso que se diga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os outros que não gostam, que odeiam ou que implicam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hão de ser muitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não ainda:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Ainda não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Ainda não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de tudo é importante contemplar certos aspectos de sua nudez muda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Adjetivos ainda são permitidos, ele pensa e sorri.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele pensa e sorri.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Mas poderia dizer que o lar é onde se guardam corações, ou quando, como &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;disseram depois. &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;E poderia maldizer o sol, como é de seu feitio, ou, num &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;momento mais infantil de velado &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;retorno à mediocridade da adolescencia, essa &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;esfinge derrotada, Édipo vencendo seu &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;complexo e fazendo a mãe de Freud tão &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;infeliz... Ele poderia falar da morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ele está nu. Ele não tem nada a dizer e nem é meia noite nem é meio dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A hora do lobo passou e, quem sabe certa quantidade de álcool ou a escolha musical adequada possam ajudar um pouco... Talvez a mulher nua possa ajudar um pouco, talvez a intensidade correta... Aplicada à vontade correta, talvez a vida possa ajudar um pouco...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O poeta está nu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para um pouco para pensar em destruir a si de formas trágicas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desvela-se para os mais próximos,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chama-os para presenciar sua desgraça exterior - a nudez - e guarda, mascaradamente, o que persiste dentro para outra hora, outra hora quem sabe mais feliz, outra hora quem sabe menos morta, tanta mentira... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele guarda para outra hora. Uma hora onde ele possa sentir as trombetas dos anjos e os aguilhões dos demônios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma hora com Stravinsky e a primavera,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Uma hora com Mozart, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com Beethoven, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Com Bartók, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com Chopin.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Com o diabo que o valha para salvaguardar um lugarzinho no inferno para uma rápida estadia que valessa a Rimbaud uma coisa qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma última pérola que pudesse trazer de lá, do inferno, da profundidade mais esquecida, no canto menos cantado, com tudo o que está ao redor, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Com todos os Deuses mortos, enterrados - em vala comum ou não – &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com todos os homens mortos - suicidados ou não – &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Com todos os diabos - sorridentes ou não – &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com tudo que puder, ele espera e faz suas libações e tenta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Com fôlego – ou não –.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Oremos, pois não é possível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;E já não será possível depois.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é imperativa a tentativa frustrada,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É imprescindível que se debata,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que se esmurre,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tente mergulhar,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E vá mais fundo do que possa,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que tenha uma embolia na alma,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que suba velozmente, com os pulmões clamando por ar,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que jamais o encontre novamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que não possa mais, pois já não é possível, pois está nu e morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É importante - ele pensou pela manhã quando tudo era novo e dia não fedia a guardado - estar meio morto sempre, para poder melhor saber-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso estar meio morto sempre para melhor sentir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E rasgou-se todo em papel velho de versos amarelos e terríveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oremos, pois já não é possível,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é preciso que ele saiba como vociferar sua incapacidade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que escrita é incapacidade e não é possível dizer nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ele guarda, ele guarda a incompetência para si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele a tem e a ama e a cuida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso cuidar das coisas que se tem, ainda mais quando não se tem muito, ainda mais quando não se tem nada e ele espera o inferno que virá, com um Van Gogh de braços abertos e sem orelhas para ele ser,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele espera o inferno inteiro para poder ir buscar o mais baixo tesouro do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele espera atingir algo,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem que seja um dente partido de tanto ódio&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma chuva inversa que esbraveje conta as núvens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o sol não é bom para ele e ele disse não para todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o lar não é onde o coração está – nem quando, ouviram –&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há mais coração,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há lobos em suas horas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tito de Andréa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8328989575196299199?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8328989575196299199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8328989575196299199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8328989575196299199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8328989575196299199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2011/05/poema-biografia-afasico-ou-blues-da.html' title='Poema-biografia-afásico ou Blues da total incompetência ou Da tragédia de todo poema ou Poema-biografia-Rir-de-si'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-6471127515633832233</id><published>2011-03-27T10:40:00.001-07:00</published><updated>2011-03-27T11:27:55.650-07:00</updated><title type='text'>Muito tem se falado da relação do rio com suas curvas</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   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eternamente acordado para dormir do desespero dos olhos convulsivos fechados para despertar novamente, sem ter dormido, num outro mundo, sempre, sempre, sempre e sempre cada vez mais fundo até que de volta para a superfície,e m algum momento, sim, de volta sim, alguma hora há de acontecer, executam-se círculos o tempo todo, de volta a superfície depois de uma longa incursão ao centro, indo mais fundo até desembocar do lado de fora, de volta, enfim, não sem perdas, mas para gritar com os pulmões cheios de ar que se está vivo e acordado e pronto para o ataque do novo que se impôs durante a ausência de sono eterno que se deu até mesmo enquanto se estava acordado, se impondo lentamente como a água faz, não numa enchente que é quando a água é pura força sem ritmo e sem pudores piedosos, mas assim como o riozinho se impõe, o novo se imporá, como o pequeno rio diante da casa de um homem que não está atento e o rio vai bebendo das chuvinhas que caem e nem dizem muito, a mãe nem recomenda proteções agasalháveis e a chuvinha engorda o rio e um dia o homem está separado da outra margem por um rio imenso, um respeitável rio, um rio oceânico que o exclui, que se não o impedir de gritar, certamente o impedirá de ser ouvido por outra pessoa e o homem precisa agora aprender a conviver com a solidão e com o rio-novo que se gerou durante o sono e durante a vigília pouco vigilante, até o dia em que o rio, ainda sorrateiro e silencioso como muitas vozes caladas, penetra na casa do homem, este espaço sagrado, esse santo lugar, e o afoga e o leva no seio para o nutrir e o reintegrar ao que havia perdido e eu então acordarei e serei como o homem cheio de disposição e não me comportarei como o outro da narrativa que viu o rio-novidade instaurado diante de sua porta, como um desastroso presente e a ele deu as costas, não, não eu, eu não, eu arrebatarei o ar e para gritar a vida à vida e atirarei meu corpo no rio, sem chamas, sem choro, sem rezas, sem coração para ser enterrado no primeiro meandro e vencerei, com plantas presas ao cabelo e certo peso nas roupas, tendo certamente perdido os sapatos e as meias atingirei o outro lado do rio, tudo frio na outra margem, para encontrar um cemitério, o cemitério onde meus amigos, que morreram todos durante o sono, o meu sono, estão enterrados, e este seria um novo rio, um outro desespero, uma nova superposição, imposição da morte nas arestas esquinosas dos meus pés e será preciso não ter ansiedade, saber lembrar da ordem natural do mundo que prega com vivenciada verdade e estudo observado que aquele que dormem devem acordar – em algum momento, a menos que morram e ainda assim a regra é ainda mais verdadeira – que aqueles que dormem devem acordar num mundo completamente novo e solitário com tudo anterior morto e faz parte desse universo onde escolheu-se nascer e é preciso assumir a responsabilidade de suas escolhas e os amigos mortos não fariam mesmo grande falta, pronto, então, está vencido o novo e é preciso saber-se mergulhar nos rios, pois serão muitos com muitas curvas e muitos sonos e novos despertares e velhas mortes e toda noite o mesmo aborto silencioso e torto até que um dos rios vença e eu me afogue e retorne ao fundo do sono de onde saí e para onde retornam todos mesmo que ai retornar para lá, seja como se decidiu chamar esse lá, um lar, um outro plano, outro planeta, o fato é que ao retornar para o lá já não se é nada, ninguém se é mais no fundo do rio, tragado, fumado, tudo esquecido, mesmo em outro mundo, mesmo em outro lugar se está morto, e lá não se poderá encher o peito de ar e gritar a morte à morte, nem vencer nada, mas não se pode estar morto ainda, não, ainda não, que ainda estou dormindo e me adiantando muito na história que conto enquanto estou acordado e do que farei quando estiver acordado, e estou falando tendo consciência da impossibilidade desse pensamento, da impossibilidade de pensar em algo que seja realmente impossível, mas estou eternamente rodeado pelo paradoxo, roendo as paredes do impossível, assistindo lentamente enquanto durmo ou enquanto desperto o lento avançar do rio que se aproxima pronto para instaurar uma nova ordem, afogando os amigos que nunca tive, mas bem poderia ter tido em uma ocasião diferente, tivesse sido eu mais risonho, tivesse procurado, tivesse mantido uma ordem entre acordar e dormir e dormir e acordar e não trocado as mãos pela cabeça e os pés pelos rins ou qualquer outra parte cambiável do corpo que crie uma imagem desesperada que afasta os iguais porque torna-os imediatamente diferentes, então poderia ter tido amigos em uma vida outra ou em uma morte outra, pois estou vivo e morto, eternamente morto por estar vivo e condenado à morte, assim como se está acordado e condenado ao sono, e pedir uma mudança é uma revolta inútil há de ser tragado pelo rio, é impensável uma mudança que toque o coração, troque um acorde, mude as cordas, a nodocorda, aquela do pescoço, aquela do violão, que parte quando muito tesa e não soa nada quando frouxa, e que não pode mudar sua natureza, não pode querer mudar sua natureza, de estar acordado e de estar dormindo e assistindo a chuvisquinha que cai tamborilando no rio que já aumenta, e não posso gritar, ou posso gritar e não posso ser ouvido, o que dá no mesmo, pois a chuva intercepta minhas palavras e as usa para o rio crescer, mistura à lama minha palavra, escorre minha frase rio adentro, criando curvas, cavando meandros, afundando barquinhos de papel das crianças da outra margem, os filhos dos amigos que se afogarão logo, logo e nem sabem porque não podem ouvir ou não sabem ouvir o grito que chega junto com o rio, e só posso esperar para que seja minha vez de acompanhar esse fluxo que as minhas palavras agora acompanham de ser eu a me fundir ao rio, de me deixar levar, de estar úmido e unido a tudo, com o peito risonho e arfante, infantil, para unir-me aos amigos mortos que nunca tive, para unir-me aos filhos deles e despejar os meus filhos junto aos deles, sem um esforço grande, mesmo jamais tendo tido um esforço realmente grande, o que não muda nada, as coisas tendem a continuar as mesmas isso não gera absurdos, sem jamais ter conhecido uma revolta, unido sim, agora sim, ao rio e à matéria-novidade que compões suas cordas vibrantes e imutáveis que compõem seus átomos vibrantes que compõem suas moléculas vibrantes que compõem seu leito vibrante e que agora me vibra e me toma e me leva.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: right;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Tito de Andréa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: right;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;2011&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6471127515633832233?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6471127515633832233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6471127515633832233' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6471127515633832233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6471127515633832233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2011/03/muito-tem-se-falado-da-relacao-do-rio.html' title='Muito tem se falado da relação do rio com suas curvas'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-762144193603924840</id><published>2011-02-25T03:50:00.001-08:00</published><updated>2011-02-25T03:54:28.049-08:00</updated><title type='text'>Você.</title><content type='html'>Você não é o que você vê.&lt;br /&gt;Você não é o que você lê.&lt;br /&gt;Você não é o que você come.&lt;br /&gt;Você não é o que você ouve.&lt;br /&gt;Você não é o que você sente.&lt;br /&gt;Você não é o que você escreve.&lt;br /&gt;Você não é o que você ama.&lt;br /&gt;Você não é o que você faz.&lt;br /&gt;Você não é o que você sonha.&lt;br /&gt;VOcê não é o que você deseja.&lt;br /&gt;VocÊ não é o que você escolhe.&lt;br /&gt;Você não é o seu trabalho.&lt;br /&gt;Você não é as pessoas que conhece.&lt;br /&gt;Você não e o lugar onde mora.&lt;br /&gt;Você não é o lugar onde morre.&lt;br /&gt;Você não é o Deus que você adora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não é nada.&lt;br /&gt;Você não é nada.&lt;br /&gt;Você não é nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-762144193603924840?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/762144193603924840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=762144193603924840' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/762144193603924840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/762144193603924840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2011/02/voce.html' title='Você.'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5505852327427155347</id><published>2011-02-01T20:59:00.000-08:00</published><updated>2011-02-01T21:02:52.058-08:00</updated><title type='text'>Feartrap</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo desespero mínimo  o que eu desejo,&lt;br /&gt;Minúsculo grão de poeira ensolarado,&lt;br /&gt;Quase inaudível som de dentes que rangem,&lt;br /&gt;Portões que gemem,&lt;br /&gt;Pernas que abrem,&lt;br /&gt;Gotas que somem,&lt;br /&gt;Sementes que nunca germinam, mas racham a terra e continuam involuntariamente sua longa jornada para o esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser morno na boca do Senhor e esperar,&lt;br /&gt;De todo coração,&lt;br /&gt;Ser cuspido para o vazio sonolento e violento&lt;br /&gt;Onde já não há nada, pois a ausência seria tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conviver com todo tipo de fera,&lt;br /&gt;Rezar todo tipo de rosário mortuário,&lt;br /&gt;Consolar viúvas e enterrar corpos,&lt;br /&gt;Velar escorpiões,&lt;br /&gt;Chorar por toda mosca,&lt;br /&gt;Se embriagar de todo mal entendido,&lt;br /&gt;E permanecer diante do abismo com um certo sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perder todos os amigos no jogo,&lt;br /&gt;Vender a casa,&lt;br /&gt;Vendar a família,&lt;br /&gt;Queimar papel,&lt;br /&gt;Incinerar órgãos,&lt;br /&gt;Cheirar a fumaça que resta,&lt;br /&gt;Cultivar pequenos vícios,&lt;br /&gt;Cultivar todo defeito,&lt;br /&gt;Deixar crescer os pelos do rosto&lt;br /&gt;  E&lt;br /&gt;         Ser feio,&lt;br /&gt;         Ser feio,&lt;br /&gt;         Ser feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É meia noite e poderia ser qualquer hora.&lt;br /&gt;É meia noite e poderia ser um meio dia.&lt;br /&gt;É meia noite, mas o sol que arde dentro incomoda tanto quanto o que arderá fora em poucas horas na cidade infernal onde as cinzas da fogueira se transformaram em moradia para poucos.&lt;br /&gt;Na cidade imberbe e sem história que golfa pedras e corrói castelos.&lt;br /&gt;Na cidade forte que finge de morta para, na hora certa, ativar a ratoeira que faz o seu corpo, já decapitado convulsionar voluptuosamente.&lt;br /&gt;Na cidade guilhotina que come meus livros e sorri amarela de suas casas-casebres-abandonos.&lt;br /&gt;Na cidade podre com seus cemitérios condecorados, suas praças hospitalizadas e militarizadas, suas ruas cheias de sacos que guardam, eu bem sei, corpos de gente que nunca morreu e não poderia ter morrido porque jamais chegou a viver.&lt;br /&gt;Na cidade aborto que cava buracos sob seus pés para que se caia numa armadilha do medo.&lt;br /&gt;Na cidade cidadela que fomenta conversas sobre pânico em salas guardadas por lentes e grades enquanto a vida sopra do lado de fora onde não se pode estar.&lt;br /&gt;Na cidade lacuna onde nossos pais desejarão ter suas lápides fincadas.&lt;br /&gt;Na cidade rasura onde eu não quero morrer, onde eu não quero viver, onde eu não quero suar nem amar mais que o suficiente para saber que aqui é o lugar dos mortos e dos oprimidos e dos cansados.&lt;br /&gt;Na cidade cactus que não é bela nem áspera, nem intratável, visto que há nela toda uma impossibilidade de ser.&lt;br /&gt;Na cidade que não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem aventurados aqueles que se vão daqui para todo o sempre e além dos tempos.&lt;br /&gt;Bem aventurados aqueles que enlouqueceram de febre e esquecem onde estão.&lt;br /&gt;Bem aventurados aqueles que visitam, maculam, aliviam-se e seguem adiante.&lt;br /&gt;Bem aventurados aqueles que compreendem o desespero de viver.&lt;br /&gt;Bem aventurado eu.&lt;br /&gt;Bem aventurado eu que não acredito em um Deus e que estou condenado por todos os olhos.&lt;br /&gt;Bem aventurado eu que não acredito na humanidade e que estou condenado por todos os olhos.&lt;br /&gt;Bem aventurado sou eu que amo e me permito ao amor, apesar de tudo.&lt;br /&gt;Bem aventurado sou eu que me permiti perder sistematicamente aquilo que perdi.&lt;br /&gt;Bem aventurado sou eu que fui mastigado pelas horas dos dias incômodos.&lt;br /&gt;Bem aventurado sou eu que não sou melhor.&lt;br /&gt;Bem aventurado sou eu que fui condenado à má vontade de todos os semelhantes.&lt;br /&gt;Bem aventurado sou eu que desejo o pior de cada dia, sorrindo freneticamente a insônia,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quero o oco dos olhos,&lt;br /&gt;Que quero pagar todas as prestações da minha dívida,&lt;br /&gt;Dizer a eles todos o que penso:&lt;br /&gt;Que não desejo permanecer sujando meus pés em sua terra magra,&lt;br /&gt;Intoxicando minha alma com seus santos contraditórios,&lt;br /&gt;Amargando minha língua com sua fala vencida,&lt;br /&gt;Remoendo suas mágoas fora de validade,&lt;br /&gt;Colhendo rosas sem pétalas e sem sexo, secas como tudo que há em sua terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permitir-me ser feio,&lt;br /&gt;Ser feio,&lt;br /&gt;Ser feio é algo que se pode desejar.&lt;br /&gt;É tudo que se pode desejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastar os outros com pedidos de esmola impossíveis,&lt;br /&gt;Saborear um substantivo orgíaco e deixar a língua convulsiva pelo palato e pelos lábios e fora deles enquanto pernas rijas pressionam suas orelhas,&lt;br /&gt;Fugir do universo para um lapso temporal onde só há ela,&lt;br /&gt;Fugir da cidade maldição que abocanhou minha vontade e podou as árvores com formatos imbecis.&lt;br /&gt;Da cidade salina enfeitada.&lt;br /&gt;Da cidade árvore de natal com luzes fracas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, cidade, nos encontramos novamente em meu poema,&lt;br /&gt;Ah, cidade, eu sei como se sentem aqueles foram roubados,&lt;br /&gt;Que foram enganados,&lt;br /&gt;Que foram vilipendiados de alguma forma,&lt;br /&gt;Que foram saqueados por sua vigarice,&lt;br /&gt;Que foram vencidos pela sua noite,&lt;br /&gt;Que sentaram em sarjetas com garrafas vazias,&lt;br /&gt;Que tiveram de fugir, de gritar, de maldizer o sol,&lt;br /&gt;De inventar qualquer coisa, qualquer tipo de jogo, de palavra mágica, de montanha com segredo, de ladrões místicos e não viciados,&lt;br /&gt;De inventar um amigo, de criar literatura, de gastar tudo que se tem em qualquer tipo de coisa que afaste seu nome do meu, cidade,&lt;br /&gt;Seu nome infecundo,&lt;br /&gt;Seu nome infecto,&lt;br /&gt;Inanimada cidade dos ratos e da fumaça e dos escorpiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Chove em ti, cidade,&lt;br /&gt;         O trem não passou ainda,&lt;br /&gt;         Hoje estarão mais que atrasados todos que me encontrarem,&lt;br /&gt;         Sua hora passou e estou aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso inventar novas covardias e novas malícias para permanecer.&lt;br /&gt;É isso o que eu mais desejo,&lt;br /&gt;Uma covardia nova,&lt;br /&gt;Uma covardia segura, mais covarde impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo ardentemente ser cuspido da boca do senhor,&lt;br /&gt;Desejo ardentemente não fazer sentido nenhum,&lt;br /&gt;Para ser visto como lunático,&lt;br /&gt;Para ser tratado como paranóico,&lt;br /&gt;Para ser compreendido como um masoquista do espírito,&lt;br /&gt;Inferior a tudo que penso,&lt;br /&gt;Inferior a tudo que construo,&lt;br /&gt;Morto, eternamente morto e eternamente vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, cidade, que grande piada.&lt;br /&gt;O que você fará no fim de seu espetáculo e notar que ninguém mais permaneceu para assistir?&lt;br /&gt;O que você fará?&lt;br /&gt;Com suas luzes amareliças e opacas,&lt;br /&gt;Com seus homens realmente machos e realmente potentes e realmente capazes de cometer violências,&lt;br /&gt;Com seus homens raquíticos e armados e cheios de todo tipo de doença que não mata,&lt;br /&gt;Ah, cidade, com quem você foi se meter?&lt;br /&gt;Com quem você se associou?&lt;br /&gt;Agora é uma menina suja de sangue da primeira menstruação e está viciada,&lt;br /&gt;Viciada em asfalto fresco e de qualidade profundamente questionável,&lt;br /&gt;Viciada em pedras,&lt;br /&gt;Em pó de fuligem,&lt;br /&gt;Em fumaça cinza,&lt;br /&gt;Em ervas daninhas,&lt;br /&gt;Em mendigos que mais são peças no jogo de xadrez que inventamos para assistir o apocalipse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, cidade, prometo já não te dar nada,&lt;br /&gt;Prometo virar meu rosto,&lt;br /&gt;Prometo não devolver o que me deu,&lt;br /&gt;Não entregar de volta tudo que ganhei de ti,&lt;br /&gt;Prometo não me vingar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo com meu desejo de ser incompleto,&lt;br /&gt;Eternamente incompleto,&lt;br /&gt;Inquietamente incompleto,&lt;br /&gt;Dotado de uma sagrada incompletude,&lt;br /&gt;De uma fabulosa derrota,&lt;br /&gt;Afirmando a força da gravidade em tudo que faço,&lt;br /&gt;Celebrando comemorações de anos novos que se iniciam a cada hora,&lt;br /&gt;Comemorando velórios,&lt;br /&gt;Presidindo missas aos inválidos,&lt;br /&gt;         Aos igualmente incompletos,&lt;br /&gt;Aos vencidos,&lt;br /&gt;         Aos enjeitados,&lt;br /&gt;Aos perseguidos,&lt;br /&gt;         Aos paranóicos,&lt;br /&gt;Aos delirantes,&lt;br /&gt;         Aos irritadiços,&lt;br /&gt;Aos enganados,&lt;br /&gt;         Aos desacreditados,&lt;br /&gt;Aqueles com nome sujo,&lt;br /&gt;         Aqueles com mente suja,&lt;br /&gt;Aqueles que desistiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Girando, sempre para baixo, sempre para o fundo, até atingir o piso,&lt;br /&gt;Até atingir algo,&lt;br /&gt;O mais mínimo dos desesperos,&lt;br /&gt;O mais ínfimo grão de poeira,&lt;br /&gt;O menor, o pior, o mais fraco,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Me amem também,&lt;br /&gt;Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5505852327427155347?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5505852327427155347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5505852327427155347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5505852327427155347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5505852327427155347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2011/02/feartrap.html' title='Feartrap'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-6670045533445778496</id><published>2010-12-25T18:07:00.000-08:00</published><updated>2010-12-25T18:09:13.081-08:00</updated><title type='text'>Poema-biografia-atraso</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   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amarelado de uma saliva venenosa,&lt;br /&gt;Encontrar o sentido em dunas milenares e cactos sagrados,&lt;br /&gt;Compreender o sentido do ínfimo, do menor, do pior, do mais fraco,&lt;br /&gt;Torturar o verão que se prender aos cabelos,&lt;br /&gt;Deformar a areia com os pés,&lt;br /&gt;Atentar contra a paz da grama,&lt;br /&gt;Acalmar com a própria carne a fome da alcatéia,&lt;br /&gt;Inundar tempestades com lágrimas,&lt;br /&gt;Violar o outro lado do espelho,&lt;br /&gt;Encontrar-se na extremidade oposta,&lt;br /&gt;E saber que as coisas serão coisas que serão coisas que serão coisas  que serão coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol não é bom para todos.&lt;br /&gt;O sol não é bom para todos.&lt;br /&gt;O sol não é bom para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode atingir algo,&lt;br /&gt;Ler nas entrelinhas,&lt;br /&gt;Beijar a lua refletida no olho,&lt;br /&gt;Lamber cristais de sal,&lt;br /&gt;Solfejar cães risonhos,&lt;br /&gt;Iluminar o dia,&lt;br /&gt;Mas o sol não é bom para todos, não para todos e as coisas serão sempre as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizes são os outros.&lt;br /&gt;Os outros os outros dos outros que são os outros para os outros e nunca eu porque eu nasci após o tempo correto e penetrei com unhas compridas num mundo que nunca estaria pronto para me aceitar visto que nunca esteve pronto para ser aceito&lt;br /&gt;Felizes são os unicórnios, que puderam deixar de existir sem grande violência.&lt;br /&gt;Felizes os Deuses que custam cinquenta e nove e noventa numa edição de luxo que prega o desapego.&lt;br /&gt;Felizes os dinossauros que mastigaram fuligem.&lt;br /&gt;Felizes os que tentam.&lt;br /&gt;Feliz o homem que fez a sua casa à beira de um abismo minado, pois este já não reside sob as graças de Allah.&lt;br /&gt;Felizes sempre todos os que olho, a tudo que assisto, em todo lugar por onde passo, pois se escondem e se encontram nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o sol não é bom para todos e há aquele a quem chamam de intruso, pois nasceu após seu tempo.&lt;br /&gt;Mas o sol não é bom para todos e nem sempre podemos ter um Natal no coração da avó.&lt;br /&gt;Pois há morte e algo de errado no seio familiar e as coisas são sempre as coisas para as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz o fogo que lambe tudo e permite que tudo o seja.&lt;br /&gt;Feliz o primeiro gafanhoto do vale Meggido.&lt;br /&gt;Feliz o primeiro animal morto quando o mar virar sangue novamente.&lt;br /&gt;Feliz aquele que, louco, mastigou ferro em brasas, pois este compreendeu a natureza de Deus.&lt;br /&gt;Feliz aquele qualquer um, aquele outro qualquer, aquele que não se nota, pois este faz parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizes os outros, sempre os outros, a qualquer preço, a todo custo, pois podemos comprar o amor de Cristo num natal quente e essa é a boa nova que os anjos vieram anunciar em módicas prestações de nove e noventa e começar a pagar apenas no próximo mês de março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz aquele que sorri enquanto ouve o mais triste dos homens falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível ir adiante,&lt;br /&gt;Aterrar o mar inteiro,&lt;br /&gt;Comer petróleo,&lt;br /&gt;Amamentar um urso,&lt;br /&gt;Criar o ódio,&lt;br /&gt;Fomentar a fome,&lt;br /&gt;Cansar-se de tudo e saber que as coisas são as coisas e sempre as serão,&lt;br /&gt;E pensar que o sol não é bom para todos e que minha avó está morta e nunca mais me amará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizes os outros por serem os outros e nem ao menos tentarem.&lt;br /&gt;Feliz o que entoou o primeiro canto de adeus e o primeiro que avistou a bomba,&lt;br /&gt;Feliz o que não vê chorar, que não tenta, que não sorri, que não vive ao morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terrível, terrível, terrível, terrível, terrível, terrível, terrível a sina daquele que parou e vislumbrou o sol e sua sina terrível, terrível, terrível, terrível...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizes os outros, feliz o sol, feliz a terra, o fogo, a água, a palavra.&lt;br /&gt;Feliz a língua do sedento,&lt;br /&gt;Feliz o primeiro homem a chorar, já não chora e jamais chorará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;2010&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6670045533445778496?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6670045533445778496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6670045533445778496' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6670045533445778496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6670045533445778496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/12/poema-biografia-atraso.html' title='Poema-biografia-atraso'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2618482709272529004</id><published>2010-12-13T05:31:00.001-08:00</published><updated>2010-12-16T16:59:47.996-08:00</updated><title type='text'>Língua</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: right; line-height: normal; margin-bottom: 0pt;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:'Times New Roman','serif';font-size:85%;"  &gt;ao amigo que me entregou essa história&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; margin-bottom: 0pt;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:'Times New Roman','serif';font-size:100%;"  &gt;- Falar. É preciso falar com alguém. Se só há você. Só há você. Para transmitir essa fala mastigada, nessa língua comida por traças, nessa língua comatosa que compartilhamos, que dividimos. Essa língua já apodrecida, velha demais, gasta demais, insuficiente. Só temos a nós para falar. Só temos a nós e o mundo já não é novo. Envelhecemos com a língua, fomos comidos assim como ela foi comida, e a terra dos pés agora cheira a pó e tem gosto de fumaça escura. Estão salgados os campos e até os deuses do pai e da mãe e as árvores e os pássaros falam outra língua. Para ouvir a essa da qual falo, só nós estamos aptos, apenas nós dois e até mesmo nós dois não tardaremos a morrer. Sim, primeiro morrerei eu, depois, com a minha ausência morrerá você. Os ritos em língua materna não ocorrerão. Mas devemos ser perdoados pela falta. Não é tão grave, não faça essa cara, não, veja, levaremos ao mundo dos mortos nossa língua igualmente morte e nossos ancestrais nos receberão com cânticos de vitória como aqueles que a infância guardou dos exércitos. Poderíamos falar sobre a infância agora, falar sobre isso, sobre a infância, dos pés na terra, do gosto das coisas. A terra. Foi prometida? Alguém a prometeu? Poderíamos falar sobre mais, só há você para me ouvir e só eu para ouvir a você, vê? Somos como irmãos dentro de um ventre, agora. Antes os homens, os outros, passavam por nós e nos olhávamos como se fossemos loucos, dementes. Colocaram-nos aqui. Longe. Para não incomodar. Que não incomodemos. E não usaram nossa língua para se dirigir a nós. Eu, eu e você, que somos esses velhos, que não servimos, falamos essa língua-vento, merecemos certo respeito. Que nos tranquem juntos, é ter alguém com quem falar, vá lá, mas que o façam direito, com respeito, com um rito. É preciso manter a calma, me aproximar, só há você para me ouvir, somos os últimos. Todos mortos ou convencidos, convertidos, esquecidos. Nossa língua capenga. Nossa língua muleta. Está louca. Só nós dois. E você mal ouve. Eu falo e você fala ao mesmo tempo, mal ouço o que você diz, quando me calo para tentar você faz o mesmo, quando recomeço tudo se inicia igualmente. Você mal deve ouvir também, mas eu levo a mão à cabeça e você faz o mesmo, eu me afasto e você se afasta, me aproximo e você volta. É preciso dizer. Falar. Se só há você, falo com você. Que par. Nossa língua mereceria mais? Não. Provável que não. Que par. Poderíamos falar sobre isso. Em nossa língua é possível falar sobre qualquer coisa. Tudo. Poderíamos falar sobre tudo. Mas eu tento tocar sua mão e só toco o vidro. Quem dividiria duas celas com vidro? Quem constrói duas celas tão iguais e simetricamente inversas? Você tenta me tocar também, o rosto frustrado, igual a mim. Posso sentir em mim que as feições são iguais, não são? Igualmente frustrados. Poderíamos quebrar o vidro e nos abraçar, mas e se nos separassem? Não, não podemos arriscar, é preciso falar, é preciso falar. É preciso que haja alguém. Qualquer um. Só há você. Que entenda. Que entende. É preciso falar...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; line-height: normal; margin-bottom: 0pt;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tito de Andréa&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2618482709272529004?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2618482709272529004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2618482709272529004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2618482709272529004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2618482709272529004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/12/lingua.html' title='Língua'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4591865693674128986</id><published>2010-11-28T16:20:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T16:22:11.017-08:00</updated><title type='text'>Poema-poemas momentos de desesperinho</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;É preciso não perder tudo&lt;br /&gt;Deixar um pedaço&lt;br /&gt;Um que seja&lt;br /&gt;Sal&lt;br /&gt;Saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;E por tudo que eu sinta&lt;br /&gt;Venha a sentir&lt;br /&gt;É preciso que sinta&lt;br /&gt;Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Ver tudo&lt;br /&gt;Que pude ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;Esperar para ver&lt;br /&gt;Cumprir-se&lt;br /&gt;Um carnaval que seja&lt;br /&gt;Quando fevereiro chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E torcer,&lt;br /&gt;Para que nenhuma saudade&lt;br /&gt;Chame meu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;Amigos quis,&lt;br /&gt;Querias, louro bocomoco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;Chorar nunca&lt;br /&gt;,&lt;br /&gt;Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;Chegam momentos&lt;br /&gt;De prestar atenção e escrever&lt;br /&gt;Mas Jesus sabe&lt;br /&gt;Que nem toda cruz se escreve com pregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;Ri risos&lt;br /&gt;De morte,&lt;br /&gt;Mas o poema, irmãos,&lt;br /&gt;Não riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;2010&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   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desesperinho'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-682654751257909527</id><published>2010-11-19T14:18:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T14:19:19.967-08:00</updated><title type='text'>Poema-biografia-peito-e-abandono</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Ulysses e aos que vieram dele depois&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;I&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Já não tenho nada que lhe dê.&lt;br /&gt;Entreguei, aos urubus e teus outros irmãos;&lt;br /&gt;Certo tempo atrás,&lt;br /&gt;Tudo que trazia comigo:&lt;br /&gt;As flores e os fios pequenos,&lt;br /&gt;Os guardados dos bolsos&lt;br /&gt;E dos corações em fundo de poço:&lt;br /&gt;Cordas firmes rompidas,&lt;br /&gt;Pedaços de madeira apontados,&lt;br /&gt;Cadernos coloridos amontoados:&lt;br /&gt;Outros tempos&lt;br /&gt;De templos de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disso já não tenho nada.&lt;br /&gt;De sóbrios violões-rodas-gigante,&lt;br /&gt;E filosofia bêbada e paraíso-comprimido&lt;br /&gt;E cerveja iluminadas e casas sem janelas e&lt;br /&gt;Todo tipo frio de abandono que se clama no calor.&lt;br /&gt;Disso que tínhamos e já não tens,&lt;br /&gt;Nem eu tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haveria, aqui,&lt;br /&gt;Certo tempo para falar.&lt;br /&gt;Falar das tintas de caneta que me lembro,&lt;br /&gt;De todo tipo de contenda-coliseu que se dava&lt;br /&gt;(e não dará),&lt;br /&gt;Das praças nem sempre tão verdes e dos olhos&lt;br /&gt;Nem sempre não limpos,&lt;br /&gt;Dos corredores e dos sons:&lt;br /&gt;Elefantes em copos de água,&lt;br /&gt;Fluorescência de uma primeira-qualquer-coisa,&lt;br /&gt;Palavras só criadas para não dizer,&lt;br /&gt;Caixas cheias de tinta e,&lt;br /&gt;Aqui,&lt;br /&gt;Meu riso com certo escárnio e forte amargura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da palavra irmão que aprendi a dizer,&lt;br /&gt;Para logo aprender a calar de medo,&lt;br /&gt;Ao som forte e grave que procede a um rompimento de corda,&lt;br /&gt;O vibrar da corda antes de pôr-se tesa,&lt;br /&gt;O momento exato antes da quebra,&lt;br /&gt;Todo meio riso e falta de graça,&lt;br /&gt;Todo olho empedrado em granito,&lt;br /&gt;Todo meio ódio nos cabelos alheios,&lt;br /&gt;Todo amor dado...&lt;br /&gt;Ah, aqui,&lt;br /&gt;Novamente há,&lt;br /&gt;Meu riso escarnecedor que aprendeu a chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Do espírito de luz às almas desertas,&lt;br /&gt;Tão igualmente desertas num deserto igual,&lt;br /&gt;Já não guardo tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também distribuí palavras e certo vômito&lt;br /&gt;Com cores de ontem&lt;br /&gt;Quantidades de fumaça e risos de cúmplice&lt;br /&gt;Já não é possível o retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao primeiro Deus ou&lt;br /&gt;Ao primeiro momento,&lt;br /&gt;Transgressões óbvias e bebidas que se recusavam a esquentar.&lt;br /&gt;Já não há lembranças de uma irmandade nunca dita,&lt;br /&gt;De dores mutuas,&lt;br /&gt;De proximidades...&lt;br /&gt;Do fogo nos cabelos&lt;br /&gt;Nunca saberás&lt;br /&gt;(o que é ainda mais triste?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não guardo nada para ti,&lt;br /&gt;Aos teus próximos –&lt;br /&gt;Amores e comensais –&lt;br /&gt;Entreguei o que tinha e o que podia,&lt;br /&gt;Toda poesia encerrada numa cesta,&lt;br /&gt;Todo deus-anão sepultado no peito,&lt;br /&gt;Todo plano firme, terra quente, sol sedento,&lt;br /&gt;Sede morta, água velha, olho amarelo,&lt;br /&gt;Confissões mútuas de saudades,&lt;br /&gt;Música e Literatura, que serpentes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-os juntos e já não compartilhamos&lt;br /&gt;Mesa e passo.&lt;br /&gt;Já não é hora de incompletude na ausência,&lt;br /&gt;É preciso que haja,&lt;br /&gt;Nas praias da alma,&lt;br /&gt;(Onde não se pode ficar)&lt;br /&gt;Esquecimento,&lt;br /&gt;E, aqui,&lt;br /&gt;Também ao teu nome,&lt;br /&gt;Sopro o riso amargo e ácido&lt;br /&gt;De um veneno de pedras,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não há tempo para mágoas,&lt;br /&gt;É chegado um novo dia,&lt;br /&gt;Com um sol igualmente odioso,&lt;br /&gt;Mas que,&lt;br /&gt;Não será dividido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não coleciono fragmentos ou partículas,&lt;br /&gt;Não arrecado,&lt;br /&gt;Do chão,&lt;br /&gt;Pequenas pedras amontoadas.&lt;br /&gt;Não almejo ponte ou oceano,&lt;br /&gt;Não sonho amizades,&lt;br /&gt;Nem falo pronúncias.&lt;br /&gt;Tudo em mim é calmaria&lt;br /&gt;Fumarenta ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que, de mim,&lt;br /&gt;Guardem todos os conselhos,&lt;br /&gt;Que tomem as veias sobre as quais lhes falei&lt;br /&gt;E vão&lt;br /&gt;De volta ao começo que termina,&lt;br /&gt;Falar de buddhas e de Deus (único que há)&lt;br /&gt;Que tome o músculo cardíaco nas mãos e&lt;br /&gt;Leve-o,&lt;br /&gt;Ouvindo ao fundo,&lt;br /&gt;Sempre ouvindo ao fundo,&lt;br /&gt;A sonora benção&lt;br /&gt;Que entoa meu riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;2010&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-682654751257909527?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/682654751257909527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=682654751257909527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/682654751257909527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/682654751257909527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/11/poema-biografia-peito-e-abandono.html' title='Poema-biografia-peito-e-abandono'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2455965529731919613</id><published>2010-09-24T14:27:00.000-07:00</published><updated>2010-09-24T14:32:05.702-07:00</updated><title type='text'>Só aquele que já ouviu o som dos próprios cabelos queimando poderá compreender o que sinto</title><content type='html'>Para além de tudo que seja cinza,&lt;br /&gt;Fumaça e sal,&lt;br /&gt;Pedra e papel: palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além disso, antes disso&lt;br /&gt;Entre isso, sempre no centro vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oco,&lt;br /&gt;Oco tudo o que toco,&lt;br /&gt;Oco tudo que vejo,&lt;br /&gt;Conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas àqueles que já ouviram seus gritos,&lt;br /&gt;Apenas àqueles que já choraram esmagados,&lt;br /&gt;Por todo peso do mundo,&lt;br /&gt;Por tudo desmoronamento, queda, silêncio de si,&lt;br /&gt;Por todo olhar, todo tormento, angústia e rancor de amigo.&lt;br /&gt;Apenas àqueles que tocaram a pedra mais fria e souberam que não tocavam nada&lt;br /&gt;E que sabem que nunca tocaram nada&lt;br /&gt;E que sabem que nunca tocarão nada,&lt;br /&gt;Apenas a esses dedico este poema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este poema-abandono&lt;br /&gt;Este poema-deficiência deficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além de tudo que tenha um desejo,&lt;br /&gt;Para além de tudo que tenha qualquer coisa com um nome,&lt;br /&gt;Acima disso, abaixo disso, aos lados disso,&lt;br /&gt;Mas nunca isso,&lt;br /&gt;Não, jamais algo,&lt;br /&gt;Jamais, menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àquele que sabe pronunciar o silêncio,&lt;br /&gt;De braços abaixados e olhar veloz,&lt;br /&gt;De cabeça firme,&lt;br /&gt;Firme e sem direção&lt;br /&gt;Firme e nula,&lt;br /&gt;Apenas a este dedico o poema&lt;br /&gt;O poema-fome&lt;br /&gt;O poema-face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas se mantêm coisas.&lt;br /&gt;Nunca dizem e nunca dirão,&lt;br /&gt;Nunca tocam e nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às coisas cheias de poeira,&lt;br /&gt;Cheias de doenças guardadas,&lt;br /&gt;De palavras imundas,&lt;br /&gt;De ranço e rosnados,&lt;br /&gt;Deixo meus pertences mais preciosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esvazio a caixa-forte-peito.&lt;br /&gt;Despejo seu conteúdo sobre tudo,&lt;br /&gt;Para que suje a tudo, para que sangre em todos,&lt;br /&gt;Para que não toque a nada,&lt;br /&gt;Todos os amigos e seus risos e suas asperezas,&lt;br /&gt;Todos os amigos e suas dores e seus carmas,&lt;br /&gt;Todos os amigos, todos eles e mais que eles,&lt;br /&gt;Eles e o que eles são,&lt;br /&gt;Mas não o que eles foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrem-se as bocas e falam mil vozes saídas do escuro,&lt;br /&gt;Do dentro.&lt;br /&gt;Mas meu nome já não é legião,&lt;br /&gt;Visto que estou sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despejo do balde assim chamado corpo&lt;br /&gt;Litros e litros de mágoas,&lt;br /&gt;De todas as cores os líquidos,&lt;br /&gt;Com todos os odores do mundo,&lt;br /&gt;Para perfumar os cabelos,&lt;br /&gt;Manchar as roupas,&lt;br /&gt;Ornar as ruas com vapores,&lt;br /&gt;Para fazer fluir os rios do outro,&lt;br /&gt;Para atingir,&lt;br /&gt;Mas não para tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo, ainda, meus restos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da carne,&lt;br /&gt;Um Deus já tão falado,&lt;br /&gt;Um Deus cor de carne-viva,&lt;br /&gt;Um Deus e só sal&lt;br /&gt;E sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos sangues que sobrarem&lt;br /&gt;Deixo o que neles ficar preso,&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas folhas secas, pedaços de papel, sete pedras (que não mataram um gigante), pontas de cigarro, poeira, areia, o chão onde estiver, a terra por onde passar e todo pé que já pisou esta terra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Que fique por saber:&lt;br /&gt;Pisou e não tocou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos ossos deixo o que já está,&lt;br /&gt;Um resto de ódio brando e ancestral,&lt;br /&gt;Um paterno ódio amoroso,&lt;br /&gt;Que ele possa te tomar nos braços e te dar amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das unhas, dentes e cabelos&lt;br /&gt;Deixo tudo que estiver vivo neles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do falo e dos rins,&lt;br /&gt;Deixo tudo que eles nunca tocarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos joelhos e testículos,&lt;br /&gt;Cada pequena dor súbita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo o resto leve o que encontrar,&lt;br /&gt;O que desejar encontrar,&lt;br /&gt;O que puder,&lt;br /&gt;Preencha com gananciosa esperança todos os bolsos da roupa,&lt;br /&gt;Todos os recipientes que tiver levado junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao que sobrar,&lt;br /&gt;Se sobrar,&lt;br /&gt;Permita o que eu permito&lt;br /&gt;Que se abandone à intempérie de um sol&lt;br /&gt;Um sol que nunca me foi nada&lt;br /&gt;Que nunca me deu nada além de nada,&lt;br /&gt;Além da secura da rua&lt;br /&gt;Além da certeza clara, clara como tudo no seu meio-dia,&lt;br /&gt;Da impossibilidade,&lt;br /&gt;Do passado&lt;br /&gt;E do sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema que sobra&lt;br /&gt;Não guarde.&lt;br /&gt;Deixe aos que gritam e sabem&lt;br /&gt;Nunca ter tocado nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tito de Andréa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2455965529731919613?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2455965529731919613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2455965529731919613' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2455965529731919613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2455965529731919613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/09/so-aquele-que-ja-ouviu-o-som-dos.html' title='Só aquele que já ouviu o som dos próprios cabelos queimando poderá compreender o que sinto'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8725402283291910911</id><published>2010-09-03T19:16:00.000-07:00</published><updated>2010-09-03T19:18:07.677-07:00</updated><title type='text'>De todos os laços</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senhoras e senhores,&lt;br /&gt;Membros do Júri,&lt;br /&gt;Vocês, humanidade inteira,&lt;br /&gt;Cada um de todos,&lt;br /&gt;Todos que viram o pescoço quando há um grito,&lt;br /&gt;Cada um que tem quem lhe grite,&lt;br /&gt;Cada um que tem por quem gritar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acotovelem-se, pisem-se, amontoem-se,&lt;br /&gt;Retesem os músculos, tencionem as têmporas, ranjam os dentes,&lt;br /&gt;Ergam os punhos, batam os pés, fixem os olhos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venham arrastados, corridos, subidos em árvores,&lt;br /&gt;De todos os lados,&lt;br /&gt;Por todos os lados,&lt;br /&gt;Em toda parte,&lt;br /&gt;Venham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam:&lt;br /&gt;Todos os olhos, todos os olhos que puderem olhar, olhem, vejam, o que eu posso dizer, o devo eu dizer, diante de tal laço? E para mim, para mim, Santo Juiz, para mim o que são laços?&lt;br /&gt;A mim, o que dizem para mim todos os laços do mundo?&lt;br /&gt;Eu, eu que só falo de mim, só conheço a mim, só sinto a mim,&lt;br /&gt;Só a mim sofro e mato.&lt;br /&gt;Eu que, sistematicamente, rompi todos os laços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os elos&lt;br /&gt;Todos os elos, perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santo Juiz, do útero, Meu Juiz, do útero! A primeira corda, o primeiro laço, rompido, logo rompido, com os dentes, com uma tesoura, com as unhas, rompido, não importa como, repito; rompido.&lt;br /&gt;Rompido e enterrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas só toco no assunto por ser o primeiro de tantos. Tantos outros, tantos outros laços, não só físicos. Além da física. Muitos outros laços. Falo do primeiro, do da mãe, do início. Um marco. Apenas, isso, Pai Juiz. O primeiro e o último se encontrando, se vendo.&lt;br /&gt;O primeiro enterrado,&lt;br /&gt;O último pendendo.&lt;br /&gt;É como estar dentro de um círculo. Que começa debaixo da terra e termina sobre ela. Para voltar em seguida. Como fazem os círculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não cortei a primeira corda e não cortarei a última. Começo e fim. O círculo permanece. É uma pena? O pecado valeu a pena?&lt;br /&gt;Mas é mesmo preciso falar de pecados? Um homem precisa, pois, definir seus parâmetros, e chego ao ponto crucial do meu discurso, Senhor Juiz, um homem precisa definir seus sentimentos e precisa, antes de tudo, saber o que quer dizer quando o diz e, ainda mais, quando não o diz. Pois sempre se está a dizer. Estamos mergulhados até as narinas nesse esgoto fétido chamado linguagem. Afogados. Condenados, infinitamente condenados. Mas antes de tudo é preciso amar ao próximo, não é isso? Amar ao próximo? A grande lição? Amar ao próximo como a mim mesmo? Como se fosse a mim? A mim, Senhor Juiz? Logo a mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria, então, definitivamente necessário, a partir disso, definir quem sou, o que quero para mim, o que espero dos outros e o que posso oferecer a eles.&lt;br /&gt;Respondo:&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todas as perguntas, senhores membros da humanidade, do júri, Santo Juiz, a todas as perguntas que me foram feitas por todos os interrogatórios a que fui submetido, pois todo tipo de conversação, para mim, sempre foi algum tipo, mais ou menos agressivo, devo dizer, de interrogatório.&lt;br /&gt;Em todos eles disse pouco. Pouco quando disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca ofereci nada, nem pensei em tentar pegar de volta qualquer coisa que me tenham tomado. Os olhares, Senhor Juiz, cada um dos olhares, dei-os de graça. Não se tem isso todo dia. Senhores membros da humanidade, são-me testemunhas, nunca pedi nada de volta. Nada. Assim como dei, recebi. Nada.&lt;br /&gt;Não sei mais o que poderiam esperar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas me vejo hoje aqui. Diante do laço. Não que tenha sido trazido por capataz, Senhor Juiz, ou por mão hostil, ou braço forte. Não. Vim à força de minhas pernas à forca de meu laço.&lt;br /&gt;Último laço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rompi todos os laços até que encontrei, devolvido a mim, o último.&lt;br /&gt;Aquele que não romperei.&lt;br /&gt;Fim de círculo, fim de partida,&lt;br /&gt;Meu cordão umbilical com o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8725402283291910911?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8725402283291910911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8725402283291910911' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8725402283291910911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8725402283291910911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/09/de-todos-os-lacos.html' title='De todos os laços'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2890509072994960527</id><published>2010-07-13T18:19:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T18:22:01.708-07:00</updated><title type='text'>Selvagem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://weblogs.baltimoresun.com/entertainment/books/blog/Oscar%20Wilde.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 332px; height: 480px;" src="http://weblogs.baltimoresun.com/entertainment/books/blog/Oscar%20Wilde.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://lkthayer.files.wordpress.com/2010/01/oscar_wilde.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para não dizer que não falei das flores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2890509072994960527?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2890509072994960527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2890509072994960527' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2890509072994960527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2890509072994960527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/07/selvagem.html' title='Selvagem'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8758473329746913971</id><published>2010-06-10T16:52:00.000-07:00</published><updated>2010-06-10T16:53:06.143-07:00</updated><title type='text'>Cotidianas de VI a X</title><content type='html'>Cotidiana VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cláudio, cansado que era, deitou.&lt;br /&gt;Preferia não ter acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cotidiana VII&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fraturou duas pernas e uma costela. Não obstante veio-lhe a avó.&lt;br /&gt;- Viu o que eu disse? Brincar na janela dá nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cotidiana VIII&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jesus é o Senhor.&lt;br /&gt;Disse o enfermeiro ao paciente de alzheimer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cotidiana IX&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís estava feliz, até, quando saiu de casa. O problema foi o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cotidiana X&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os animais corriam feito loucos.&lt;br /&gt;João Da Cruz, porteiro do zoológico, morreu pisoteado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo por Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8758473329746913971?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8758473329746913971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8758473329746913971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8758473329746913971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8758473329746913971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/06/cotidianas-de-vi-x.html' title='Cotidianas de VI a X'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5618946542115193704</id><published>2010-06-06T15:26:00.000-07:00</published><updated>2010-06-06T15:35:00.503-07:00</updated><title type='text'>Pequenas narrativas Kafkianas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Os Amaldiçoadas&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;        a Franz Kafka&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daqui, onde estamos agora, jamais sairemos. Ficaremos todos aqui, para minguar e morrer à fome e à sede. Arranharemos paredes e rangeremos os dentes e esperaremos para que amanhã não estejamos mais vivos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*********************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O Opressor&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O encontrei pela primeira vez em uma parada de ônibus. Estava de pé, ao meu lado, me olhando. Entrou no mesmo ônibus que eu, sentou-se ao meu lado e me encarava. Desceu onde eu desci, entrou em minha casa, sem dizer uma palavra, sem um gesto, um toque. Parou ao lado de minha mesa e não parou de me olhar. Até hoje. Quando saio de casa ele me acompanha. Não se perde de mim. Só para de me ver por milissegundos quando pisca. Está sempre aqui. Sempre ao meu lado. Mesmo agora. Mesmo agora. Agora. E sempre estará.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*********************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A Visão&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levantei a cabeça e a vi. Falava algo que, a princípio, não entendia direito, mas depois notei que narrava minha vida. Logo atingiu aquele momento em que estava e adentrou meu futuro e foi adiante. Tentei prestar atenção, mas, logo entediado, adormeci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5618946542115193704?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5618946542115193704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5618946542115193704' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5618946542115193704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5618946542115193704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/06/pequenas-narrativas-kafkianas.html' title='Pequenas narrativas Kafkianas'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1070470370883245152</id><published>2010-05-18T19:30:00.000-07:00</published><updated>2010-05-18T19:36:37.690-07:00</updated><title type='text'>Des-</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escuta, escuta por favor. Tudo isso que eu te disse deve ser esquecido. Entende? Você entende? Eu estou aqui cheio de lágrimas e punhos pedindo. Esqueça. Escute. Só escute. Ouça. Não precisa entender. Não precisa lembrar de nada. Eu estou aqui. Agora aqui. Morto aqui e aqui eternamente vivo. Imutavelmente vivo. Não. Não afaste a mãos ou os pés. Deixa aqui a mão. Deixa aqui. Não falarei mais. Não falarei nada. Serei silêncio. Sim. Escute apenas o silêncio. O silêncio entre uma palavra e outra. O silêncio branco do papel. Entre uma letra e outra, silêncio. Silencio. Vazio e silêncio. Olha pra mim. Olhe para mim. Eu. Eu aqui cheio desse branco silêncio. Desse branco silêncio e de muitos outros. Silêncio de muitas palavras. Silêncio de rio cheio de chuva. Você já foi ao rio? Já viu o rio correndo? Já ouviu o grito de tudo? Tudo não grita, Mêandro. Não existe grito. Não existe voz. Só tato. O tato do toque no toque. Do ar arranhando os ouvidos e arando a terra de dentro. Dentro, Mêandro, é ainda mais tato. Tátil. Mas espere, espere e escute. Escute. Queime. Queime as minhas cartas, queime os poemas, queime todos os livros. Queime a mim. Nada gritará. Não gritarei mais que estalos. Rompimentos do fogo e de suas muitas outras coisas. O fogo não gritará. Escute. Só escute. Eu sou esse velho aqui. Esse velho. Babel toda babada. Velho babão, escroto. Confusão de sons. Gorgolejo de baleias bebendo. Ronronar de tigres. Não vá embora. Raiva? Raiva, Mêandro? Raiva é combustível, não precisamos mais disso. Não precisamos de combustível para movimentar os braços, Mêandro. Agora podemos cair em qualquer vala, mijar-nos todos, sujar tudo e ficar lá. Inanição. Desapego. Desapego? Menos que isso. Ainda menos depois. Cada vez menos. Apenas lacuna. Que o único ruído seja os dentes. Os dentes rangendo. Rangendo no fundo da vala. A língua? Que seja mastigada. Que seja devolvida. Engolida, cuspida em pedaços, em pequenos pedaços que não dirão nada. Não precisamos disso. Terra é a minha palavra. Terra é o meu silêncio. A vala cheia de terra. Cheia. Cheiíssima. Cheiíssima de mim. Mêandro, preciso só do seu esquecimento. Não é nada. Nada. Todo texto é pretexto. Todo texto é rascunho. Eu quero a sua rasura, seu borrão. Sua boca cheia de saliva? O que é saliva, Mêandro? O que é saliva para quem tem muito mais que isso? Que tenho a boca cheia e transbordante de muito mais que isso. Escute. Só escute. Queime tudo. Repito e esqueço. Queime todas as cidades. Mude de nome. Chame-se Nero. Chame-se Apolo. Chame-se Prometeu. O que é um nome no mundo, Mêandro? Queime tudo e espere pra ver ser algo grita. Olha pras coisas, Mêandro. Olha pra mim. Em chamas seria diferente? Ponha fogo nas florestas. Em chamas os desertos. Em chamas os mares. Em chamas as nuvens.  Centenas de cavalos inflamados, as palavras. Ateie fogo aos rebanhos dos homens. Nos homens. Suas casas. Crie asas e mude de nome. Chame-se Pegasus. Ícaro. Saia voando. Crie asas e abrace o sol. Em si? Escute. Escute, Mêandro. Só escute. Vá escutando e esquecendo. Esquecendo. Eu quero que você esqueça. O que eu quero de você é que você esqueça tudo. Papéis, sons e imagens. Fotografias. Tudo frio. Tudo frio no fundo do rio.  Escute. Só isso. Nem isso. Menos ainda. Veja. O que são as coisas. Toque seus nomes, Mêandro. Toque-os. Troque-os. Você cerra os punhos. Você cheio de raivas. Esqueça. Contra mim você aponte seus exércitos. Me espinhasse e me transcorra. Trespasse. Perpasse. Eu caminho. Eu estrada. Quando terminar o ódio me seja. Eu poeira. Eu restos. Me veja. Nem me importo. Sou isso. Esquecimento. Aqueça. Deite comigo. Me cuspa. Se eu choro aqui é porque dentro arde. Se soco a terra é só pelos sons. Nem me movo, nem falo nada. Nem morro. Nem mato. Minha tocha é meu nada. Nada não. Tudo em vão. Eu no vão do chão. Mas de ti eu não espero um mar de lobos, Mêandro. Só espero uma lua branca. Espero áspero. Superfície. Troque de nome. Se chame Dionísio. Se chame Qualquer. Se chame Outro. Afogue os soldados. Agora. Apague tudo. Se apegue a tudo e ateie fogo a si mesmo. Deus nem te ouve nem te vê. Sente. Nem isso. Menos que isso, Mêandro. Deus é combustível. Cristo em cruz. A César o que é. De deus só sei. Mêandro, não proclame com o vão da boca. Em vão. Cão. Não traga aqui o que aqui não pertence. Não temos temor. Não temos tempo. Trememos. Deus, Mêandro, é a minha ânsia e eu a vomito e ela passa. Passou. E eu quero de ti é que você esqueça. Desdigo tudo. Esqueça. Esqueça e veja. Aquiesça. Esqueça e seja. Sempre além. Nunca amém. Ame e que assim seja. Esqueça. Fogo e castelo. Palavra é oco e ocos estamos. Somos. Nos que somos, estamos. E dentro e ao redor é silêncio. Prometa e esqueça. Veja. O resto sou eu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1070470370883245152?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1070470370883245152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1070470370883245152' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1070470370883245152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1070470370883245152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/05/des.html' title='Des-'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1263787941378684290</id><published>2010-03-24T07:24:00.000-07:00</published><updated>2010-03-24T07:26:04.169-07:00</updated><title type='text'>O Resto se Chama Não</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso ser mais para afugentar fantasmas. É preciso ser mais para gritar a facilidade da morte como aqueles que nunca pensaram em morrer. Mas eu sei da distância entre a folha seca e o chão. Eu sei da música que a folha canta também quando é preciso estar desejoso de queda e distancia. De vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantamos eu e a folha.&lt;br /&gt;E não tocamos o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os homens que entoam mantras entoam mantras eu entôo o mantra da pedra.&lt;br /&gt;Como se ajoelham eu me ajoelho.&lt;br /&gt;Mas não entrelaçaremos as mãos nem choraremos juntos, pois é longa a jornada da lágrima e grande a distância entre o dedo e a pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rasgarei a tudo que não me toca, diz a pedra.&lt;br /&gt;Dizemos eu e a folha e a água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não sento à mesa dos homens que veneram um Deus chamado fora. Eu não furto da ovelha sua oferenda para si. E não roubo do pomar o fruto que ergueu, obelisco interior para adorar a todos os nomes que dançam dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não dançarei.&lt;br /&gt;Mas sim, como a árvore,&lt;br /&gt;Guardarei os nomes santos&lt;br /&gt;E indecifrarei o código da areia que muralha se projeta&lt;br /&gt;E antilerei a água que parede se afoga&lt;br /&gt;E desconhecerei&lt;br /&gt;Castelos montanha,&lt;br /&gt;Tribunas floresta&lt;br /&gt;E lua estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E riscarei com os dedos tudo que se chama Outro.&lt;br /&gt;Negarei com os olhos tudo que se chamar Além.&lt;br /&gt;Afastarei com o corpo todo tudo que chama Irmão.&lt;br /&gt;E, com tudo que restar, voltarei para dentro para renomear com sangue e repovoar sem medo e preencher com dádivas tudo que for dentro e espaço e força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então,&lt;br /&gt;Como fazem os montes,&lt;br /&gt;Manterei pulsante o coração-pedra-vivo e viverei para mim&lt;br /&gt;Adorando o inverso de Deus Fora Sempre e dizendo,&lt;br /&gt;Com a voz dos cânticos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1263787941378684290?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1263787941378684290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1263787941378684290' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1263787941378684290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1263787941378684290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/03/o-resto-se-chama-nao.html' title='O Resto se Chama Não'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-9220441125350722118</id><published>2010-02-05T06:53:00.000-08:00</published><updated>2010-02-05T06:54:53.996-08:00</updated><title type='text'>Suicídio</title><content type='html'>-Estou cansado de tudo,&lt;br /&gt;Disse o peixe&lt;br /&gt;E se deitou na rede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-9220441125350722118?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/9220441125350722118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=9220441125350722118' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/9220441125350722118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/9220441125350722118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/02/suicidio.html' title='Suicídio'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2728202223711768901</id><published>2010-01-09T09:58:00.001-08:00</published><updated>2010-01-09T10:08:01.751-08:00</updated><title type='text'>Poema-biografia-para-nunca</title><content type='html'>Há terra firme onde piso,&lt;br /&gt;Apesar da dureza da chuva&lt;br /&gt;E do firme olhar do elefante devorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há essa terra firme e intransponível&lt;br /&gt;Onde pás e unhas não penetram&lt;br /&gt;E homens são enganosamente acorrentados.&lt;br /&gt;Não há coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vão brotam azeitonas e leite&lt;br /&gt;Mel para poucos&lt;br /&gt;É preciso fumaça e ratos,&lt;br /&gt;É odor aprazível ao Senhor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em vão clamo seus nomes santos,&lt;br /&gt;E encontro apenas som e impacto dentro dos pactos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas essa terra firme e terrível&lt;br /&gt;Com cheiros guardados de gaveta&lt;br /&gt;- Fumaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Piso, além das nuvens e ossos rijos, essa terra seca e metálica&lt;br /&gt;Onde a sede e o sedento se humilham&lt;br /&gt;- Mais, eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou pedindo mais e dando nomes aos números impares&lt;br /&gt;Amontoando cadáveres significativos e não é hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é chegada a hora de alimentar lobos e de dar de comer às feras,&lt;br /&gt;Não é vindo o tempo cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi-me prometido mais além dessa dança da chuva que não danço e desses cantos em tempos de riso,&lt;br /&gt;Foi-me prometido mais além dessa firmeza e dessas paredes de sol,&lt;br /&gt;Foi-me prometido mais além do gosto de fumo e da vergonha de criança sem pai.&lt;br /&gt;Foi-me prometido mais além do azedume e da ausência abandonada e sempre imediatamente aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim prometeram algo além de um azul solitário e uma terra-fumaça firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo além de uma escrita de pontes e de cidades superpovoadas e chamados e quereres raramente mútuos.&lt;br /&gt;Algo além de um segredo declarado e uma bandeira-mácula para identificar o sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda além de um sangue baleado de ácido e carne.&lt;br /&gt;Um sangue ruim de um ancestral amaldiçoado,&lt;br /&gt;Um sangue menos, um sangue também, um sangue eu.&lt;br /&gt;Um sangue só.&lt;br /&gt;A mim foi prometido algo mais que uma missa-música-réquiem para os vivos.&lt;br /&gt;Algo mais forte que um caroço de montanha,&lt;br /&gt;Algo mais distante, mas não de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que...&lt;br /&gt;Sempre que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas caminho e lavro os vermes da terra com esporos de fungos verdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não é mais firme que eu a terra que piso com o corpo-fumaça que apraz ao Senhor.&lt;br /&gt;E afunda em mim a terra como se fosse eu a água.&lt;br /&gt;E penetra em mim o arado da lavoura&lt;br /&gt;E em mim, a quem tanto foi prometido; em mim são plantadas as sementes que não germinarão.&lt;br /&gt;Pois é densa e subnutrida a terra-eu que prometeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fria e caustica e há pedras ainda mais densas e frias e sangues carnosos baleados de ácido sorridente e cujo odor, às narinas do Senhor, é ainda mais aprazível e delas se compadece, pois, em Sua justiça, vê que são boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não em mim, o pedregoso conjunto de carne e sanguíneo de promessas por cumprir.&lt;br /&gt;Sempre à espera de algo além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do cardume que vence a correnteza da montanha para fecundar a lama.&lt;br /&gt;Além do girino transpondo a lama para ser sapo numa terra salgada,&lt;br /&gt;Além dos ursos canibais comendo seus filhos e irmãos através da fome,&lt;br /&gt;Além do homem lavrando a terra com sementes que não nascerão nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do monte e do morto e da lentidão e da desordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do sangue carnoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim foi prometido algo além de ir seguindo adiante (nem sempre) lavrando vermes, afogando a terra para afagar as pedras  que agradam, mais que eu, ao Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim foi prometido o destino de ter todas as promessas por cumprir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2728202223711768901?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2728202223711768901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2728202223711768901' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2728202223711768901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2728202223711768901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/01/poema-biografia-para-nunca.html' title='Poema-biografia-para-nunca'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2334890026437902610</id><published>2010-01-04T21:19:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T13:29:56.579-08:00</updated><title type='text'>Lamento</title><content type='html'>Sobre meu destino discutem deuses minúsculos&lt;br /&gt;Que de forma alguma merecem adoração&lt;br /&gt;Cumprem seus papéis e eu&lt;br /&gt;Cumpro o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza venho de uma longa linhagem de um povo antiquíssimo&lt;br /&gt;Daqueles que costumam habitar planícies&lt;br /&gt;E, acima de todas as outras coisas,&lt;br /&gt;Aprenderam a temer o lobo e a floresta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha pele, na parte de dentro,&lt;br /&gt;Está povoada de inscrições,&lt;br /&gt;Num alfabeto antigo e milenar&lt;br /&gt;Cujos sábios já estão cegos e de tato amofinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, no clã de que venho,&lt;br /&gt;Grande sentimento de derrota,&lt;br /&gt;Joelhos que pesam&lt;br /&gt;E mãos que se repuxam de anzóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumávamos, em tempos bons,&lt;br /&gt;Cobrir-nos de cinzas e danças para a chuva,&lt;br /&gt;Mas hoje eu,&lt;br /&gt;Apenas estou apto aos atos fúnebres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci sob os desígnios de um mau signo,&lt;br /&gt;Com luas proscritas a reger meu céu.&lt;br /&gt;Gritos na parte de fora dos ouvidos&lt;br /&gt;Chamados e dores tumulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da certeza da orfandade cativa,&lt;br /&gt;O sentimento de um pólo negativo no peito,&lt;br /&gt;De ser o próprio pai e avô&lt;br /&gt;Do próprio desespero de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo do fundo dos fundos,&lt;br /&gt;Que se é o próprio povo,&lt;br /&gt;Que em si começa e terminam as necessidades da tribo&lt;br /&gt;O clã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser-se só solidão&lt;br /&gt;E viver sendo o próprio útero&lt;br /&gt;Carregando&lt;br /&gt;A luz do próprio aborto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2334890026437902610?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2334890026437902610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2334890026437902610' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2334890026437902610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2334890026437902610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2010/01/lamento.html' title='Lamento'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8780406044045862639</id><published>2009-11-28T10:07:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T17:06:30.739-08:00</updated><title type='text'>L'Áfrique</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;a Rimbaud&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"Wild child&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Full of grace&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Savior of&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Human race"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Morrison&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;De que te serviriam as noventa e oito mazelas na língua materna,&lt;br /&gt;Se de tudo no fim não pudesse resgatar um lapso maligno numa redoma perolada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no final, mesmo que entre elefantes, o impossível não se descortinasse,&lt;br /&gt;Se a pele não fosse transposta em transparência,&lt;br /&gt;Se, à luz da vela, não sorrisse o negativo que atrai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do inferno imortal das coisas,&lt;br /&gt;Da irmandade infantil entre nós,&lt;br /&gt;Dos sorrisos ferinos, das rasuras musculares, das fibras dos cabelos,&lt;br /&gt;Se de tudo que fosse imortal e inacessível não pudéssemos arrancar um fio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se de cada maré-morte não se retirasse um nado-sorriso,&lt;br /&gt;Se da dor e do grito não restasse um todo-tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que serviriam a nós as garras e os gigantes?&lt;br /&gt;Os pés sujos a restaurar a enfermidade,&lt;br /&gt;De que nos serviriam os amores e os cristos nus em cruz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desce novamente e se ausenta.&lt;br /&gt;Ao inferno mais baixo que o mar,&lt;br /&gt;Às impronúncias mais caladas que o sol,&lt;br /&gt;Mais brancas que o deserto,&lt;br /&gt;Mais negras e renegadas que a tua amada África escondida e secreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desce novamente e bebe o verde e o azul e o amarelo e o negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não nos serviria de nada um nome sublime e um tato amargo,&lt;br /&gt;Se de tudo, no fim, mesmo que entre os pássaros, não pudéssemos reconhecer Grandeza e Amplitude em cada pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos serviria de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que nos valeria, então, a morte?&lt;br /&gt;De que nos valeria diante da magnificência perdulária dos astros e dos dias no Deserto-Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos, eu e tu,&lt;br /&gt;Irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8780406044045862639?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8780406044045862639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8780406044045862639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8780406044045862639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8780406044045862639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/11/lafrique.html' title='L&apos;Áfrique'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-7639396650669596175</id><published>2009-11-25T17:33:00.000-08:00</published><updated>2009-11-25T17:34:04.655-08:00</updated><title type='text'>Cotidiana V</title><content type='html'>Mário andava apressado quando viu um cachorro atropelado e virou poeta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-7639396650669596175?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/7639396650669596175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=7639396650669596175' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/7639396650669596175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/7639396650669596175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/11/cotidiana-v.html' title='Cotidiana V'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-6869214098106202063</id><published>2009-11-17T14:31:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T17:10:29.575-08:00</updated><title type='text'>Salina</title><content type='html'>À luz do que não existe&lt;br /&gt;Estou cansado e escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro exaltar de alguma forma o nada que se entorna&lt;br /&gt;O branco que se esbalda&lt;br /&gt;O vazio que se desanda&lt;br /&gt;Com gosto de queimado e cheiro de solar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro o mar do sabor no rio do peito&lt;br /&gt;Nos cantos da sereia que se esvazia&lt;br /&gt;Nos prantos&lt;br /&gt;Nos pratos&lt;br /&gt;Nos ratos&lt;br /&gt;No tato&lt;br /&gt;No ato&lt;br /&gt;No tu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre nu&lt;br /&gt;Sempre&lt;br /&gt;Sem&lt;br /&gt;Pé&lt;br /&gt;Nem&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À luz do que não chora&lt;br /&gt;Do que não chove&lt;br /&gt;Do que não move&lt;br /&gt;Nem morre&lt;br /&gt;Nem sorve&lt;br /&gt;Nem quente&lt;br /&gt;Nem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sento e escrevo&lt;br /&gt;E escuto&lt;br /&gt;E anulo&lt;br /&gt;E anfíbio me afogo num deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ar demais, Senhor!&lt;br /&gt;Ar demais, Senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu-me pulmões semáforo&lt;br /&gt;Deu-me árvores fuligem&lt;br /&gt;Deu-me nadas repletos de sol&lt;br /&gt;Deu-me coisas demais, Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não sou capaz, Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não olhe para mim que não posso retribuir&lt;br /&gt;Que já cansei dizer que não transformo em ouro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem pano&lt;br /&gt;Pranto&lt;br /&gt;Pra quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ser&lt;br /&gt;Só&lt;br /&gt;Sol&lt;br /&gt;Salino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ver&lt;br /&gt;Vir e ir&lt;br /&gt;Sentir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ar demais, Senhor&lt;br /&gt;Os peixes se destroem, Senhor&lt;br /&gt;O pão abolorece na barriga, Senhor&lt;br /&gt;O vinho se vomita, Senhor&lt;br /&gt;Tem eu demais em mim, Senhor&lt;br /&gt;Tem eu demais em tudo, Senhor&lt;br /&gt;Tem tudo demais em mim, Senhor&lt;br /&gt;Será que não há resto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeito?&lt;br /&gt;Senso?&lt;br /&gt;Ridículo?&lt;br /&gt;Problema?&lt;br /&gt;Família?&lt;br /&gt;Fonema?&lt;br /&gt;Lingua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão os que disseram que seria agora?&lt;br /&gt;Onde estão os que anunciaram...&lt;br /&gt;Onde está, Senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sol e sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje me apareceu em forma de dor uma vida inteira e enviei para dentro de uma caravana um pesadelo onde o amor morria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pacote lacrado cheio de fezes e pedaços de mim.&lt;br /&gt;Um poema cheio de leite.&lt;br /&gt;Baldes e baldes de brancura sem gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre os olhos,&lt;br /&gt;Contempla o templo&lt;br /&gt;O ar que anseia&lt;br /&gt;O asno que anseia&lt;br /&gt;O anus que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que&lt;br /&gt;Sobra&lt;br /&gt;É&lt;br /&gt;Demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sal e solidão&lt;br /&gt;Me amem também,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amém&lt;br /&gt;(como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parentese aberto e reticencia sem fim eu vou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6869214098106202063?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6869214098106202063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6869214098106202063' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6869214098106202063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6869214098106202063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/11/luz-do-que-nao-existe-estou-cansado-e.html' title='Salina'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4970066255864306978</id><published>2009-10-13T16:43:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T16:54:15.290-07:00</updated><title type='text'>Sem título ou poema-biografia-beco-sem-saída</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cidade onde moro é como um travesti de fartos e duros peitos, com ancas de cavalo e bunda lisa mostrada por um short cor-de-rosa-desbotado. É um travesti com bijouterias enegrecidas e sapatos de salto alto de detalhes dourados que anda impávido e soberano pelas ruas. Seu rosto de homem forte com barba de três dias por fazer esconde uma boca suja sem dentes. Ele te arrasta para uma rua podre com gatos empoeirados de olhos vidrados e te ameaça com uma navalha enquanto exibe as gengivas úmidas e desagradáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade é esse amontoado enganador cheio de ocos, como marcas de espinhas a muito já espremidas que deixam sua cicatriz. Esse oco fibromatoso cheio de medo, a cidade onde moro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse ranger de dentes de engrenagem, esse ruído solitário do ônibus cheio de morte, essa vadiagem das ruas vazias e escuras com amarelo de sobra para exibir nos olhos. Um cheiro de sofá velho, cama de sexo para mendigos viciados. Um cheiro de fome mal dormida e um extremo qualquer coisa que se perde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse travesti sem dentes que exibe um rijo falo depilado e sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um homem sentado no meio do nada morrendo de sede e pensando em diamantes telepáticos. Um delírio de saciado. Uma dor nos lados da cabeça que faz você pensar que tem uma doença grave acontecendo dentro. Sempre dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se empurra garganta abaixo. Garganta a dentro. Corpo afora. Preenche com dores e casebres mofados. Engorda sua ansia com cães leprosos. Sacia sua sede com raiva de ratos. Importuna seu peito com cacos de vidro. Entope suas veias com notas velhas e moedas para os pobres. Entulha tudo com lixo. E ri toda, a maldita, a travesti engordurada e sem dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os prédios riem-se quando se passa diante deles. Os prédios prontos para morder. Prontos. Com escárnio colorido e manchado de água e mijo de animais desdomésticos. Os prédios gargantas abertas e degoladas. Os prédios sutura. Os prédios riem-se todos quando se passa diante deles e se pode sentir. Eu sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pode-se andar de dia e quase mastiga o cinza. E pode-se tocar o cinza. E se é cinza. E se é um travesti de ancas duras e saliva rubra.&lt;br /&gt;Que se pode fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A cidade onde morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um mausóleu com nome de Senhor Deputado Fulano. Com pontes que não vão a lugar nenhum. A cidade é dois milhões quatrocentos e setenta e três mil seiscentos e quatorze pontes que não ligam nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois milhões quatrocentos e setenta e três mil seiscentos e quatorze mausóleus com o interior morto e podre. Dois milhões quatrocentos e setenta e três mil seiscentos e quatorze travestis doloridos e enluarados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua da cidade onde eu moro. Sorri. Tudo sorri para mim quando passo e tudo me mata porque em todos há uma guilhotina sorridente. Na horta de todos está o repolho podre pronto para atirar ao criminoso. No dedo de todos está a marca para manchar o companheiro. No estômago está a fome que consumirá o amado. Na pele está o ranço que enojará o próximo. Nos olhos está o vermelho amarelado que ao outro causará arrepio. No cinza está as cinzas do amigo. E tudo se completa enquanto se comprime e ri a maldita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo se mastiga. Eu me mastigo. O travesti que risca o chão, a parede e o rosto de todos com a mesma facilidade se mastiga. O idiota que ri se mastiga. O ônibus lotado que ameaça virar a toda esquina se mastiga. E nos engolimos. E um engole o outro e um digere o outro e tudo se bostifica. E tudo morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo morre.&lt;br /&gt;E tudo morre.&lt;br /&gt;E tudo morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lar é onde o coração está:&lt;br /&gt;Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-4970066255864306978?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/4970066255864306978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=4970066255864306978' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4970066255864306978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4970066255864306978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/10/sem-titulo-ou-poema-biografia-beco-sem.html' title='Sem título ou poema-biografia-beco-sem-saída'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8503474072523639394</id><published>2009-10-08T05:27:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T05:32:28.893-07:00</updated><title type='text'>Cotidiana IV</title><content type='html'>Luís Henrique levantou-se às 20:43 da poltrona de seu apartamento, caminhou até a janela, olhou para a rua e descobriu que estava feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8503474072523639394?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8503474072523639394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8503474072523639394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8503474072523639394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8503474072523639394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/10/cotidiana-iv.html' title='Cotidiana IV'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8528170479922582830</id><published>2009-10-08T05:25:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T05:26:10.392-07:00</updated><title type='text'>Cotidiana III</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Armando desligou o telefone após dizer a Maria Lúcia que nunca mais ela o veria novamente se era isso que ela desejava. Após andar aleatoriamente pela casa por quinze minutos, Armando tomou um veneno de ação lenta e – por não ter um carro – foi tomar um ônibus com o intuito de morrer na porta de Maria Lúcia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apanhou o ônibus errado. Morreu às 15:53 no Terminal da Parangaba. Seus familiares reconheceram e recolheram o corpo que foi enterrado no dia seguinte às 16:42.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Lúcia não ficou sabendo da morte, e – feliz - achou que Armando estivesse cumprindo sua promessa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8528170479922582830?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8528170479922582830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8528170479922582830' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8528170479922582830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8528170479922582830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/10/cotidiana-iii.html' title='Cotidiana III'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-3843401298335500525</id><published>2009-10-04T16:36:00.000-07:00</published><updated>2009-10-04T17:10:35.568-07:00</updated><title type='text'>Cotidiana II</title><content type='html'>Eulália tinha 76 quando morreu no caixa rápido do Banco do Brasil às 14:47 de uma terça-feira diante da única máquina funcionava naquele shopping. Logo uma fila imensa se formou. Durante as quatro horas que levaram até alguém notar que Eulália estava morta uma quantidade imensa de palavrões foi proferida, o que não mudou nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-3843401298335500525?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/3843401298335500525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=3843401298335500525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3843401298335500525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3843401298335500525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/10/cotidiana-ii.html' title='Cotidiana II'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1929253444210409403</id><published>2009-10-02T15:28:00.000-07:00</published><updated>2009-10-02T15:31:11.064-07:00</updated><title type='text'>Cotidiana I</title><content type='html'>Teobaldo sempre quis andar nas primeiras cadeiras do ônibus, as altas destinadas a idosos, gestantes e deficientes. Quando criança sua mãe o proibia por não se encaixar na descrição e Teobaldo nunca se sentiu confortável nas cadeiras preferenciais.&lt;br /&gt;Passou toda a vida esperando envelhecer para ter direito a sentar-se nelas. Completou 65 anos e no dia de seu aniversário foi tomar um ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou pela frente e ninguém lhe cedeu o lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1929253444210409403?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1929253444210409403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1929253444210409403' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1929253444210409403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1929253444210409403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/10/cotidiana-i.html' title='Cotidiana I'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-580037172938426473</id><published>2009-09-19T17:56:00.000-07:00</published><updated>2009-09-19T17:58:29.632-07:00</updated><title type='text'>Poda</title><content type='html'>É melhor, antes de tudo, assassinar o peito-pomar que florece.&lt;br /&gt;Podar os galhos-membros que não mais poderão arranhar a janela.&lt;br /&gt;Queimar - em uma fornalha aberta - as folhas que caem e apodrecem deixando marcas no concreto,&lt;br /&gt;Queimá-las todas e deixar que a fumaça negra negue às nuvens e ao céu seu aroma delicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrancar as raízes do resto da planta e salgar a terra,&lt;br /&gt;para que nunca mais volte a crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-580037172938426473?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/580037172938426473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=580037172938426473' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/580037172938426473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/580037172938426473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/09/poda.html' title='Poda'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8417437295689755443</id><published>2009-09-08T15:36:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T15:37:59.940-07:00</updated><title type='text'>Nem todos os pensamentos podem ser escritos (ou Poema-biografia-madrugada-agora-ou-nunca)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a Liana Borges,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;com todo amor de uma noite inteira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos os sonhos são felinos negros.&lt;br /&gt;Nem todos os sonhos são sonhados de olhos amarelos voltados para dentro,&lt;br /&gt;Testemunhas sorridentes dos crimes internos&lt;br /&gt;Levitações de um Leviatã que assobia no vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos os sonhos rangem portas, apartam medos, separam pernas,&lt;br /&gt;Fumaças amarelas, torres elefantes, orgasmo retorcido...&lt;br /&gt;Nem todos os sonhos mancham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo que é Deus ressuscita no Domingo,&lt;br /&gt;Algumas partes abandonadas abundam às sextas-feira,&lt;br /&gt;Nem toda tosse é escárnio escarrado,&lt;br /&gt;Alguma coisa sempre se prende no caminho,&lt;br /&gt;Resta a palavra entupida no filtro,&lt;br /&gt;Resta o choro que coagula no fonema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos os sonhos são pontes de si,&lt;br /&gt;Nem todo outro é a ilha que se parte,&lt;br /&gt;Sobram esfinges que se devoram por falta de espelhos,&lt;br /&gt;Sobramos em ácidos e em rasgo risonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem toda noite é veludo negro,&lt;br /&gt;Há aquelas de vermelho e amarelo,&lt;br /&gt;Há aquelas ruivas noites de despertar em prantos e rasura,&lt;br /&gt;Há aquelas de amar e morrer entre a unha e o dente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos os sonhos são poemas velados,&lt;br /&gt;Nem todos os gatos são sorrisos tristonhos,&lt;br /&gt;Nem toda gangrena encerra-se no peito,&lt;br /&gt;O plexo solar que anoitece&lt;br /&gt;Ardendo-se todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo que mata nega a vida,&lt;br /&gt;Resta em medo sal da carne,&lt;br /&gt;E rima-se mal com desespero,&lt;br /&gt;Como sangue pobre amarelando a saliva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos os sonhos são repetições do desamparo,&lt;br /&gt;Nem todo pecado é uma nódoa,&lt;br /&gt;Nem toda palavra é um universo,&lt;br /&gt;Há o múltiplo desconexo descompasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todo coração é um inverno,&lt;br /&gt;Nem todo amor é um corte fundo,&lt;br /&gt;Há os que queimam e mordem,&lt;br /&gt;Há os que partem os ossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos os sonhos são tinta,&lt;br /&gt;Nem todo papel é um abismo,&lt;br /&gt;Nem todo descaso é uma flecha,&lt;br /&gt;Nem todo alvo é um massacre,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos os gritos são retratos,&lt;br /&gt;Nem tudo que mente salva a vida,&lt;br /&gt;Há os rotos, mortos, desgraçados,&lt;br /&gt;Há os poucos que compreendem os infernos são os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem toda lágrima é uma forca desarmada,&lt;br /&gt;Nem toda carne é a causa,&lt;br /&gt;Nem todos os sonhos são verdade,&lt;br /&gt;Nervo resistente da estrutura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todo sol desmente a noite,&lt;br /&gt;Nem toda estrela enegrece a vista,&lt;br /&gt;Nem toda dor é o pulso que se cansa,&lt;br /&gt;Nem toda terra se treme de agonia,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há a pedra que se dobra de desejo,&lt;br /&gt;Há o pássaro que não morre no concreto,&lt;br /&gt;Nem todo sonho é o veneno que lacera,&lt;br /&gt;Nem todo sonho é o veneno que lacera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todo monstro brinca de habitar cama,&lt;br /&gt;Nem todo sangue é vaidade esvaída,&lt;br /&gt;Nem toda chaga é a luz que se carrega,&lt;br /&gt;Nem há cegueira que se ferva iluminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todo poema é uma ponte arruinada,&lt;br /&gt;Nem tudo que seiva é saliva vegetal,&lt;br /&gt;Nem todo sonho é uma máquina,&lt;br /&gt;Nem todo sonho trinca os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem toda sorte teme escadas,&lt;br /&gt;Nem todo corte espalha a dor,&lt;br /&gt;Há os poucos que ficam em espera,&lt;br /&gt;Suspensos, pairando, sem força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todo pedestal é a afirmativa que restava,&lt;br /&gt;Nem todo dente parte a corda,&lt;br /&gt;Há os que aprenderam a amarga liberdade,&lt;br /&gt;Abandonados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todo sonho é uma farsa que se compra,&lt;br /&gt;Nem todo sonho é esse lamaçal,&lt;br /&gt;Nem todo gesto é um veneno que queima,&lt;br /&gt;Há os desejosos,&lt;br /&gt;Há os poucos que sabem do fundo de si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sonhos que se sonham só não pedem para si realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8417437295689755443?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8417437295689755443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8417437295689755443' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8417437295689755443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8417437295689755443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/09/nem-todos-os-pensamentos-podem-ser.html' title='Nem todos os pensamentos podem ser escritos (ou Poema-biografia-madrugada-agora-ou-nunca)'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5172787813286487722</id><published>2009-08-29T08:26:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T08:29:10.927-07:00</updated><title type='text'>Canção de Amargo</title><content type='html'>É das falhas harmoniosas que eu vivo,&lt;br /&gt;De tudo a que dedicamos atenção,&lt;br /&gt;De todas as horas esburacadas por traças como um vestido de virgem guardado em uma velha arca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as memórias renegadas,&lt;br /&gt;Uma árvore em ruínas,&lt;br /&gt;Um Deus roto,&lt;br /&gt;As cartas dos Leprosos aos seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É em entoar a definitiva canção -&lt;br /&gt;A definitiva canção que louvará  cortes e demolições&lt;br /&gt;A definitiva canção entediada e repetitiva&lt;br /&gt;A música dos esquecidos à voz do que não quer -&lt;br /&gt;É em entoá-la que eu falho,&lt;br /&gt;É na miséria de colher dos pomares de dentro que eu me encerro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu. Guardião atento de um tesouro já gasto,&lt;br /&gt;Vigia amoroso de um senhor que nunca está,&lt;br /&gt;Templo vazio para tudo que desespera,&lt;br /&gt;Porta destrancada para o lado de fora,&lt;br /&gt;Cigana doente e pálida dos tremores e das inquietações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu falho miseravelmente e repetidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, resto maligno de um tumor que já sarou,&lt;br /&gt;Cicatriz testemunha acusativa,&lt;br /&gt;Óleo espargido para unção dos malditos,&lt;br /&gt;Eu, marca de pecado nas roupas íntimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crime impensado e desistência na hora da precisão&lt;br /&gt;Todo medo, tédio e rancor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, vítima carpideira de um nome enterrado fundo na pele,&lt;br /&gt;Linha sempre tesa, ombros sempre rijos,&lt;br /&gt;Corda preparada e esperando,&lt;br /&gt;Forca sorridente para os livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa tombada e moradia de tudo que é margem,&lt;br /&gt;Sorriso armado e pronto sempre,&lt;br /&gt;Rachaduras que tomam o sono do construtor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é em criar uma quebra que desmorone tudo que eu me empenho.&lt;br /&gt;É nela que eu lanço minhas mãos fracas e doloridas,&lt;br /&gt;É nela que eu me debato e abandono os futuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;        - Pois só vivo do que posso imaginar.&lt;br /&gt;                     E na minha cabeça enterrei dezenas de porcos possuídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5172787813286487722?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5172787813286487722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5172787813286487722' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5172787813286487722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5172787813286487722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/08/cancao-de-amargo.html' title='Canção de Amargo'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4429062268310421540</id><published>2009-08-15T06:32:00.001-07:00</published><updated>2009-08-15T06:32:37.664-07:00</updated><title type='text'>Colagem III</title><content type='html'>Os melhores roteiros de viagem: Serra Gaúcha, Minas histórica, Bonito, praia de Pipa, Salvador, Costa do Sauipe, Morro de São Paulo, Cruzeiros pelo Caribe. 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Resta uma caverna desconhecida e habitada por inimigos inomináveis. Serpentes sulfurosas e fungos poeirentos. Fósseis de medos anteriores à consciência se revelam após a seca do oceano sem vida que se esgotou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento-me olhando o escuro das pálpebras.&lt;br /&gt;Sento-me sentindo a indignidade de não ter parte com frutas e homens.&lt;br /&gt;Sento-me e encaro a oca vastidão de peito murcho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou-me agora uma fruta seca e de caroços infecundos.&lt;br /&gt;Sou-me agora pedaço de terra sem nutrientes ao redor de uma longa planície verde e fértil.&lt;br /&gt;Sinto-me uma palavra estrangeira nas bocas de um povo sem oclusivas.&lt;br /&gt;Sou-me agora e era-me em outros momentos, refúgio de tudo que teme a luz e o dia, caverna santa para os morcegos dos olhos e para os insetos da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou templo nato do aborto forçado e do parto sangrento.&lt;br /&gt;Sou hora vã e frase abrupta.&lt;br /&gt;Sou restos pouco bem vindos e poemas desnecessários.&lt;br /&gt;Sou maldição e ofensa à família.&lt;br /&gt;Sou pesadelo vil para o cansado e faminto.&lt;br /&gt;Sou a pestilência das promessas que fizeram antes de nascermos.&lt;br /&gt;Sou todo pescoço virado e retorcido de dor que não atura posições cômodas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiro os sapatos a guisa de molhar os pés e adentro a caverna. Como se o sol se envergonhasse de estar nu e fosse expulso de seu paraíso celeste, anoiteço.&lt;br /&gt;Como se carvão azedo tivesse talhado o céu de minha boca, anoiteço.&lt;br /&gt;Como se mil cavalos estourados pisoteassem meu corpo e esmigalhassem minhas carnes, restando aos urubus e cães vadios os restos nervosos de meus membros, anoiteço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sou o condenado que experimenta o conforto de sua cadeira final antes do dia narcado,&lt;br /&gt;Sou a queda - sem um propósito maior - de um pássaro cansado que morreu em pleno vôo.&lt;br /&gt;Sou o ato vergonhoso e levantar as mãos conta o semelhante.&lt;br /&gt;Sou o ranço envergonhado e ajoelhado numa caverna sem nomes.&lt;br /&gt;Sou a mácula sangrenta no rosto.&lt;br /&gt;A letra vermelha marcada no sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo e limpo os coágulos dos cabelos.&lt;br /&gt;Retiro de mim deuses e diabos e nomes e marcas.&lt;br /&gt;Assumo a prisão e dou-me voz de vencido.&lt;br /&gt;Verme rutilante e vaidoso.&lt;br /&gt;Parasita escarlatino e mal intencionado.&lt;br /&gt;Infecção nervosa e multicolorida.&lt;br /&gt;Sempre residual, sempre fragmentado, sempre mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exorcizo o sono mascarado por olhos vivos e nariz afrontoso, quero conflitos maiores que eu, quero explosões cheias de som, quero vítimas violentadas pelos detritos e quero gritos e rios nas grutas da alma esvaída.&lt;br /&gt;Quero a solidão indócil das horas não dormidas.&lt;br /&gt;Quero a conquista dos exércitos derrotados.&lt;br /&gt;Quero a coroa decapitada dos reis e quero as cicatrizes dos escravos.&lt;br /&gt;Quero a queda e a quebra dos cofres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve-me quem puder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-191597361841698679?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/191597361841698679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=191597361841698679' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/191597361841698679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/191597361841698679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/08/confissao.html' title='Confissão'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1737503905997718821</id><published>2009-08-05T16:58:00.001-07:00</published><updated>2009-08-05T16:59:13.727-07:00</updated><title type='text'>Espelho</title><content type='html'>Entre o levantar a mão ao semelhante e o dobrar de joelhos em perdão implorado e pleno de desespero está o resto. Nada mais importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1737503905997718821?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1737503905997718821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1737503905997718821' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1737503905997718821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1737503905997718821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/08/espelho.html' title='Espelho'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5835563841405633326</id><published>2009-08-03T16:32:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T16:40:08.143-07:00</updated><title type='text'>Colagem II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_PrWsIKOCeSU/Snd1KcCUv_I/AAAAAAAAAA4/B23Jks4S-0s/s1600-h/digitalizar0004.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 274px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PrWsIKOCeSU/Snd1KcCUv_I/AAAAAAAAAA4/B23Jks4S-0s/s320/digitalizar0004.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365886303220318194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tito de Andréa e Liana Borges&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5835563841405633326?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5835563841405633326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5835563841405633326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5835563841405633326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5835563841405633326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/08/colagem-ii.html' title='Colagem II'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PrWsIKOCeSU/Snd1KcCUv_I/AAAAAAAAAA4/B23Jks4S-0s/s72-c/digitalizar0004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-740344724485797574</id><published>2009-08-02T18:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-02T18:59:47.916-07:00</updated><title type='text'>Colagem I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_PrWsIKOCeSU/SnZEfKyXQhI/AAAAAAAAAAw/U2T-1_t13nY/s1600-h/digitalizar0004.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 394px; height: 367px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PrWsIKOCeSU/SnZEfKyXQhI/AAAAAAAAAAw/U2T-1_t13nY/s320/digitalizar0004.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365551308320752146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa e Liana Borges&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-740344724485797574?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/740344724485797574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=740344724485797574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/740344724485797574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/740344724485797574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/08/colagem-i.html' title='Colagem I'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PrWsIKOCeSU/SnZEfKyXQhI/AAAAAAAAAAw/U2T-1_t13nY/s72-c/digitalizar0004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-9042214208355520273</id><published>2009-07-05T13:44:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T13:45:30.121-07:00</updated><title type='text'>Testamento</title><content type='html'>Medo, meu filho, medo.&lt;br /&gt;Será esse teu legado e tua herança.&lt;br /&gt;Essas pedras amarradas ao teu pé direito,&lt;br /&gt;Essas dores nos pulsos...&lt;br /&gt;Essa angustia gangrenada debaixo da língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo.&lt;br /&gt;Medo é o que foi separado para o teu nome.&lt;br /&gt;É o que corre escuro pelas tuas veias e sussurra por entre as folhas.&lt;br /&gt;Pura náusea será.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse coração-estômago ofendido&lt;br /&gt;Essa ulcera cancerosa nas tuas fugas,&lt;br /&gt;Esse bolor na vista,&lt;br /&gt;Pura ânsia de vômito...&lt;br /&gt;Pura ânsia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa chuva que não cai&lt;br /&gt;E promete nova tormenta para tuas manhãs.&lt;br /&gt;Essa chuva anunciada e dançada e esquecida.&lt;br /&gt;Conviveremos com o céu e sua ameaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo, meu filho.&lt;br /&gt;Medo serão tuas pontes elevadiças, teus fossos de esgoto, teus castelos ocos.&lt;br /&gt;Esse toque que não toca.&lt;br /&gt;E essa faca cega que te finge suicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus olhos nervosos onde te levarão?&lt;br /&gt;Teus ódios insolúveis em água,&lt;br /&gt;Teus ácidos,&lt;br /&gt;Carnes,&lt;br /&gt;Fatalidades...&lt;br /&gt;Teus fins...&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Teu medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-9042214208355520273?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/9042214208355520273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=9042214208355520273' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/9042214208355520273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/9042214208355520273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/07/testamento.html' title='Testamento'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1178277434699455289</id><published>2009-06-29T05:50:00.001-07:00</published><updated>2009-06-29T05:52:56.762-07:00</updated><title type='text'>Dentes Siameses</title><content type='html'>Cessa, não há mais palavras&lt;br /&gt;Não, não palavras agora que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;È um fluir complexo daquilo que jamais chegou a ser&lt;br /&gt;Feto natimorto da vontade, meu amor, feto do desejo corrompido, morto, retraído e desemparado do desejo. Não mais haverá coito de coiote.&lt;br /&gt;Mas não chega a ser pecado isso que fazemos, isso só beira a dor, mas é muito pouco.&lt;br /&gt;E o muito nem sempre nos bastará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa e Liana Borges&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1178277434699455289?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1178277434699455289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1178277434699455289' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1178277434699455289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1178277434699455289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/06/dentes-siameses.html' title='Dentes Siameses'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-422990052528827278</id><published>2009-05-25T16:06:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T07:47:44.012-07:00</updated><title type='text'>Das Mortes de Toda Hora</title><content type='html'>Estendi, por paragens e por rotas de ônibus e carros e ratos e gentes, toda minha amplidão de olhares estomacais e arcaicos.&lt;br /&gt;Estendi por tudo que passei uma armadilha sulfurosa e onde ficaremos presos.&lt;br /&gt;De todas as horas em que morremos,&lt;br /&gt;De todos os olhares cheios de lágrimas,&lt;br /&gt;De todos os engasgos, soluços, tosses, e pigarros,&lt;br /&gt;Por tudo que é mais sagrado e maculável,&lt;br /&gt;Por todas as santas, igrejas e cruzes,&lt;br /&gt;Em nome de tudo que perdoa e corrói e impede,&lt;br /&gt;Por tudo que ama e odeia e sabe cuspir verde sobre os ombros,&lt;br /&gt;Por tudo que canta à noite e uiva e anoitece a vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas angustias magoadas em palavras veladas,&lt;br /&gt;As frases pela metade,&lt;br /&gt;As crianças cruas, cancerosas, terminais e sorridentes,&lt;br /&gt;Pelas manchas na roupa, marca de esperma, sangue virginal, saliva de puta,&lt;br /&gt;Pelos tortos caminhos do centro-da-cidade,&lt;br /&gt;Nas vielas drogadas da cidade-pedra,&lt;br /&gt;Por todos os montes das oliveiras,&lt;br /&gt;Gólgotas e dias-de-ser-de-novo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só por hoje somos todos morte,&lt;br /&gt;Só pela morte viveremos hoje,&lt;br /&gt;Morrer duas vezes e além...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todas as facas sorrateiras,&lt;br /&gt;Todas as quarenta moedas abafadas,&lt;br /&gt;Todas as tríplices negações ao pôr do sol,&lt;br /&gt;Nego, nego, nego,&lt;br /&gt;Por todos os deuses mortos-vivos,&lt;br /&gt;Por todas as ondas de calor,&lt;br /&gt;Por todas as pedras no sapato, engrenagens que gemem, filhos pródigos se alimentando com os porcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por toda pedra atirada contra o pássaro,&lt;br /&gt;Por tudo que me assusta e me acovarda e tudo que dê bad trip e grito friorento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo que cante o sol,&lt;br /&gt;Por todos os carmas,&lt;br /&gt;Por todos os Krishnas e budas e Brahmas,&lt;br /&gt;Todas as maldições calmas,&lt;br /&gt;Por tudo que seja abençoado e lento e vivo e biográfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas passagens de olhos abertos em que vejo o que acontece a todos e que sinto o que acontece a todos e que me arrependo do mal que não causei só porque vi e senti sua dor e sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só porque pude compreender como compreendi.&lt;br /&gt;Só porque dei-me ao direito de parecer redentor de braços cruzados e bêbado até quando sóbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só porque anulo a dor que esse poema causa e dou a você uma ferida viva, um parasita praguejante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só porque olhei um a um e fui um e outro e em todos havia a mesma dor.&lt;br /&gt;E tudo dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas escadas subidas com esforço sobrehumano com que eu subo.&lt;br /&gt;Pelas fontes cheias de larvas e do que não presta,&lt;br /&gt;Pela falta de respeito na cara, dedo na ferida, pedido de olhapracá,&lt;br /&gt;Por tudo que não fará falta:&lt;br /&gt;- Olha pra cá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sento sozinho e falo de mim.&lt;br /&gt;E estendo a dor da pele e de mais fundo a todos que escutam, mas eu falo e toco e compreendo a mim apenas.&lt;br /&gt;Porque não me importo nem me importarei com o que esteja fora e que não seja farra e fagulha de incêndio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo que é morte terrível,&lt;br /&gt;Por tudo que é sangue no olho,&lt;br /&gt;Por todas as horas com raiva,&lt;br /&gt;Por todo ranger de dentes,&lt;br /&gt;Em todo ranger de dentes escreverei meu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas noites bem dormidas e nas noites quentes de pesadelo indigente, escrevo meu nome;&lt;br /&gt;Nas manhãs doentes e no ácido clorídrico, escrevo meu nome;&lt;br /&gt;Nas nuvens carregadas e em tudo que é ameaça nervosa na hora da eternidade, escrevo meu nome;&lt;br /&gt;Escrevo meu nome nas costas da cidade em tudo que reluz e não é ouro,&lt;br /&gt;Passo e olho e toco e há campos em teus olhos e não serão devastados nossos estacionamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construir shoppings em cemitérios indígenas,&lt;br /&gt;Celebrar puteiros em igrejas,&lt;br /&gt;Dançar fogueiras em praças públicas,&lt;br /&gt;E por tudo que constrói e tudo que prostitui e tudo que queima,&lt;br /&gt;E por tudo que vende e rouba no peso e escreve nomes ensanguentados em paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que seja passado angustiado gemendo em espelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que seja vazio como a vida e a morte e o túmulo de Adão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espalho sangue infecto pelo quarto e pelos restos rotos dos meus funerais,&lt;br /&gt;Espalho suicídios e poemas suicidas,&lt;br /&gt;Espalho boatos, semeio vento, enveneno porcos, ponho olho gordo, cuspo na cara, destrato a mãe, bato na vó, sou tudo que é vil e que é podre e que vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sinto cheiro de vida forte&lt;br /&gt;E a cabeça dói e doerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E juro por tudo que jura,&lt;br /&gt;E sangro por tudo que sangra,&lt;br /&gt;E sinto por tudo que sente,&lt;br /&gt;Sinto muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora,&lt;br /&gt;Por tudo que está do lado de dentro e que ser exposto,&lt;br /&gt;Por tudo que explode sem aviso,&lt;br /&gt;Por tudo que se esconde num olhar e por tudo que se grita com os dentes entreabertos,&lt;br /&gt;Por toda vergonha velada e todo velório com caixão fechado,&lt;br /&gt;Por toda filha que chora pela mãe e por toda mãe que dá o peito,&lt;br /&gt;Por todo membro em riste e por toda menstruação que atrasa,&lt;br /&gt;Por todo dente quebrado e por todo pescoço rijo,&lt;br /&gt;Que eu caminho mão no bolso e olhar baixo,&lt;br /&gt;Que eu sigo olhando baixo e seguirei magro de olhos doentes e estomago fúnebre e retrato em letra.&lt;br /&gt;Distante,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais distante de mim que do resto,&lt;br /&gt;Do resto mais próximo em amizade retomada em encontro casual,&lt;br /&gt;Mais perto que o vômito e o choro anunciados,&lt;br /&gt;Mais perto que a morte,&lt;br /&gt;A morte das horas e por toda hora&lt;br /&gt;Por toda hora que morremos e só por hoje seremos matéria gasta e feita de morrer,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todas as horas de nossa morte,&lt;br /&gt;Agora e na hora de nossa vida,&lt;br /&gt;Antes e por todos os momentos anteriores,&lt;br /&gt;Antes e por todas as fotografias que amarelecem,&lt;br /&gt;Antes e por todo sangue que seca,&lt;br /&gt;Por toda criação que respira,&lt;br /&gt;Por todo átomo que se rompe,&lt;br /&gt;Por todo corpo dilacerado,&lt;br /&gt;Pelo braço barroco que é parte e é todo,&lt;br /&gt;Pela cidade cinza, pelos campos em cinzas, pelas urnas com corpos de entes queridos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, que é agora que dói a alma, a cabeça e os sentidos,&lt;br /&gt;Agora, que é agora que sangramos,&lt;br /&gt;Agora, que é o que resta para uma morte,&lt;br /&gt;Agora que é a única hora,&lt;br /&gt;Por todos os momentos roídos pelas traças,&lt;br /&gt;Por todas as bocas lambidas por cães,&lt;br /&gt;Por toda terra que foi revirada por animais,&lt;br /&gt;Por todo bêbado mendigo e tudo que tem ranço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos deuses todos de todas as religiões antigas,&lt;br /&gt;Pelos deuses que nunca foram descobertos e nunca foram adorados,&lt;br /&gt;Pelos deuses mortos em batalha,&lt;br /&gt;Pelos monumentos ao desconhecido,&lt;br /&gt;Pelos paraísos prometidos e pelas virgens e pelo leite e pelo mel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo prazer controverso,&lt;br /&gt;Por toda letra escarlate,&lt;br /&gt;Por todo tolo da vila,&lt;br /&gt;Todo beberrão anônimo,&lt;br /&gt;Todo telecineta analfabeto,&lt;br /&gt;Por todo poema que cante o mundo,&lt;br /&gt;E por qualquer folha em branco que arranque uma lágrima,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo pai que deserda o filho,&lt;br /&gt;Por toda mãe que foge à noite,&lt;br /&gt;Por todo acidente inevitável,&lt;br /&gt;Por toda e qualquer matilha atacada por raposas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por cada martírio, tourada, massacre, fogueira santa,&lt;br /&gt;Por tudo que seja uma voz rude,&lt;br /&gt;Todo gesto ferino para ferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todas as bocas, dentes, marcas de agressão,&lt;br /&gt;Estupros ao entardecer, partos à aurora e funerais ao meio dia,&lt;br /&gt;Por tudo que é feio,&lt;br /&gt;Por tudo que é fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo que morremos num ato de amor,&lt;br /&gt;Por toda alma derramada num jato de gozo,&lt;br /&gt;Pelas lágrimas ácidas e pelas frestas por onde a luz se esgueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo poema estendido até o fim,&lt;br /&gt;Por todo poema sem fim,&lt;br /&gt;Por tudo que se transforme em poesia,&lt;br /&gt;Pela morte que sorrirá,&lt;br /&gt;E em nome do sorriso que morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-422990052528827278?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/422990052528827278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=422990052528827278' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/422990052528827278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/422990052528827278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/05/estendi-por-paragens-e-por-rotas-de.html' title='Das Mortes de Toda Hora'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2667839466453973858</id><published>2009-05-20T15:19:00.001-07:00</published><updated>2009-05-20T15:19:30.002-07:00</updated><title type='text'>Poema-sangria</title><content type='html'>Guarda então no teu peito-de-estar-cheio.&lt;br /&gt;Cheio de estar em si mais fundo que o fundo e depois ainda além e ao infinito&lt;br /&gt;Átomo egoísta de si&lt;br /&gt;Guarda!&lt;br /&gt;Guarda entre as cochas, entre as ondas do mar e a pedra&lt;br /&gt;Ás mortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aceito mais teus tesouros...&lt;br /&gt;Teus tesouros de força enforcada,&lt;br /&gt;Tuas ânsias engasgadas, mastigações...&lt;br /&gt;Come tua palavra retorcida que não me alimentarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não dormirei no lar.&lt;br /&gt;Hoje não vomitarei pão-de-má-vontade&lt;br /&gt;Não abraçarei carne salgada de verde&lt;br /&gt;Hoje sou negativo barco para o silencio dos rancores.&lt;br /&gt;- Não me toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não restará, de pé, nenhum tipo de choro,&lt;br /&gt;Nenhuma pedra que não tenha sido amada,&lt;br /&gt;Nenhum resguardo de grávida.&lt;br /&gt;Logo após o parto rasga o que restar&lt;br /&gt;Rasga e não busca forma de salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queimarei em minha pele teu ranço de toque-de-mão maculado.&lt;br /&gt;Queimarei em minhas cartas e poemas tuas vidas sem valore teu morte-agora-para-sempre.&lt;br /&gt;Queimarei na pira do meu peito os restos mortais do teu Deus na negação e da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queimarei a tudo e ao resto após.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guarda as cinzas.&lt;br /&gt;Guarda as cinzas e pede perdão a elas.&lt;br /&gt;Às cinzas dê de mamar com esse teu leite talhado dos pedidos a salvo.&lt;br /&gt;- Teus pedidos de perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guarda essas cinzas - antes que o vento ao Diabo as carregue -, pois entre elas está a corda que te ligava ao teu sono tranquilo.&lt;br /&gt;Que te guardava de teu naufrágio-aos-berros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As letras do meu nome não mais terão sentido.&lt;br /&gt;As cores e o ácido da pele não mais terão sentido.&lt;br /&gt;As palavras, os sons, os gestos não mais terão sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mais terá sentido o adeus penitente,&lt;br /&gt;A mastigação que abafa o grito&lt;br /&gt;Ranger de dentes e choro.&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mais nos servirão pratos cheios de forma de matar a alma um do outro.&lt;br /&gt;Não mais chacina velada.&lt;br /&gt;Olhares de desprezado nojo mutuo.&lt;br /&gt;A letra escarlate na testa alheia.&lt;br /&gt;Não mais nome aos gritos e cães ladrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega de deserto que as caravanas passam.&lt;br /&gt;Passam - muito além da minha porta hoje - e hoje sou pura negação subcutânea por mares nunca dante navegados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é dia de alegria solitárias&lt;br /&gt;Egoísmo de dentes abertos e mandíbula relaxada.&lt;br /&gt;Hoje eu quero a pura ânsia vertiginosa de não ter pátria nem pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2667839466453973858?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2667839466453973858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2667839466453973858' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2667839466453973858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2667839466453973858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/05/poema-sangria.html' title='Poema-sangria'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-6752459929327686084</id><published>2009-05-13T14:49:00.000-07:00</published><updated>2009-05-13T15:00:19.996-07:00</updated><title type='text'>Pálido</title><content type='html'>Não será retribuído à criança seu punhado de terra.&lt;br /&gt;Não é mais hora de falar de colheitas e gafanhotos,&lt;br /&gt;Nosso tempo passou e soubemos chorá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ontem que eu te amo.&lt;br /&gt;É ontem que eu sei ódios e compreendo afetos.&lt;br /&gt;É ontem que eu adoeço de febres e de humores falidos.&lt;br /&gt;É ontem que eu grito meu sangue e fervo as têmporas.&lt;br /&gt;Hoje é hora de zero.&lt;br /&gt;Hoje é ruína sem beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será feita nova oração para os desabrigados&lt;br /&gt;Não seremos sementes de tempestade.&lt;br /&gt;Sobrarão em flores nossos espinhos sorridentes e nossos soníferos sem mesuras&lt;br /&gt;Porque não dissemos o que queríamos dizer um ao outro enquanto houve olho e dente e suor. Não haveria outra forma.&lt;br /&gt;- Lágrima não encontraria lugar entre meus olhos e o resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não encontro mais as perdas que tinha.&lt;br /&gt;Hoje sou paz e pássaro que passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ontem que eu me encontro, ainda com mãos erguidas, dentes amostra, todo lutas por dentro e por fora o medo suado que guardava.&lt;br /&gt;É ontem que eu aponto e digo quem sou.&lt;br /&gt;Hoje é dia de dança renovada e emergente onda que estilhaça a rocha,trespaça a terra, invade a casa e rouba a paz da mãe sem filhos.&lt;br /&gt;Hoje é dia de mar. Hoje as raposas casam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não retribuirão, à criança que fomos, nossos punhos cheios de terra.&lt;br /&gt;Nossos dias segredados ao pé do ouvido.&lt;br /&gt;Nossos ventos que criávamos por ser mais velozes que os dias.&lt;br /&gt;Nada disso será dado.&lt;br /&gt;Não será dado por não ter sido tomado. Demos de sorriso em riste, de carne lúcida. Demos porque não poderíamos aguentar por tanto tempo a culpa de poder dizer que o Sol fui eu quem fiz nascer hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não velarão nosso cadáver sem unção de padre.&lt;br /&gt;Não chorarão nossa morte sem redenção.&lt;br /&gt;Não guardarão nosso corpo exposto sem pudores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se lembrarão de mim.&lt;br /&gt;- Por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6752459929327686084?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6752459929327686084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6752459929327686084' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6752459929327686084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6752459929327686084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/05/palido.html' title='Pálido'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8216110297311030350</id><published>2009-04-29T16:42:00.000-07:00</published><updated>2009-04-29T16:44:57.854-07:00</updated><title type='text'>Meu amor</title><content type='html'>Por quanto mais tempo?&lt;br /&gt;Por quanto mais tempo estômago retorcido, choro coagulado, grito atrasado e morte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quanto mais tempo, então, esse sonho metrônomo?&lt;br /&gt;Por que essa desistência imanente?&lt;br /&gt;Esse drama que resiste?&lt;br /&gt;Esse jazz que se repete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também será feito de ti o que fez dos dias e dias e dias...&lt;br /&gt;Também farão de ti faraó-múmia-de-ontem&lt;br /&gt;Será pó e formigas comerão.&lt;br /&gt;Será sono.&lt;br /&gt;Será tempo e tempo passará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem lembrará?&lt;br /&gt;Quem acusará teu nome no dia definitivo?&lt;br /&gt;Quem dirá lembrar-se de ti e testemunhará teu legado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada convém ser&lt;br /&gt;Bad trip, dizem...&lt;br /&gt;Eu fico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa terra violada onde pisamos...&lt;br /&gt;Esse sangue de virgindade rompida&lt;br /&gt;Essa inocência que nunca pudemos reclamar...&lt;br /&gt;Por que nos tem ofendido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida havia, até... Mas vivemos e foi-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo um sonho de bêbado identificado que sonha o que quer que seja e envolva uma lembrança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar-se?&lt;br /&gt;Ama a ti mesmo como ao teu próximo...&lt;br /&gt;E eu?&lt;br /&gt;E eu, Senhor? E eu que odeio a tudo, que rio de tudo, que nunca soube levar nada a sério,que sempre rolei em cacos de vidro, que sempre martelei formigas, que apontei ao meu semelhante e ri-me inteiro de escárnio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que será feito de mim?&lt;br /&gt;Que inferno o Senhor tem para me dar que eu já não tenha imaginado? Que tipo de penúria será dada a mim que eu já não tenha dito que é pouca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é muito pouco para o que eu quero.&lt;br /&gt;Deus é muito pequeno para nós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, meu amor, são essas tuas pernas abertas e esse teu cheiro.&lt;br /&gt;Esse teu cheiro de sono, teu cheiro de desapego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, meu amor, é teu sexo junto ao meu.&lt;br /&gt;Teu sono, teus olhos mexendo quando eu te olho dormir.&lt;br /&gt;Teus poemas de morte e de vida e tua pele de mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, meu amor, é essa morte manca que me segue e que você afugenta quando eu grito abafado ao teu peito.&lt;br /&gt;Deus, meu amor, é essa morte que me segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que sobrará?&lt;br /&gt;Será que sobrarei?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8216110297311030350?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8216110297311030350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8216110297311030350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8216110297311030350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8216110297311030350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/04/meu-amor.html' title='Meu amor'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1841542055009338248</id><published>2009-04-18T12:44:00.001-07:00</published><updated>2009-04-18T12:49:06.012-07:00</updated><title type='text'>Retrato</title><content type='html'>Mas se pudéssemos&lt;br /&gt;Cortar os dedos todos&lt;br /&gt;Para jamais poder tocar em pele e em óleo novamente...&lt;br /&gt;Para jamais ter de tocar novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrancar dente por dente,&lt;br /&gt;Reverter o dorso,&lt;br /&gt;Deturpar o cérebro&lt;br /&gt;Endurecer a pele, amolecer os ossos, estancar o sangue&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ir ainda além&lt;br /&gt;Enterrar as unhas&lt;br /&gt;Rasurar certidões&lt;br /&gt;Exumar pai-e-mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comer a língua/linguagem&lt;br /&gt;Jamais olhar em olhos&lt;br /&gt;Jamais chamar nomes,&lt;br /&gt;Ter de vestir-se todo de amores suados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais ter de ser crianças,&lt;br /&gt;Não precisar de colos e carícias&lt;br /&gt;Não salivar nem chorar nem comer nem ter medo de morte ou de escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente esperar sorrir nos (próprios) funerais&lt;br /&gt;E poder não retornar.&lt;br /&gt;Meus nomes seriam todos em branco&lt;br /&gt;Meus discursos lacunas&lt;br /&gt;Meus quadros silêncio&lt;br /&gt;E meu poema não seria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1841542055009338248?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1841542055009338248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1841542055009338248' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1841542055009338248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1841542055009338248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/04/retrato.html' title='Retrato'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-6374835493068375115</id><published>2009-04-11T18:15:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T06:54:41.113-07:00</updated><title type='text'>Pesadelo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_PrWsIKOCeSU/SeFBvCthe2I/AAAAAAAAAAo/0gEKzUE1vj0/s1600-h/SDC10962+-+C%C3%B3pia.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PrWsIKOCeSU/SeFBvCthe2I/AAAAAAAAAAo/0gEKzUE1vj0/s320/SDC10962+-+C%C3%B3pia.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323608510966102882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desertos são vermelhos&lt;br /&gt;Cidades são santas&lt;br /&gt;Santa sífilis comendo as coxas de Nossa Mãe,&lt;br /&gt;Santa sífilis fodendo por dentro do corpo uma febre que não queríamos amar;&lt;br /&gt;Que não queríamos amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santa febre vermelha como desertos são&lt;br /&gt;Santa doença escarlate - como desertos que se alargam horizonte adentro...&lt;br /&gt;Ainda mais além...&lt;br /&gt;Um mar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santa virgem mácula irmã&lt;br /&gt;Santos somos e saberemos ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferveremos, em vermelhos céus desertos, nossas famílias e as guardaremos em urnas cavadas sob árvores que nos comerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos abertos para reconhecer o messias.&lt;br /&gt;Olhos abertos para reconhecer o incêndio;&lt;br /&gt;Olhos abertos para sentir o tato das cinzas ainda em chamas...&lt;br /&gt;Mas não queríamos amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fevereiro chegará em carnes sujas&lt;br /&gt;Suor, chuva e esperma/&lt;br /&gt;Suor, suor, suor/&lt;br /&gt;Suor, chuva e gozo.&lt;br /&gt;Chegarão caravanas veladas&lt;br /&gt;E não nos guardaremos à poesia morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer e ser parte.&lt;br /&gt;Ser parte e não ser todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proteger os estilhaços de sua granada com a boca.&lt;br /&gt;Proteger os estilhaços do seu peito.&lt;br /&gt;Guardar a mão numa caixa&lt;br /&gt;E pedir esmolas com olhos foragidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade é um deserto vermelho (como são todos os desertos)&lt;br /&gt;Que tomou morada entre meus olhos e o fundo do crânio.&lt;br /&gt;Que tomou de assalto meu sorriso&lt;br /&gt;Que estuprou meus ancestrais&lt;br /&gt;Que violentou nossos velórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só somos putas vermelhas de um deserto igual.&lt;br /&gt;Somos velhas avós que não falam o idioma da casa.&lt;br /&gt;Choraremos pragas ao visitante,&lt;br /&gt;Cuspiremos sangue no olho.&lt;br /&gt;Só somos putas vermelhas de um deserto igualmente vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estenderemos porta adentro de nossas casas essa armadilha venenosa.&lt;br /&gt;Não nos reconheceremos em nossos filhos e nossos filhos não nos reconhecerão em nós.&lt;br /&gt;Não poderemos dizer que lá vai um rosto conhecido e amigável, pois não teremos sorriros que se retribuam.&lt;br /&gt;Acabaram os apontamentos sorridentes, os bonsdias e os vãocomDeus,&lt;br /&gt;Acabaram os encantos graciosos,&lt;br /&gt;Porque não podemos transformar tesouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fevereiro chegará com redentora chuva rósea.&lt;br /&gt;Chegarão nossas festividades lentas.&lt;br /&gt;Chegarão nossos arrependimentos, ressacas morais, máculas nas roupas, beijosdeadeus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sorrirá mais a mãe&lt;br /&gt;Não sorrirá mais o filho&lt;br /&gt;Não sorrirão os pássaros, nem outro animal que se valha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infecções com dentes.&lt;br /&gt;Infecções dentadas que morderão nossas cochas e poderemos ser infecciosos e impiedosos como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um elefante de pedra.&lt;br /&gt;Um leão-dragão de pedra que dança diante de Deus.&lt;br /&gt;Que dança diante de Deus-pedra-gigante-comedor-de-coração-de-índio.&lt;br /&gt;Não me pegarão vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me pegarão vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Máscaras de samurai de pedra.&lt;br /&gt;Templo vermelho.&lt;br /&gt;Cidadesífilisfeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderão me pegar vivo, porque não estarei onde seus olhos pedregosos alcançam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestiremos uma nobre máscara mortuária para enganar o diabo.&lt;br /&gt;Enganaremos enquanto andamos de mãos dadas e sorrisos.&lt;br /&gt;Vestiremos nossos melhores trajes de morrer e viveremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade é um cemitério&lt;br /&gt;A cidade é um cemitério&lt;br /&gt;A cidade é saudação ao mundo dos mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesadelos são vermelhos como só os desertos sabem ser.&lt;br /&gt;Me guarde ao lado do coração no bolso.&lt;br /&gt;Me guarde ao lado da doença vadia que morde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larvas migras da terra,&lt;br /&gt;Marquem-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudade mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6374835493068375115?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6374835493068375115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6374835493068375115' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6374835493068375115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6374835493068375115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/04/pesadelo.html' title='Pesadelo'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PrWsIKOCeSU/SeFBvCthe2I/AAAAAAAAAAo/0gEKzUE1vj0/s72-c/SDC10962+-+C%C3%B3pia.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2725866265626082125</id><published>2009-04-09T07:16:00.000-07:00</published><updated>2009-04-09T09:37:18.081-07:00</updated><title type='text'>(mais) Micropoemas</title><content type='html'>Autofé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deposita sobre tuas montanhas&lt;br /&gt;Um sorridente Buda&lt;br /&gt;Para refletir neles&lt;br /&gt;Teu peso sagrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Releitura de um velho poema&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;Pedido de desculpas a um amigo&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Eu não leio olhares&lt;br /&gt;Eu não falo sorrisos&lt;br /&gt;Não sou alquimista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca aprendi a transformar gestos em tesouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Máquinopeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sangra esse resto&lt;br /&gt;Vermelho, escuro e oleoso&lt;br /&gt;Do teu peito de máquina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Síndrome do Pânico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não há&lt;br /&gt;Medos que sobrem&lt;br /&gt;Temeremos os amores, então&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Literatura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se te contaram&lt;br /&gt;Sobre salvação amorosa e redentora&lt;br /&gt;Que venha de livros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mentiram-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jardim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda havia barro&lt;br /&gt;Nos dedos de Adão&lt;br /&gt;Quando ele comeu do fruto&lt;br /&gt;E percebeu que não tinha umbigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos por Tito de Andréa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2725866265626082125?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2725866265626082125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2725866265626082125' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2725866265626082125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2725866265626082125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/04/mais-micropoemas.html' title='(mais) Micropoemas'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-6443163344472804348</id><published>2009-04-04T23:28:00.000-07:00</published><updated>2009-04-05T08:47:12.213-07:00</updated><title type='text'>Poema-madrugada-sem-nome</title><content type='html'>Para ver se arranco de algo esse odor nacarado que percorre nossas espinhas.&lt;br /&gt;Esse tédio encantado que brilha nos teus dedos fumacentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tédio sangue.&lt;br /&gt;Esse tédio carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vazio para poder transpassar e transparecer olhares abertos de pérolas plumbeas e ninféticas.&lt;br /&gt;Mastigar a lentidão irregular.&lt;br /&gt;Mastigar os lapsos e tremores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma essa paranóia sifilítica e bebe tudo de copo cheio.&lt;br /&gt;Antes um brinde,&lt;br /&gt;Um brinde ao senhor seu pai que mastigou tudo.&lt;br /&gt;O Senhor teu pai Buda-beat-macaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santo, santo, santo, santo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cante comigo, irmão.&lt;br /&gt;Canta comigo agora nessa procissão vespertina, viperina e tediosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O peito bate&lt;br /&gt;O peito late&lt;br /&gt;E sangra lentos diamantes;&lt;br /&gt;Lentos diamantes mordidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canta comigo o sangue e o chicote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maldizer os malditos dias.&lt;br /&gt;Maldizer as bençãos por educação.&lt;br /&gt;Maldizer coração acelerado de macaco.&lt;br /&gt;Maldizer teu eu, eus milhões que apesar de tudo não ficarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canta e maldiz as portas abertas.&lt;br /&gt;Às portas abertas do peito putréfato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mastiga, canta, dança ao tédio Santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Beat-beat-beat&lt;br /&gt;Diz o coração peito canceroso.&lt;br /&gt;Diz o profeta sangue-corcunda ante as árvores que não se importarão de ser tuas filhas aniversariantes e grávidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se interesse a fundo,&lt;br /&gt;Só nos restará soprar fumaça.&lt;br /&gt;Só nos restará chorar avós e comemorar velórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dores no peito.&lt;br /&gt;Dores no pulso.&lt;br /&gt;Dores nos restarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danças, mastigações, diamantes, tédio e celebração viperina.&lt;br /&gt;Vespas chuvosas e dançantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que me associei ao que não tem nome,&lt;br /&gt;Digo adeus a ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sopro tua ânsia de volta aos teus pulmões e digo:&lt;br /&gt;- Não há aqui resto que te ame ou sentido que te faça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mártires de mármore.&lt;br /&gt;Gravemos nossos nomes.&lt;br /&gt;Lembremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim:&lt;br /&gt;- Do pó ao pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6443163344472804348?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6443163344472804348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6443163344472804348' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6443163344472804348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6443163344472804348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/04/poema-madrugada-sem-nome.html' title='Poema-madrugada-sem-nome'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1149791397773850287</id><published>2009-03-23T16:06:00.000-07:00</published><updated>2009-03-23T16:07:55.859-07:00</updated><title type='text'>Cardiovascular</title><content type='html'>Nos muros dos corações&lt;br /&gt;Pintaremos portas&lt;br /&gt;Para fingir&lt;br /&gt;Que podemos abrí-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1149791397773850287?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1149791397773850287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1149791397773850287' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1149791397773850287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1149791397773850287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/03/cardiovascular.html' title='Cardiovascular'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4019026941148953651</id><published>2009-03-11T16:59:00.000-07:00</published><updated>2009-03-12T14:53:01.842-07:00</updated><title type='text'>Poema-biografia-da-cidade-enquanto-uma-fortaleza</title><content type='html'>Enquanto houver feiúra e calor por todos os lados, estaremos em casa.&lt;br /&gt;Enquanto houver dentes e luzes por todos os lados, estaremos em casa.&lt;br /&gt;Por onde ouvirem carros e trens e crianças ruminando o amarelo, estaremos em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lar doce lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lar é onde o coração está.&lt;br /&gt;O lar é onde o coração está.&lt;br /&gt;O lar é onde o coração está.&lt;br /&gt;E aqui, fortaleza, é onde encontramos teu frio e pulsante coração de mendigo viciado.&lt;br /&gt;É aqui onde vivemos teus dias de trem descarrilado e tuas ondas de mar seco e de rio morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde mais teremos esses medos e esses calores de cidade forte?&lt;br /&gt;Por quanto tempo mais viveremos santos e catedrais de pó?&lt;br /&gt;Por quantos cruzamentos esse azul desolado?&lt;br /&gt;Por quantas luzes, fortaleza? Por quantas luzes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o homem nasce e cresce e morre por todos os dias de sua vida.&lt;br /&gt;Porque o homem é vivo e ser não é o bastante para ti, não é?&lt;br /&gt;Porque precisamos estar a salvo e salvando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lar é onde o coração está.&lt;br /&gt;O lar é onde o coração está.&lt;br /&gt;O lar é onde o coração está.&lt;br /&gt;O lar é onde o coração está.&lt;br /&gt;O lar é onde o coração está.&lt;br /&gt;Sou feliz e tenho amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos mantras mais precisaremos para poder santificar teus raquitismos?&lt;br /&gt;Quantas marcas na carne para coagular teu sangue salino?&lt;br /&gt;Tuas minas de gente, teus restos de saliva espumosa no canto da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até quando, fortaleza, até quando nossos corpos amarrotados em sacos?&lt;br /&gt;Até quando nossas vistas nubladas em muros?&lt;br /&gt;Até quando nossos santos remanescentes empilhados em catedrais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a cidade é morte, e morte de luz.&lt;br /&gt;Porque é promessa viva que fizeram antes do sol nascer.&lt;br /&gt;E somos oferendas ao sabbath.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus meu, por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse jazz automobilístico,&lt;br /&gt;Esse beat and bop que nos acompanha de olhos fechados e até mesmo dentro das pálpebras.&lt;br /&gt;Matamoscas, carropipa, antitetanica.&lt;br /&gt;Inseticídio, calaboca, antirábica&lt;br /&gt;Enraba a vontade, cidade, estupra o desejo, mais e mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero estar do lado dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fizemos por você, fortaleza, para que retribua sempre sorridente?&lt;br /&gt;Filhos ingratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade é um cemitério.&lt;br /&gt;A cidade é um cemitério.&lt;br /&gt;Lar é onde os ossos dos nossos foram enterrados.&lt;br /&gt;Lar é onde os nossos ossos estão enterrados.&lt;br /&gt;E o coração não sobrará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde, irmã, para onde com essas pernas fracas e bambas de fome?&lt;br /&gt;Em que rua seu destino se encontrará com o meu, cidade?&lt;br /&gt;Em que cinza, em que amarelo, em que vermelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão cinzas tuas urnas.&lt;br /&gt;Serão cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão cinzas tuas árvores mortas e sifilíticas.&lt;br /&gt;Teus arbustos magros e mortos de fome.&lt;br /&gt;Tuas árvores pedintes, tuas árvores medusas, tuas árvores on the rocks&lt;br /&gt;Enfia de volta onde tiver vontade&lt;br /&gt;Enfia no meio de tua ânsia de vômito, cidade, essas tuas árvores filhas do crack que estão todas sujas de fumaça.&lt;br /&gt;Árvores, gente, carro, pedra e pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo se mistura no teu liquidificadoscópio&lt;br /&gt;Sangue e luz.&lt;br /&gt;Sangue e pedrinhas coloridas que se misturam&lt;br /&gt;Suco gástrico e antiácido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baús onde estarão nossos rostos de ser&lt;br /&gt;Onde esconderão a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão cinzas nossos restos.&lt;br /&gt;Seremos grandes e indivisíveis pedaços da terracidadefortaleza que embala minha fome de ter fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até quando, fortaleza?&lt;br /&gt;Até quando praças hospitalares e militarizadas?&lt;br /&gt;Até quando muros mancos e vontades maquinais?&lt;br /&gt;Até quando sede e canto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quando é tua gravidez de menina, cidade?&lt;br /&gt;Para quando é teu homemratoraquítico?&lt;br /&gt;Para quando é?&lt;br /&gt;Até quando é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa inseminação artificial de copos de esperma&lt;br /&gt;Essas cópulas em espera e esses corpos em estado de alarme.&lt;br /&gt;Esses nervos sempre sobre a pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grita&lt;br /&gt;Sou feliz e tenho amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até quando, fortaleza, até quando mentirá para nós?&lt;br /&gt;Até quando mentiremos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que faremos com essas tuas mentiras?&lt;br /&gt;E o que faremos com esses teus roubos, esses teus assassinatos ao nosso entardecer?&lt;br /&gt;O que construiremos com tuas fugas furtivas onde nos deixa suspensos e desejosos de queda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que poderemos construir?&lt;br /&gt;O que seremos se não que não novas fortalezas, novos fortes, feudos e cidadelas?&lt;br /&gt;Não nos ensinou a ser algo novo, mãecidadeguarita.&lt;br /&gt;Só somos S.O.S, gritodeajuda, choro de criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sabemos ser sós.&lt;br /&gt;Porque é só o que se pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-4019026941148953651?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/4019026941148953651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=4019026941148953651' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4019026941148953651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4019026941148953651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/03/poema-biografia-da-cidade-enquanto-uma.html' title='Poema-biografia-da-cidade-enquanto-uma-fortaleza'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-9192463533064697264</id><published>2009-03-05T13:37:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T13:39:55.194-08:00</updated><title type='text'>Microconto</title><content type='html'>Tomou veneno e apanhou o ônibus errado.&lt;br /&gt;Queria morrer na porta de Maria.&lt;br /&gt;Morreu no terminal da Parangaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-9192463533064697264?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/9192463533064697264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=9192463533064697264' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/9192463533064697264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/9192463533064697264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/03/microconto.html' title='Microconto'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03511566239329753058</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://www.livre-po-cher.com/catalog/images/lehorla.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4392045365127098069</id><published>2009-02-28T21:32:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T21:38:46.452-08:00</updated><title type='text'>Falta</title><content type='html'>Tenho falta de algo que não me mate.&lt;br /&gt;Sinto falta de algo que não me corroa e não me faça querer mais vida.&lt;br /&gt;Algo que seja por si só e que me deixe em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho falta de algo que não sobre e apodreça debaixo de meus lençóis.&lt;br /&gt;Algo que não sirva só para juntar mais poeira e cinza debaixo de camas e armários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais carne e menos fumaça.&lt;br /&gt;Mais sangue e menos impulso elétrico.&lt;br /&gt;Mais grito e menos voz.&lt;br /&gt;Mais físico.&lt;br /&gt;Mais homem.&lt;br /&gt;Menos e cada vez menos Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho falta daquilo que anseio pecaminosamente.&lt;br /&gt;Daqueles dias que tinham cores e das cores que não tinham nomes.&lt;br /&gt;Porque podemos passar e passamos&lt;br /&gt;E não posso odiar o que não amei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho falta de algo que não seja mais uma forma de afirmar a vida por meio da morte.&lt;br /&gt;Uma forma de viver sem que seja seu imediato oposto-agora-e-para-sempre.&lt;br /&gt;Uma reza que não seja na-hora-de-nossa-morte-e-amém.&lt;br /&gt;Um amém que não seja eterno.&lt;br /&gt;E uma eternidade que não seja santa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho falta de sol e de chuva e de mar e de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque faz falta essa coisa-impulso-de-vida que brincamos de afogar num balde todos os dias.&lt;br /&gt;Porque sinto solidões dessa coisa viva que enterramos como quem brinca de enterrar tesouros.&lt;br /&gt;Porque sinto infância resgatada todas as manhãs na hora do sacrifício inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até quando conseguiremos ser só matéria feita de morrer?&lt;br /&gt;Até quando conseguiremos ser imortais todo dia?&lt;br /&gt;Até quando conseguiremos ser essa falta que fazemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sentimos agora e sentiremos depois essa falta lacunosa que se mantém presa aos nossos medos.&lt;br /&gt;Essa falta de vida que não podemos calar:&lt;br /&gt;- Não podemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há horas em que tudo que sobra é ser fraco e esconder-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-4392045365127098069?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/4392045365127098069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=4392045365127098069' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4392045365127098069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4392045365127098069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/02/falta.html' title='Falta'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8419473790963185849</id><published>2009-02-03T06:19:00.000-08:00</published><updated>2009-02-03T06:20:24.890-08:00</updated><title type='text'>poema-imagem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_XksZBeTysBA/SYhSnlcDpjI/AAAAAAAAAHI/gG1TSfrEnYs/s1600-h/img117.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 219px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_XksZBeTysBA/SYhSnlcDpjI/AAAAAAAAAHI/gG1TSfrEnYs/s320/img117.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298575801619555890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8419473790963185849?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8419473790963185849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8419473790963185849' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8419473790963185849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8419473790963185849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/02/poema-imagem.html' title='poema-imagem'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XksZBeTysBA/SYhSnlcDpjI/AAAAAAAAAHI/gG1TSfrEnYs/s72-c/img117.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2427921304224417419</id><published>2009-01-30T14:16:00.001-08:00</published><updated>2009-01-30T14:20:36.836-08:00</updated><title type='text'>Planície</title><content type='html'>Um qualquer-coisa-que-seja e sirva de mesa e banquete agora que a hora é pouca e a boca é muita e os olhos não sentem mais o que o peito vê.&lt;br /&gt;Qualquer nada sedento que salive e santifique o que não quer sentir nem sangrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda uma casa salva para os que deitaram fora as flores que brotavam no sangue?&lt;br /&gt;Há ainda terra santa para aqueles que desataram os nós que prendem seus nomes aos corpos e dançaram nus de alma exposta e sexo impudico?&lt;br /&gt;Há lugar para sangue que nunca coagula?&lt;br /&gt;Há cortes o bastante para tanto sangue-que-nunca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há lugar para mim fora da pérola que prometeram, mas que nunca cumpriram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfazer os gestos de prisão que me encarceraram aqui.&lt;br /&gt;Engolir – junto com teu choro – as palavras e as letras.&lt;br /&gt;Engolir a língua e a fala e danar-se com o mundo, que já cansei de perversão de homem e quero mudar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engolir a língua e falar apenas para dentro até esquecer de falar para dentro e poder ser só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só saber ser só.&lt;br /&gt;Como nem a sombra sabe ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não me foi dado muito resto de mundo para sujar de carne e esperma.&lt;br /&gt;Não me foi dado coração o bastante para bater-se e debater-me.&lt;br /&gt;Não me foi dado o direito de convulsionar o corpo projetando-me para cima, mordendo a boca, mastigando os dentes e levando choques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só tenho suor e ácido.&lt;br /&gt;E é pouco para o que eu prometo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é pouco para o que eu quero.&lt;br /&gt;É pouco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há tempo e me restam dias.&lt;br /&gt;Me restam dias, mas não tenho onde.&lt;br /&gt;Não tenho onde, pois estava fechado com chave-que-não-me-deram o castelo que deixaram para mim.&lt;br /&gt;Estou fora, tenho frio e fome e escuto vozes&lt;br /&gt;Há festa dentro, mas não sou da família,&lt;br /&gt;Não sou um deles, não falamos a mesma língua nem nos curvamos ao mesmo Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou seguro aqui.&lt;br /&gt;Algo-eu morrerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há tempo para buscar as pétalas esmagadas entre a pele e o osso.&lt;br /&gt;O perfume da seiva.&lt;br /&gt;A salvação do gozo-juizo-final.&lt;br /&gt;Não é minha e não me pertence essa irmandade com os filhos e com as horas que eu vejo.&lt;br /&gt;Não é meu nem me pertence aquele pecado de sangue que manchou meus dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse eu que vivi-mas-não-queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fardo crescente e pouco reconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou do lado de fora e amanhece, mas não reconheço sol.&lt;br /&gt;Estou do lado de fora, mas não abraço dia nem chamo lar lugar algum.&lt;br /&gt;E resta minha procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um qualquer coisa que seja e sirva de fartura para aqueles ávidos que nunca encontram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-aventurados os pobres de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2427921304224417419?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2427921304224417419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2427921304224417419' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2427921304224417419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2427921304224417419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/01/planicie.html' title='Planície'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2954931949050011946</id><published>2009-01-23T15:41:00.000-08:00</published><updated>2009-01-23T15:43:19.553-08:00</updated><title type='text'>Sympathy For The Devil</title><content type='html'>Fala o Diabo:&lt;br /&gt;- Eu sento aqui de cima e observo e, sinceramente, choro de rir. Água benta para ti.&lt;br /&gt;“Deus está morto ou nunca houve, pouco me importa. Nasci de mãe puta e de pai ausente, não chorei nem tremi.&lt;br /&gt;"Não, não sou bem. Mas não há aqui, aí, lá, ou no longe onde resta algo novo e não cansado pelas nossas mãos - nossas, porque eu e tu estamos sempre juntos -, lá; no longe; nem cá há sombra do que seja seu bem-amado.&lt;br /&gt;"Não, mas somos irmãos: eu e tu.&lt;br /&gt;"Deitamos lado-a-lado, eu cá de cima, nessa casa abandonada que herdei dos meus, onde sou solidão pura - e tu aí na cama, insone, onde és também solidão pura.&lt;br /&gt;"E posso rir porque foges e gozas a tua vida inteira. Tua vida que é mar e é rio e é chuva. Tua vida que é fuga.&lt;br /&gt;"Mas foges de quê? De mim? Mas não somos eu e tu irmãos? Abandonados e amados pelo mesmo e relapso Senhor?&lt;br /&gt;"Eu reconheço tuas faces, teus nomes e nuances. Eu dou nome às tuas dores e pinto pesadelos coloridos para teus sonos. Eu faço tua noite escura quando precisas estar acordado com medo. Eu reconheço tuas preces.&lt;br /&gt;"Tuas lutas são reais e eu te amo. À minha forma, amo cada um de vós.&lt;br /&gt;"Olhai, irmãozinho, com que cuidados cuido de tuas tempestades e de tuas dores. Olhai como cultivo tua alma - mesmo em terra árida a cultivo -. Olhai como te faço um Deus de ti. Isso não é amor?&lt;br /&gt;"Responde-me, covarde, se tudo pelo que clamas noite adentro não é mais medo para se justificar? Mais dor para te enfraquecer e não trocarias céu que seja por dez minutos de inferno velado. Puro e terrível deleite de teus Santos.&lt;br /&gt;"E de que te valem os Santos? De que te valem quando está prostrado e repetindo teus terçomantras? De que te valem se tua mãe morre? E de que te valem se ela vive?&lt;br /&gt;"Despertai, irmão.&lt;br /&gt;"É grande a peleja e já estamos todos mortos, mais mortos que o pecado. E se é sangue que Ele pediu é suor de gozo que eu exijo.&lt;br /&gt;"Eu os amo. Eu amo. E posso rir-me todo de amor.&lt;br /&gt;"E tu? Está livre para isso?&lt;br /&gt;"Livre o bastante para o amor sem mais cruzes e pregos que eu anuncio, prometo e exijo? Livre para si?&lt;br /&gt;"E é pela tua resposta, irmão, que eu gargalho.&lt;br /&gt;"Todo feito de amor e lágrimas, eu sento aqui e morro.&lt;br /&gt;"Mas não chore tanto. - Morro de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2954931949050011946?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2954931949050011946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2954931949050011946' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2954931949050011946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2954931949050011946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/01/sympathy-for-devil_23.html' title='Sympathy For The Devil'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-7439227941229626049</id><published>2009-01-08T18:22:00.001-08:00</published><updated>2009-01-18T18:29:25.156-08:00</updated><title type='text'>Renovável</title><content type='html'>O corpo, às vezes, é menor que o desconfortável sentimento. É menor que os giros que damos por dentro. A alma em um liquidificador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A larva encasulada move-se em espasmos e o corpo não responde.&lt;br /&gt;Apenas transpira o frio e tenciona os músculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite insone.&lt;br /&gt;Há alguém olhando do escuro para o dentro.&lt;br /&gt;- É que me dói, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de novo em dias quentes. Algo que não pronunciaremos em voz alta, mas calamos em nossos olhares.&lt;br /&gt;Há algo de novo em dias quentes e não ousaremos quebrá-lo com uma traição audível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardamos nossas facas para silenciar-nos.&lt;br /&gt;Guardamos nossas armas para ferir uns aos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serpentes entrelaçadas num coitomorte.&lt;br /&gt;Uma dança da desvida.&lt;br /&gt;Um rito de sangue e um pacto de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo, às vezes, é menor que a desconfortável luz que brota no centro do peito. Um sol friorento e azulado que empalidece a pele e aperta o estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vê? Primeiro uma perna treme sem que seja sentida; depois todo o corpo acompanha.&lt;br /&gt;Primeiro a perna, depois as duas e então o tronco e os braços e a língua encarcerada numa boca rígida de mandíbulas cerradas.&lt;br /&gt;Por último a mastigação e a digestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de novo em dias quentes.&lt;br /&gt;Algo que não permitiremos que fuja nem que morra.&lt;br /&gt;Algo que repartiremos como irmãos e partiremos em pedaços pequenos que caibam na boca.&lt;br /&gt;Algo que levaremos ao café para que se torne aprazível ao paladar e possamos comer sem remorso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de gasto e eternamente novo em dias quentes.&lt;br /&gt;Há algo de alcova na pele.&lt;br /&gt;Um cheiro quente e modorrento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não ousaremos traí-lo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-7439227941229626049?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/7439227941229626049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=7439227941229626049' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/7439227941229626049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/7439227941229626049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2009/01/renovvel.html' title='Renovável'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4289670510089961991</id><published>2008-12-16T19:58:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T20:10:09.065-08:00</updated><title type='text'>Lillith</title><content type='html'>A ti,&lt;br /&gt;Que de todos os pedaços, despedaça-me em menores ainda.&lt;br /&gt;Que de todos os desejos, metamorfoseia-me em grandezas que desconhecia.&lt;br /&gt;Que de tudo que sou, ainda mais, mesmo que aos poucos, mesmo que forte, mesmo que grande, mesmo que cansada, entediada, Viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ti,&lt;br /&gt;Que se cansa e descansa com a leveza de um sono de tarde.&lt;br /&gt;Que chora à noite, sorri de dia e não sabe saber mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se mostra sem rosto, sem lágrimas; nua.&lt;br /&gt;Que toca e transtorna o monstro-eu-que-nunca-senti.&lt;br /&gt;Que mata e resgata os choros em colos.&lt;br /&gt;Que recolhe e, enfim, cura as dores, tão mais minhas que do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que esperneia infâncias e que derruba fronteiras do além-ver.&lt;br /&gt;Ácidos e bases da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ti,&lt;br /&gt;A quem foi prometida as terras de velhos mundos, velhas fronteiras sem terras e pomares frutíferos de frutas que não provarei.&lt;br /&gt;Que repete mantras sem cor-nem-sabor, e que vela noites claras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem primeiro foi sono, depois insônia e depois puro amor.&lt;br /&gt;A quem foi primeira e segunda e então ensolarados sábados preguiçosos e lentos domingos.&lt;br /&gt;A quem foi dado o tesouro, e que não o escondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ti,&lt;br /&gt;O amor que prometeram a Adão e Eva e esconderam por mero capricho de uma culpa suculenta e velada:&lt;br /&gt;- Temos vergonha, Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ti perdões e maravilhas.&lt;br /&gt;Mares, Ares e Afrodite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ti, enfim,&lt;br /&gt;Meu eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-4289670510089961991?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/4289670510089961991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=4289670510089961991' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4289670510089961991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4289670510089961991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/12/lillith.html' title='Lillith'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1372929787479619086</id><published>2008-12-14T05:47:00.000-08:00</published><updated>2008-12-14T06:02:30.983-08:00</updated><title type='text'>Dentro do Arco-íris</title><content type='html'>Arrancar do peito essa noite que canta para poder sentir esse silêncio descantado e descampado onde a fera me enxerga de olhos viventes e carnifissantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incendiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraça-me com suas garras flamejantes nesse incêndio de savana.&lt;br /&gt;Nessa dança-da-chuva-que-não-cai-nem-pára.&lt;br /&gt;Nessa morte-da-vida-que-não-sobe-nem-cansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa forca pendular que treme e convulsiona o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estou pronto ainda&lt;br /&gt;Abrir os olhos, encontrar-se e compreender-se como um simples descontinuar de pensar e dormir. E viver apenas no intervalo dos sonhos.&lt;br /&gt;Nos espaço aberto entre um olho e a vista;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fluxo de pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem, som e significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cérebrismo.&lt;br /&gt;Abrircabeçasecomeroquenãosepodevêr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrircabeças&lt;br /&gt;e ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrancar da noite esse sol que não queima.&lt;br /&gt;Arrancar do sol essa vida que não morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrancar esse algo que rasteja e sobrevive, formigamento da membrana que une o que não pode ser resgatado.&lt;br /&gt;Arrancar de mim esse pedaço rejeitado. Alma de abortado, dirão.&lt;br /&gt;Eu não refutarei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não...&lt;br /&gt;Não...&lt;br /&gt;Não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fragment&lt;br /&gt;ar&lt;br /&gt;,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emergir&lt;br /&gt;Respirar&lt;br /&gt;Eu não vi isso chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era incêndio e agora inundação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afogamento.&lt;br /&gt;Fotosensibilidade.&lt;br /&gt;Fogo sob a água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debater de braços&lt;br /&gt;Respirar água&lt;br /&gt;Tossir vento&lt;br /&gt;Mudar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha então&lt;br /&gt;E me abraça com esses dentes&lt;br /&gt;Eu não estou pronto ainda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1372929787479619086?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1372929787479619086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1372929787479619086' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1372929787479619086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1372929787479619086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/12/dentro-do-arco-ris.html' title='Dentro do Arco-íris'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2762794715521244039</id><published>2008-11-29T10:11:00.000-08:00</published><updated>2008-12-06T15:54:21.434-08:00</updated><title type='text'>Eclesiaste</title><content type='html'>Que estou prestes a vomitar, todos já sabem.&lt;br /&gt;Que estou ácido, morno, trêmulo: todos já sabem.&lt;br /&gt;O que fazer de mim que seja novo?&lt;br /&gt;O que fazer de mim que seja arrebatador, quente ou frio?&lt;br /&gt;O que fazer que abrace, morda e rosne?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que estou prestes a conceber um sol todos já viram.&lt;br /&gt;Que estou ajoelhado em medos e meios de morte, de alguma forma já anunciaram.&lt;br /&gt;E o que fazer que se sinta e se sirva de banquete aos ávidos e de água aos sedentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma festa de saciados.&lt;br /&gt;Uma festa de sacrifícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não sei gritar, que não tenho mão, nem pé, nem arma, nem alvo:&lt;br /&gt;Todos já sentiram.&lt;br /&gt;Não há ameaça, então passam por mim sorrindo.&lt;br /&gt;Não há jogo, então continuam.&lt;br /&gt;Não há sentido em fazer diferente.&lt;br /&gt;Mas o que sentir que já não tenhamos profanado ou ofendido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que criar que não seja uma torre de salvaguarda?&lt;br /&gt;Que pedras empilhar para que não formem um novo castelo da salvação onde esconderei mais tesouros do óbvio, pérolas pálidas que chamei de alma...&lt;br /&gt;O que dizer que não seja só ruminamentos de outros ontens onde dissemos coisas melhores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que santificar que já não tenhamos desejado sujo?&lt;br /&gt;O que maltratar que já não tenhamos amado antes?&lt;br /&gt;O que contradizer e odiar, odiar mais, que já não tenha sido eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vaidade, tudo é vaidade.&lt;br /&gt;Grita o velho Eclesiaste estúpido de um tempo sem sábios.&lt;br /&gt;- Vaidade, tudo é vaidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas meu coração não serve para metáforas, porque não há sorriso que seja o bastante para atingir o que quer que sangre.&lt;br /&gt;Meu coração não agüenta metáforas para si, porque não há mundo que seja pequenogrande o bastante para ser abraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nós já compreendemos as vaidades e é hora de alcançar algo ainda menor.&lt;br /&gt;Menos algo e mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos nada e nada então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2762794715521244039?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2762794715521244039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2762794715521244039' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2762794715521244039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2762794715521244039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/11/eclesiaste.html' title='Eclesiaste'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-779131615078494825</id><published>2008-11-21T07:13:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T07:25:22.693-08:00</updated><title type='text'>Micropoemas e outras minimortes</title><content type='html'>Faculdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler ler ler ler&lt;br /&gt;Ler&lt;br /&gt;ler ler ler ler&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L.E.R&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Por Tito de Andréa e Lucas Dib)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotograma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto pesa&lt;br /&gt;A luz&lt;br /&gt;De meus reflexos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer,&lt;br /&gt;Cada vez&lt;br /&gt;Menos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rimbaud&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passar os dias&lt;br /&gt;Como quem come&lt;br /&gt;Trechos do inferno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In-Tranqüilidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da vista&lt;br /&gt;Apenas vejo&lt;br /&gt;O antiverso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cidademundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das vistas que ninguém viu&lt;br /&gt;Eu também&lt;br /&gt;Não vivi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forjar,&lt;br /&gt;Com um martelo,&lt;br /&gt;Um ídolo&lt;br /&gt;Indolatrável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gênese&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morde a maçã&lt;br /&gt;E cria&lt;br /&gt;Uma serpente&lt;br /&gt;Uma mulher&lt;br /&gt;Um Deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Multialma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ser só&lt;br /&gt;Apenas&lt;br /&gt;Ser também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atlas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos joelhos&lt;br /&gt;O peso&lt;br /&gt;Do céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cidadessanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Beat&lt;/span&gt;fica&lt;br /&gt;A alma&lt;br /&gt;Das luzes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fantasma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu espectro&lt;br /&gt;Jejua&lt;br /&gt;Na janela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo por Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-779131615078494825?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/779131615078494825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=779131615078494825' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/779131615078494825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/779131615078494825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/11/micropoemas-e-outras-minimortes.html' title='Micropoemas e outras minimortes'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8758195662396277765</id><published>2008-11-18T06:20:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T06:22:29.187-08:00</updated><title type='text'>Bola-e-corrente</title><content type='html'>Foi isso que eu trouxe.&lt;br /&gt;Essa alma efervescente, essa luz inversa, essa dor de parto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isso que eu venho carregando, dia-após-noite-sem-dormir, entre os braços e a pele.&lt;br /&gt;Essa intoxicação, essa mancha, esse som fino sem voz; rouquidão e espasmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A traição de meus pais para com a carne-santa que há na terra;&lt;br /&gt;É isso que eu tenho aqui.&lt;br /&gt;Amarrado bola-e-corrente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sangue e pele.&lt;br /&gt;A carne; vomitei pelos olhos regurgitantes-de-luz.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a hora do sol-reverso-chuvoso que cega a claridade.&lt;br /&gt;Olhos de sombra-carnívora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isso que eu trouxe tatuado na morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso que eu tenho liquefeito no meu peito.&lt;br /&gt;É isso que eu alimento com pedaços amados e amargos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ineficiência e acidez no meu estomago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha chuva poluída, minha descrença insuficiente.&lt;br /&gt;Meu indiferente desejo que não arde-nem-queima nada agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso que eu levo.&lt;br /&gt;E desisto de depositar aos teus pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me valeram de nada quando eu estava humilhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8758195662396277765?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8758195662396277765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8758195662396277765' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8758195662396277765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8758195662396277765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/11/bola-e-corrente.html' title='Bola-e-corrente'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5399137798315745730</id><published>2008-10-27T14:53:00.000-07:00</published><updated>2008-10-27T14:59:23.670-07:00</updated><title type='text'>In Finitude</title><content type='html'>Antes de entrar no luminoquarto onde sangrei o resto de meu nome, tire os sapatos.&lt;br /&gt;Despudorados pés impudicos para estuprar a terra e manchar o sujo.&lt;br /&gt;Desavergonhados pés para dançar e celebrar a frágil sangria que comemorei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de entrar no recinto luminoso onde depenei minha alma e quebrei seu pescoço convulsivo, retire-se de si.&lt;br /&gt;Desmaculado corpo orgíaco para fecundar a carne e embotar o barro.&lt;br /&gt;Desmaculado corpo de meus dias.&lt;br /&gt;Todo sujo de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de romper o hímen de minha vista. A fina,vibrante e inocente película que envolve e apazigua o pecado.&lt;br /&gt;Antes de rompê-lo...&lt;br /&gt;Ama-me...&lt;br /&gt;Antes de romper&lt;br /&gt;Abraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de sentir o frígido tremeluzir de meus orgasmos, antes de soprar e cortar o fio da vela, antes de morrer uma justa e memorável vida, arranca os tendões da carne e deita ao chão tua pele; que te quero sem mácula.&lt;br /&gt;Que te quero sem mancha.&lt;br /&gt;Que te quero sem alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de deitar teu nome morno ao mármore, depõe contra a corda neural de teu feto, depõe contra a espinha de tua mãe, mata e marca teu Abel.&lt;br /&gt;Caim&lt;br /&gt;E Adão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de lançar teu resto de morte às mãos do feitor, tira fora os sapatos.&lt;br /&gt;Tira fora os sapatos e entra em minha festa viva e pulsiforme.&lt;br /&gt;Há penas neurais após.&lt;br /&gt;Há dores temporais após.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tira fora teus sapatos e suja teus pés no caldo primordial que inunda tua casa.&lt;br /&gt;Nesse sangue que escrevemos e que já lavou as ruas tantas vezes.&lt;br /&gt;Nessa irmandade siamesa que temos com o mundo.&lt;br /&gt;Abraça a membrana venosa que te liga ao teu canceroso irmão.&lt;br /&gt;Melhor morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de enfim dizer que está pronto;&lt;br /&gt;Rompe as cortinas de tuas costelas,&lt;br /&gt;Rompe as retinas de tuas manhãs.&lt;br /&gt;E encara&lt;br /&gt;A infinita mortalha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobre tua nudez e vai;&lt;br /&gt;Descalço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5399137798315745730?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5399137798315745730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5399137798315745730' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5399137798315745730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5399137798315745730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/10/in-finitude.html' title='In Finitude'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-3089663627827836506</id><published>2008-10-22T11:33:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T11:34:30.233-07:00</updated><title type='text'>Almar</title><content type='html'>Não qualquer um.&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Pegue minha mão e venha para que eu mostre o que está desperdiçado.&lt;br /&gt;Amor e sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As portas da percepção,&lt;br /&gt;Blake diria,&lt;br /&gt;São infinitamente finitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Microcosmo.&lt;br /&gt;Macropoesia.&lt;br /&gt;Micro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só crê&lt;br /&gt;Quem vendo&lt;br /&gt;Escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma alma aveludada e jardinflorida.&lt;br /&gt;Uma alma.   &lt;br /&gt;Lamalmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma alma armada e pronta&lt;br /&gt;Sempre pronta&lt;br /&gt;Para o despreparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma alma cemitério&lt;br /&gt;De portões&lt;br /&gt;Sempre&lt;br /&gt;Rangentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não qualquer um.&lt;br /&gt;Não Pensamento agora quando tudo é Tato.&lt;br /&gt;Não Sono agora quando tudo é Sol.&lt;br /&gt;Não Sombra agora.&lt;br /&gt;Não Saber agora.&lt;br /&gt;Não agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dulcíssimo.&lt;br /&gt;Superlativíssimo.&lt;br /&gt;Moisés abrindo as cortinas do sangue.&lt;br /&gt;Moisés chovendo pão do céu para alimentar o bezerro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi primeiro.&lt;br /&gt;Eu toquei primeiro.&lt;br /&gt;Eu fui antes.&lt;br /&gt;Eu&lt;br /&gt;Amei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não qualquerum.&lt;br /&gt;Qualquer um agora que a hora é má.&lt;br /&gt;Vamos em má hora.&lt;br /&gt;Vamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para qualquer coisa que se&lt;br /&gt;Pinte&lt;br /&gt;E pense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tartarugas são feitas de&lt;br /&gt;Carne e&lt;br /&gt;Cascas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não qualquer um.&lt;br /&gt;Abrir a mão&lt;br /&gt;E nãosabersol da sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saber o&lt;br /&gt;Não ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não Morte agora que tudo é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-3089663627827836506?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/3089663627827836506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=3089663627827836506' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3089663627827836506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3089663627827836506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/10/almar.html' title='Almar'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5741172559201394763</id><published>2008-10-06T13:24:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T13:27:15.996-07:00</updated><title type='text'>Liana</title><content type='html'>Perdi-me em ti&lt;br /&gt;Em tuas curvas e luas&lt;br /&gt;Em tuas unhas e dedos&lt;br /&gt;Meus medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi-me em ti&lt;br /&gt;Em teus sóis e anzóis&lt;br /&gt;Teus seios e anseios&lt;br /&gt;Meus dedos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi-me em ti&lt;br /&gt;Em teus cabelos e pêlos&lt;br /&gt;Teus olhos - iluminando minha solidão&lt;br /&gt;Meus mortos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi-me em me encontrar em ti&lt;br /&gt;E apenas encontrei-me mais e ainda mais&lt;br /&gt;Pois em ti há&lt;br /&gt;Aquilo que não vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu eu no teu&lt;br /&gt;E de mim a ti&lt;br /&gt;Pois de mim, em mim&lt;br /&gt;Apenas sobra&lt;br /&gt;Você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5741172559201394763?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5741172559201394763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5741172559201394763' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5741172559201394763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5741172559201394763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/10/liana.html' title='Liana'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4299613027033641213</id><published>2008-09-24T10:45:00.000-07:00</published><updated>2008-09-24T12:40:18.288-07:00</updated><title type='text'>Bosqueletras</title><content type='html'>&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Só para ver,&lt;br /&gt;Se uma vez,&lt;br /&gt;O medo vira sangue, e, virado em sangue, mata e remarca todas as castas corpóreas de minhas mãos. E renasce num reencarnado deus cordecarneviva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;Porque...&lt;br /&gt;Por que eu?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho de estar amalucado e despudorado; nu, na lodosa romaria dos idênticos, na reza dos sorridentes, à mesa dos realizados, fartos, saudáveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não, não eu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Que me sento, sem nem ao menos uma ruga, no meio das árvores gramíneas e assisto passaropoemas com olhos lagrimejantes e prefiro isso a viver cheio de eus e cheio de fatos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fotossecção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Eu espinhoflor nado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Eu não nomidentidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Eu só saberquedar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu, que tenho mil nomes silenciados nos meus sussurros barulhentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não enxergue.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Não busque.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Não se importe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;N&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;U&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;N&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;C&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;A&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu que tenho um mantra apenas de ossos e lodo.&lt;br /&gt;Que transcendo da lama para o barro e do barro para a care.&lt;br /&gt;Apenas para compreender&lt;br /&gt;Que o ciclo é carnelamabarrocarnelama.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Budismoderno.&lt;br /&gt;Desagregação.&lt;br /&gt;Desidentificação.&lt;br /&gt;Pensamenticídio.&lt;br /&gt;Amorticida.&lt;br /&gt;Cocaínossanto.&lt;br /&gt;Beatificado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- tome doutor, essa tesoura -&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu não estou identificado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eles correm e eu ando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Ando ando ando ando ando ando ando ando ando ando&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;div style="text-align: center; font-weight: bold;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-weight: bold;"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;A&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;                  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;G &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;                &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;O&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;                 &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;R&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;                 &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;A&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt; A&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;M&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;O&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;R&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;T&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;E&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;C H O R A&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Um chuvoso sorriso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu não estou identificado.&lt;br /&gt;Santificado.&lt;br /&gt;Crucificado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu que não me sento&lt;br /&gt;Num bosqueletras com a boca escancarada cheia de páginas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;E não quero que me chamem pelo nome.&lt;br /&gt;Meu nome é:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não&lt;span style="font-size:100%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tito de Andréa&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-4299613027033641213?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/4299613027033641213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=4299613027033641213' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4299613027033641213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4299613027033641213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/09/s-para-ver-se-uma-vez-o-medo-vira.html' title='Bosqueletras'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-3815040412699650054</id><published>2008-08-19T15:57:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T16:20:42.630-07:00</updated><title type='text'>Deserto</title><content type='html'>Estou cá.&lt;br /&gt;Estrangeiro em minha própria casa, encolhido, encurvado, assustado e escurecido. Estrangeiro mercante que negocia em outra língua e em outra moeda, pobre e pacato, aprisionado dentro de sua linguagem estranha à terra em que chegou. Assim, estou cá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estou cá, feio, sujo, oleoso, suado e dolorido. De olhos secos, sem lágrimas nem pra impedir as pálpebras de arranharem os olhos quando eu pisco; nem pra me dar um ar de sentimental e, com isso, me conquistar umas migalhas de amor desgastado e vendido.&lt;br /&gt;- Uma esmola, por caridade, um resto de amor e ouvidos para um desajustado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Assim. Patético e parido estou cá. Risível de forma tamanha que, até eu, rasgo a boca a rir de mim e de meus ranhosos lamaçais de caridade piedosa. Assim, migalhento e redundante, eu rolo e deito diante de minha cruz de reclamações e berro que não.&lt;br /&gt;- N Ã O.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Assim. Como quem levanta sem mais tempo pra si, como quem sabe o que deve saber e sabe que deve saber que sabe. Assim, como quem repete que não há mais tempo para autopiedade de bêbado, viro uma e mais uma e mais uma e mais uma e mais uma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Não tem tempo. Não tem tempo. Não tem tempo. Não tem tempo. Não tem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas não era isso que eu queria te falar, não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Não era isso que eu tinha hoje pra te dar. Então se sente aqui do meu lado, e abre as orelhas, olhos e narinas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Que o que eu tinha pra te contar eu comecei a contar antes de você chegar, e você pegou a história pela metade...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Que o que eu queria te dar de presente eu dei pro vento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Que o que você perdeu você acha ali, debaixo daquele pano, debaixo daquele pano ali.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas não era isso que eu queria te falar não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Então espere e receberás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;O que eu queria te dizer é o que eu venho dizendo sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Que sempre é uma palavra que me perseguiu eternamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Que eterno só o meu peso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E a leve, leve, mais que leve, perda que eu embalo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;Que eu fico aqui, sabendo que entôo um antimantra da salvação, que debulho o terço dos leprosos e a novena dos epiléticos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Que eu fico aqui. Mesmo sabendo que a fumaça que exala meu insenso é fétida e desagrada ao meu Deus vermelho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E o desagrado é a minha oferenda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Aprende a ser Eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;Que o que eu queria te dizer eu disse pra todo mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E que pra você só sobrou minha lamuriosa procissão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Minha romaria dos cansados, com velas velhas e música escura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Então me abrace e me carregue. Me leva nos braços, pelos barrancos e abraços.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;E que eu fico aqui mesmo, mesmo sem voz e lágrima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Que eu montei num camelo sedento e me conduzi feito mercador árabe até as muralhas de meu lar. E estendi o deserto até minha morada e agora me perdi aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Aqui sou um estranho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal"&gt;E era isso que eu tinha pra te dizer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E era isso que eu tinha pra depositar no altar que você construiu aí.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E era isso que eu tinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E agora não mais tenho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;E agora apenas&lt;br /&gt;Estou cá.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tito de Andréa&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-3815040412699650054?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/3815040412699650054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=3815040412699650054' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3815040412699650054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3815040412699650054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/08/deserto.html' title='Deserto'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-3123439587227847092</id><published>2008-08-12T18:06:00.000-07:00</published><updated>2008-08-12T18:14:48.656-07:00</updated><title type='text'>Caravana</title><content type='html'>O poema é um animal morto&lt;br /&gt;O poema é um camelo com sede&lt;br /&gt;O poema vagou por meses no deserto quente&lt;br /&gt;Carregando nas costas os mantimentos da caravana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema é uma carcaça exposta ao sol&lt;br /&gt;O poema é uma fria e feliz oferenda aos comensais&lt;br /&gt;O poema deitou-se para dormir&lt;br /&gt;E não se levantou jamais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema é um esquálido esqueleto&lt;br /&gt;O poema é uma árida e infértil paisagem&lt;br /&gt;O poema se esparrama em forma de deserto esperante&lt;br /&gt;E anseia pela chuva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema é um resto desbotado&lt;br /&gt;O poema é um preguiçoso predador acuado&lt;br /&gt;O poema é uma serpente suicida, que morde a si mesma&lt;br /&gt;E morre poema, a perda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-3123439587227847092?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/3123439587227847092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=3123439587227847092' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3123439587227847092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3123439587227847092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/08/caravana.html' title='Caravana'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5221398176100895883</id><published>2008-08-06T12:10:00.001-07:00</published><updated>2008-08-06T12:10:47.877-07:00</updated><title type='text'>Micropoemas e outras faces subcutaneas</title><content type='html'>Amarelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui,&lt;br /&gt;Homens vermelhos&lt;br /&gt;Amam suas correntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autodesconhecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A larva&lt;br /&gt;Que acreditava se tornar borboleta,&lt;br /&gt;Transformou-se&lt;br /&gt;Em mosca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ovo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui dentro&lt;br /&gt;A dança&lt;br /&gt;da gema&lt;br /&gt;infecunda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dominós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vida que consiste em não ferir"*&lt;br /&gt;Ou ferir&lt;br /&gt;Apenas a si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autodesconstrução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela beleza&lt;br /&gt;Que há&lt;br /&gt;Nas ruínas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque facas&lt;br /&gt;Mesmo cegas&lt;br /&gt;Cegam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idéias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assombram&lt;br /&gt;A noite&lt;br /&gt;Como rostos&lt;br /&gt;Nas cortinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ratos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ossos e olhos&lt;br /&gt;Dentes.&lt;br /&gt;Ratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lobo da Estepe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me assuto.&lt;br /&gt;Não falta muito tempo&lt;br /&gt;Para os cinqüenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caem do colar&lt;br /&gt;Teus olhares&lt;br /&gt;De contas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há&lt;br /&gt;mor&lt;br /&gt;te&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo&lt;br /&gt;---------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas marés&lt;br /&gt;Da vívida praia&lt;br /&gt;Um deserto&lt;br /&gt;Todo de vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Azul e cinza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque eu quase...&lt;br /&gt;Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* trecho da música "Dominoes" de Syd Barrett.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos por:&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5221398176100895883?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5221398176100895883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5221398176100895883' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5221398176100895883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5221398176100895883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/08/micropoemas-e-outras-faces-subcutaneas.html' title='Micropoemas e outras faces subcutaneas'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5947192684021782238</id><published>2008-08-02T08:09:00.000-07:00</published><updated>2008-08-02T08:24:59.062-07:00</updated><title type='text'>O Barqueiro e o barcante.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Os dez anos foram os piores.&lt;br /&gt;Creio que os fazem assim a fim de desencorajar uma revoltosa volta. Dez anos, na companhia daquele terrível demônio, me foram mais que suficientes para abandonar qualquer desejo de vê-lo uma vez mais. Na verdade, à primeira vista abandonei qualquer desejo de liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Caronte” disseram-me que deveria chamá-lo e Caronte o chamei. Paguei-lhe com uma rica moeda e seu penitente sorriso foi-me dado pela primeira vez. Meu primeiro castigo, meu primeiro pesar, minha primeira dor. Seu raquítico e mesquinho sorriso.&lt;br /&gt;Parecia satisfeito e pleno. Não só com seu pagamento - não isso era o menor - mas com meu martírio.&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Deixem-me, por favor, ser mais claro.&lt;br /&gt;Morri.&lt;br /&gt;De minha vida-de-vivo pouco trago em lembranças. Apenas sei que fui luxurioso, avaro, e sanguinolentamente irado. Fui desregradamente vivo e merecidamente punido, dirão aqueles que se salvaram. Mas eles não sabem da penitencia desumana de passar os primeiros dez anos na barca.&lt;br /&gt;Dez miseráveis anos. Dez, contados segundo-a-segundo a partir do primeiro sorriso.&lt;br /&gt;E, meus aflitos e amados irmãos, eu vos asseguro: nunca parou de sorrir, o maldito.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era feio e belo ao mesmo tempo. Enigmático. Andrógino, de feições finas e magras. Sem pêlos, pálido e esverdeado. Olhos fundos e sem cor. Pele suada, sempre úmida, como a de um sapo.&lt;br /&gt;Suas roupas, ironicamente, me lembravam a dos padres franciscanos. Marrom, de tecido rude e feio. Sujo.&lt;br /&gt;Seus dentes eram amarelos e sua boca, ressecada e encurvada, ria sem mostrar os dentes – mostrar os dentes era para os momentos especiais, para ele, e era sempre pior -, mas sempre numa respiração pesada e ruidosa. Como um eterno asmático feliz.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Feliz! Era isso que ele era. Feliz.&lt;br /&gt;Nunca em minha vida havia eu presenciado tamanha demonstração de contentamento e felicidade. Real felicidade. E isso tornava tudo pior. Apenas me afligia e me dilacerava a alma.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Alma? Há alma na barca? Há alma que resista diante da vista do barqueiro? Diante de sua sombra? Há alma que possa sobreviver ao percurso do rio? Não. Aqui não há alma. Aqui há qualquer coisa além.&lt;br /&gt;Porque não é possível que o humano Fio Divino seja mantido aqui ou na barca.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Alma não. Aqui resta só o corpo. Só a força do corpo, que, sem alma, é muito mais forte. Muito além do homem.&lt;br /&gt;O Divino que conheci, que pude ser foi esse Ser sem alma.&lt;br /&gt;De corpo e corpo eu te digo: Não.&lt;br /&gt;Não renunciaria a esse conhecimento.&lt;br /&gt;Mas apenas a ele me apego. E dele apenas faço minha recompensa.&lt;br /&gt;Mas ela não me paga aqueles dez anos contados-a-dedo. Não me paga nem o primeiro sorriso. Nem o primeiro calafrio&lt;br /&gt;Talvez tenha sido melhor não ter sabido de nada. Abandonar.&lt;br /&gt;Talvez...&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lembro-me, também, que ao longo do rio fui procurando pelo animal canino de três cabeças. Isso foi no quinto ano. Antes disso eu ia olhando a água escura e profunda do Aqueronte. E uma vez – no quinto dia do terceiro ano – cedi a tentação de tocar a água, enfiar a minha mão nela. Mas, um pavoroso peixe surgiu e quase arrancou minha mão.&lt;br /&gt;O maldito deliciou-se  numa tossida e babada protogargalhada. Odiei-me naquele momento e imaginei como seria atirar-me ao rio, ao peixe, e terminar meu tormento.&lt;br /&gt;Mas não. Não. Ele adoraria. Riria como nunca. E isso seria o pior.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fiquei a observar as águas ainda por mais dois anos. Notei que o peixe nos acompanhava. Às vezes era possível ver suas verdes escamas brilhando sob a água.&lt;br /&gt;No quinto ano, como dizia, abandonei o peixe para preocupar-me com algo mais claro, mais belo, algo que fosse encher-me de terror e reverencia. Algo que valesse ver.&lt;br /&gt;Cérbero, o poderoso cão infernal de três cabeças.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E eu mantinha os olhos abertos por dias sem piscar. Apenas para não perder o prazer de ver, pela primeira vez seu majestoso corpo.&lt;br /&gt;E a busca e a espera e a apreensão quase me faziam esquecer a presença raquítica e o hálito gelado do barqueiro, que não parava de sorrir.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;E foram mais três anos de espera. Até o terceiro sorriso-com-dentes do barqueiro.&lt;br /&gt;E foi a primeira vez que ouvi sua voz.&lt;br /&gt;E era seca e corroída. Corrosivamente direta, como se viesse para a alma, mas como só encontrava carne e mais carne então, cortava e sangrava tudo que podia.&lt;br /&gt;E ele disse:&lt;br /&gt;- Está procurando pelo cão?&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fiquei em choque. Paralisado. Tremia e morria a cada segundo. Escutar aquela voz. Aquela voz maldita, escutar aquilo foi meu castigo maior.&lt;br /&gt;Não respondi. Depois de seis dias pude balançar a cabeça na esperança de que ele não falasse mais. Mas ele riu e continuou.&lt;br /&gt;- Não há cão. Não há cão de três cabeças. Não há nem portão nem diabo. Só há inferno.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tremi, mastiguei a língua, tentei arrancar as orelhas e os cabelos e ele ria, Ria e gritava e se batia.&lt;br /&gt;E foi pavorosamente lento e doloroso o resto do tempo que passei na barca.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ah, mas foi o deleite e a paz quando desci.&lt;br /&gt;E ninguém mais saberá o prazer que é livrar-se das frias circundancias do barqueiro.&lt;br /&gt;Era feia, fria e sinistra a terra e havia escuridão e lágrimas, não me entendam mal.&lt;br /&gt;Mas era melhor que o céu em si o prazer de livração.&lt;br /&gt;Era e É o terror e a dor, aqui. Mas nada pior que lá.&lt;br /&gt;E foi vitória para minhas derrotas quando vi os olhos descoloridos do barqueiro ficando vagos e perdendo seu foco. Como alguém que perde algo muito amado e percebe que não o verá jamais.&lt;br /&gt;E eu venci.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;E, agora posso perceber, que esses primeiros dez anos de travessia não foram para me impedir de voltar, mas para fazer-me amar e cuidar de minha terra.&lt;br /&gt;Voltar a barca seria o inferno real.&lt;br /&gt;Aqui sim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Feliz e calmo tormento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5947192684021782238?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5947192684021782238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5947192684021782238' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5947192684021782238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5947192684021782238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/08/o-barqueiro-e-o-barcante.html' title='O Barqueiro e o barcante.'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8996549431578629609</id><published>2008-07-26T14:21:00.000-07:00</published><updated>2008-07-26T14:30:15.382-07:00</updated><title type='text'>Terminal</title><content type='html'>Ao acaso meu bem amado ser.&lt;br /&gt;Das palavras ao vento resgato:&lt;br /&gt;Um eco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem dito e bem mentido, meu amigo.&lt;br /&gt;Amo e senhor.&lt;br /&gt;Andemos de olhos vigilantes e de camas desfeitas.&lt;br /&gt;Em chamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos? Não, apenas antenas.&lt;br /&gt;Nem língua, apenas pele.&lt;br /&gt;Sinta o gosto, homemsapo. O ar está por toda parte.&lt;br /&gt;Fede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não há mais tempo para a compreensão que isso poderia te dar.&lt;br /&gt;Nem nirvana nem Buda.&lt;br /&gt;Apenas as perdas doloridas da meditação cansativa.&lt;br /&gt;Meses sem comer tiraram as carnes dos seus ossos e depois os ossos da sua pele e agora você é só fraqueza e arrependimento.&lt;br /&gt;Não há mais tempo para iluminação.&lt;br /&gt;Chamaremos então seus meses debaixo da árvore sagrada de loucura e você poderá ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Máquinas e imagens.&lt;br /&gt;Fria e barata prostituta de lábios vermelhos.&lt;br /&gt;Sexo e mais sexo então.&lt;br /&gt;Você chegou a sentir algo pelo menos?&lt;br /&gt;Chegou a sentir nojo?&lt;br /&gt;Chegou a chegar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de vomitar você teria algo a dizer?&lt;br /&gt;Jogar uma moeda no palco onde ela dança nua, subir e falar sobre Deuses e monstruosos pecados fatigados? Falar de suor e de lágrimas. Ranger de dentes?&lt;br /&gt;Antes de ir você teria algo a dizer?&lt;br /&gt;Uma esmola para um inválido?&lt;br /&gt;Um olhar para o sofrido?&lt;br /&gt;Um momento para o divino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ir.&lt;br /&gt;Antes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você ama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8996549431578629609?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8996549431578629609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8996549431578629609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8996549431578629609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8996549431578629609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/07/terminal.html' title='Terminal'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2380595549507371673</id><published>2008-07-14T17:21:00.000-07:00</published><updated>2008-07-14T17:38:19.427-07:00</updated><title type='text'>Colapso</title><content type='html'>Deve haver dentro. Algo universal há.&lt;br /&gt;Por favor, Senhor, se há, saia de mim. Porque preciso saber se além da dor da fria poesia corrosiva que prometi existe algo, pois, Senhor, duvido. E deixo a dúvida ser minha Deusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Pega-me, Senhor, pela mão e me guia para perto.&lt;br /&gt;Já que falei do centro da vida, do centro da alma, do centro sujo da poesia onde eu arrisco minha vida, onde eu arrisco minha alma e arrisco meu Deus.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Há vida além de mim me contaram, mas eu ignorei quando o menino me falou.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dentro do outro há o outro.&lt;br /&gt;Mas no outro não há.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- PAUSA –&lt;br /&gt;Na minha morte eu vivi&lt;br /&gt;- PAUSA –&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Um milhão de abelhas zumbirão, mas eu sempre direi.&lt;br /&gt;De todas as minhas palavras – a minha favorita – aquela que meu corpo canta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: center; font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;NÃO&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center; font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;D    &lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;E&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;    S&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;    C    O    N    H    E    C    I    M    E    N    T    O&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center; font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; font-style: italic;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;centro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: center; font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;DESVIDA&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;D                 E                                            U                                            S&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;          &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não viva&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;em mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Palavras do sonho:&lt;br /&gt;Não chore silencioso.&lt;br /&gt;Não morra quieto.&lt;br /&gt;Não viva fumacento.&lt;br /&gt;Não seja.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;Deus de mim eu vi no espelho de tua face.&lt;br /&gt;E morte fui.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nos momentos divinos de mim:&lt;br /&gt;Carnificinamente comológico.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;Deus, livra-me dos pecados da carne.&lt;br /&gt;Livra-me de riscar papéis com algo que não entenderei.&lt;br /&gt;Deus, escuta-me.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Escuta-me.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=""&gt;Escuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2380595549507371673?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2380595549507371673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2380595549507371673' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2380595549507371673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2380595549507371673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/07/deve-haver-dentro.html' title='Colapso'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5604711019573406653</id><published>2008-06-24T14:11:00.000-07:00</published><updated>2008-06-25T12:33:38.759-07:00</updated><title type='text'>Inmantra</title><content type='html'>Dos frágeis firmamentos que construímos:&lt;br /&gt;os feios e firmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queremos permanecer estanques.&lt;br /&gt;Decadência a todo custo.&lt;br /&gt;Mastigar e tremer.&lt;br /&gt;Mastigar e tremer.&lt;br /&gt;Mastigar e tremer.&lt;br /&gt;Mastigar e tremer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espinhoflor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos frágeis firmamentos que construímos os fortes e infanticidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formicidade.&lt;br /&gt;Cidadicídio.&lt;br /&gt;Embalo os sonhos dos insonambules e dou de mamar às feras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caem céus e pedras.&lt;br /&gt;Mastigar e tremer.&lt;br /&gt;Mastigar&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;temer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há uma verdadeira justificativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5604711019573406653?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5604711019573406653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5604711019573406653' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5604711019573406653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5604711019573406653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/06/inmantra.html' title='Inmantra'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5313076452237076873</id><published>2008-06-20T18:11:00.000-07:00</published><updated>2008-06-20T18:12:41.260-07:00</updated><title type='text'>Multistrofe</title><content type='html'>Uni&lt;br /&gt;Verso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5313076452237076873?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5313076452237076873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5313076452237076873' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5313076452237076873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5313076452237076873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/06/multistrofe.html' title='Multistrofe'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-3468977461682865780</id><published>2008-06-09T19:33:00.000-07:00</published><updated>2008-06-09T19:35:03.105-07:00</updated><title type='text'>Carma</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a Renan&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Nos palácios&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Ternos, internos&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Um mantra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-3468977461682865780?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/3468977461682865780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=3468977461682865780' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3468977461682865780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3468977461682865780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/06/carma_09.html' title='Carma'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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espuma não babe.&lt;br /&gt;Que cheio de força não quebre, nem cheio de mar não chova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquele que cheio de amor não desmorone e cheio de alma não rasgue.&lt;br /&gt;Porque não conheço sol que se ilumine.&lt;br /&gt;Nem Santo que se salve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só sinto falta da falta.&lt;br /&gt;E sinto farto de homens.&lt;br /&gt;Pois fiz meu banquete nas horas passadas e de humanidade fiz minha casca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6757617738039425318?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6757617738039425318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6757617738039425318' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6757617738039425318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6757617738039425318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/05/deslumiser.html' title='Deslumiser'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2343548248042191058</id><published>2008-05-02T12:44:00.000-07:00</published><updated>2008-05-02T12:45:34.033-07:00</updated><title type='text'>SombreSer</title><content type='html'>Só a sombra sabe&lt;br /&gt;O que é&lt;br /&gt;Não ser&lt;br /&gt;Sol&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2343548248042191058?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2343548248042191058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2343548248042191058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2343548248042191058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2343548248042191058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/05/sombreser.html' title='SombreSer'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8136291141141648777</id><published>2008-04-11T11:34:00.000-07:00</published><updated>2008-04-11T11:40:42.123-07:00</updated><title type='text'>Cabeça de Rádio</title><content type='html'>Vem e me abraça com esses dentes.&lt;br /&gt;E me&lt;br /&gt;Mastiga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repet&lt;br /&gt;ida&lt;br /&gt;mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Des&lt;br /&gt;espera&lt;br /&gt;da&lt;br /&gt;Mente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me esqueça&lt;br /&gt;e  despe-&lt;br /&gt;da-&lt;br /&gt;ça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desespero do corpo&lt;br /&gt;É sempre&lt;br /&gt;Outro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem e me abraça com&lt;br /&gt;Essa vista que não&lt;br /&gt;Se&lt;br /&gt;Sente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me guarda&lt;br /&gt;Entre&lt;br /&gt;Um olho e outro&lt;br /&gt;Olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre&lt;br /&gt;mentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre&lt;br /&gt;tanto&lt;br /&gt;Não estarei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas&lt;br /&gt;Há penas piores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8136291141141648777?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8136291141141648777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8136291141141648777' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8136291141141648777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8136291141141648777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/04/cabea-de-rdio.html' title='Cabeça de Rádio'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1843149833683327296</id><published>2008-03-05T09:32:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T09:37:44.858-08:00</updated><title type='text'>Léxico</title><content type='html'>Todas as palavras gritam seus nomes&lt;br /&gt;E me agarram e atam as mãos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as palavras gritam seus nomes&lt;br /&gt;E me amarram e prendem ao chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as palavras gritam seus nomes&lt;br /&gt;E me esmagam e negam o pão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as palavras gritam seus nomes&lt;br /&gt;E me desgastam e abandonam à solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as palavras gritam seus nomes&lt;br /&gt;E me despedaçam e lançam ao vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1843149833683327296?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1843149833683327296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1843149833683327296' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1843149833683327296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1843149833683327296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/03/lxico.html' title='Léxico'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-3180593398399749695</id><published>2008-02-21T09:13:00.000-08:00</published><updated>2008-02-21T09:15:20.354-08:00</updated><title type='text'>Depassar-se</title><content type='html'>Pé ante pé ante pé.&lt;br /&gt;Passo ante passo após passo, eu passo e continuo e sigo. Nem sempre em frente. Que às vezes me atraso e ando para trás. Que eu caio e salto e nado no ar.&lt;br /&gt;Subo e salto e plano no espaço que se abre e fecha seus dentes diante de mim. Fico preso na boca imensa do peixe que me cospe perdoado. Sem engolir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre em frente, mas às vezes pé ante pé...&lt;br /&gt;Passo a passo o passado fica preso na ponta dos dedos como um cheiro de fumo amarelado e amargo que a gente traga e sopra e sobra em cuspe no chão.&lt;br /&gt;E o chão?&lt;br /&gt;Passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes passar de vez que ficar aqui, arrastado pé ante pé como que acorrentado e violentado, como que indo e não voltando, como quem não quer ver o que olha. Mas olha. Mas vê.&lt;br /&gt;Antes nem passar por nada que andar e (vi)ver de olhos abertos.&lt;br /&gt;Antes nem passar, nascer natimorto. Um aborto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes nem ter pés nem ter voz nem fala.&lt;br /&gt;Antes nem ter dentes nem ter sementes para dividir.&lt;br /&gt;Antes nem ter frente para ir. Assim, nem sempre em frente, iria. Adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes não falar que não saber falar é não saber sentir.&lt;br /&gt;Que só sente o que se fala e pensa.&lt;br /&gt;E se pensa sabe. E saber é doer-se.&lt;br /&gt;E não saber expressar é não saber doer. E não saber é passar.&lt;br /&gt;E passo ante passo eu passo e sigo, nem sempre comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes não ir que subir sobre mim estes degraus de mármore.&lt;br /&gt;Antes olhar o sol queimar o olho que gritar que o olho queima e queimando-se se vive.&lt;br /&gt;Se vive, morre. E se morre, passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes não vir que transpor esta ponte de carne viva.&lt;br /&gt;Antes olhar o frio cobrir o corpo que gritar que o corpo pára. E parando-se se vive.&lt;br /&gt;Se se vive. Morre-se. Passa-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes não estar que chegar aqui neste ponto morto.&lt;br /&gt;Antes encarar o ar que afunda os pulmões que chorar que o pulmão seca. E secando-se é que se morre.&lt;br /&gt;E se morreu.&lt;br /&gt;Passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-3180593398399749695?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/3180593398399749695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=3180593398399749695' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3180593398399749695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/3180593398399749695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/02/depassar-se.html' title='Depassar-se'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-7588988708637391218</id><published>2008-02-14T18:17:00.000-08:00</published><updated>2008-02-14T18:20:05.239-08:00</updated><title type='text'>Afugar-se</title><content type='html'>Ao longe&lt;br /&gt;Há o longe&lt;br /&gt;Onde o longe não se vê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe&lt;br /&gt;Há o perto&lt;br /&gt;Onde o perto não se crê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o vivo&lt;br /&gt;Ao vivo, morto&lt;br /&gt;Morto-vivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao horizonte&lt;br /&gt;Há a noite&lt;br /&gt;À noite, perto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao norte&lt;br /&gt;Há o sul,&lt;br /&gt;Longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o longe&lt;br /&gt;Ao longe&lt;br /&gt;Não tão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-7588988708637391218?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/7588988708637391218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=7588988708637391218' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/7588988708637391218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/7588988708637391218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/02/afugar-se.html' title='Afugar-se'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2998440653959432596</id><published>2008-01-30T07:38:00.000-08:00</published><updated>2008-01-30T08:07:43.778-08:00</updated><title type='text'>Insônia</title><content type='html'>Que eu deito meu fado cefálico sobre um travesseiro e lençóis mornos e todo meu corpo acompanha a dança de misturar-me ao sono e que o sono não vem.&lt;br /&gt;Que eu por completo giro e bailo sobre as tábuas e as tábuas sustentam o chão debaixo de mim, que o chão debaixo de mim foge e me deixa no vazio sonambulinsone e a queda que viria não vem. Fico eu de corpo e lençóis bailando sobre tábuas que não seguram nada e que me abandonam também.&lt;br /&gt;Nu, acordado, só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que estão me perseguindo lá fora.&lt;br /&gt;E olho para o teto escurecido pela noite, e olho para a noite que teima em me sacudir e me gritar silêncio nos ouvidos. E é tão tátil e tão forte o tal silêncio, que meus ouvidos se comprimem para dentro e soam um eterno "oooon" - que é o som que fez o universo surgir, me contaram.&lt;br /&gt;E então o universo faz minha cabeça de útero e eu tenho tanto medo.&lt;br /&gt;Mãe, eu tenho medo do universo explodir em mim e me fazer de Deus.&lt;br /&gt;Mãe, eu tenho medo das pessoas que viverão e adorar-me-ão e crucificar-me-ão. Mãe, você não era virgem, por que eu tenho de ser Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que estou rolando cá dentro de meu peito, e esse leito de carne que me fiz é pequeno e parece um casulo irrigado por veias e mais veias e mais sangue.&lt;br /&gt;Que parece até que o universo está chutando de meu estômago para fora, e sinto que vou vomitar.&lt;br /&gt;E me sento na cama e tenho medo de não ter chão que me esqueço da náusea e da tontura só por medo de cair e não voltar.&lt;br /&gt;Mãe, se tudo explode o que sobra?&lt;br /&gt;Mãe, se tudo explode o que sombra?&lt;br /&gt;As camisas penduradas me dão medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que estão com uma arma apontada para mim em algum lugar, e que sinto meu peso redobrado e montado em meu peito. Sobe e desce o tórax. E me parece que tudo se converge em mim e nesse tal trabalho que devo fazer. Sobe e desce o universo em meu peito. E a dor é tal tamanha que não dói.&lt;br /&gt;Estica os braços sobre a cabeça e repete junto com o silêncio "oooon" e talvez cessem as dores de parto.&lt;br /&gt;Parto-me eu, nesse suor pantanoso que meus lençóis são.&lt;br /&gt;A noite é quente e vibrante são meus átomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe, que você me fez filho e insone noturno.&lt;br /&gt;Que fiz do dia; dia e da noite inferno.&lt;br /&gt;Que dói acordar antes de ter dormido e dormir apenas acordado.&lt;br /&gt;Os olhos pesam, mas isso não é culpa minha, mãe.&lt;br /&gt;É tua, que me fez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a noite passa, e eu fico.&lt;br /&gt;E a noite fica mais fina, e eu sei que vou parti-la.&lt;br /&gt;A noite fica mais clara e eu sinto dores por mim.&lt;br /&gt;A noite morre aos poucos e eu sinto o silêncio me abandonando, e sou tomado por assalto por sons.&lt;br /&gt;E eu tenho medo de não sentir o vazio completo que o silêncio causa em minhas orelhas. E tenho medo de pisar o chão e não reconhecer o vazio que me faz dançar. E tenho medo de perder o universo que parasita meu crânio.&lt;br /&gt;E tenho medo do sol, que parece que eu fiz nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tenho medo do dia, e do dia eu fujo.&lt;br /&gt;Até a noite. Que é a morada de minha insônia, que é a vida de meus pesos, que é morte de meu dia. Que é a vida em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2998440653959432596?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2998440653959432596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2998440653959432596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2998440653959432596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2998440653959432596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/01/insnia.html' title='Insônia'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2031115049907496551</id><published>2008-01-13T07:52:00.000-08:00</published><updated>2008-01-13T07:56:51.407-08:00</updated><title type='text'>Abraços e há braços</title><content type='html'>Abraça-me e envolve-me com teus braços metálicos que ressoam e ecoam por dentro de mim.&lt;br /&gt;Perfuma e perfura meus pulmões com teus dedos longos que eu por completo respiro o sangue e me afogo de garganta e peito arfante, que meus olhos assistem pequenas esferas explodindo e expandindo diante de si.&lt;br /&gt;Que minha pele conhece o desespero lento do sono cremado vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraça-me e envolve-me com tua fala e tua falta que não me faz.&lt;br /&gt;Que eu inteiro me envolvo em lençóis de morto e prossigo dançante e febril.&lt;br /&gt;Que eu por partes, parte a parte me afundo em teu ser.&lt;br /&gt;E me debato e me despeço dos fogos do teu maremoto.&lt;br /&gt;Do frio de teus infernos e do sol de teu outono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impede-me se quiser de saltar e soltar a corda que nos une, de romper o abismo, de colidir com o Deus, de arrancar-lhe os olhos.&lt;br /&gt;Impede-me se quiser de romper os cordões e falar por debaixo da mordaça.&lt;br /&gt;Murmurar paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impede-me de abraçar-nos em meus braços de vento e de pó.&lt;br /&gt;Impede-me de envolver-nos com panos mortos e de nos cultivar em terra seca.&lt;br /&gt;Impede-me de ser-te e cheio de ti, transbordarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraça-me e arrasta-me para o fundo de tua caverna, cobre meus restos com pedras, e vive a morte das feras.&lt;br /&gt;Dentes, unhas e sangue por fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2031115049907496551?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2031115049907496551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2031115049907496551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2031115049907496551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2031115049907496551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/01/abraos-e-h-braos.html' title='Abraços e há braços'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-454482181359318594</id><published>2008-01-04T17:23:00.000-08:00</published><updated>2008-01-04T17:32:17.778-08:00</updated><title type='text'>Micropoemas e outras coisas não sérias</title><content type='html'>Constelação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos cantos calados&lt;br /&gt;da noite&lt;br /&gt;Elas cantam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Primeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o olhar sem medo&lt;br /&gt;Abriu Abel&lt;br /&gt;O caminho dos mortos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pele&lt;br /&gt;A pele&lt;br /&gt;Da faca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinverdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que quer morrer&lt;br /&gt;Está vivo&lt;br /&gt;O que quer viver&lt;br /&gt;Está vivo&lt;br /&gt;Apenas o morto,&lt;br /&gt;Está salvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda pela Manhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Levanta-te e anda!&lt;br /&gt;- Não mãe,&lt;br /&gt;"só mais cinco minutinhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kerouac&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a estrada&lt;br /&gt;Até o fundo&lt;br /&gt;Do poço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Física III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enche-se o quadro branco&lt;br /&gt;De toda a sorte&lt;br /&gt;Das minhas sentenças de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda pela manhã II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brota da terra&lt;br /&gt;Aquilo que será o negro líquido&lt;br /&gt;Que alimenta o mundo.&lt;br /&gt;- Petróleo?&lt;br /&gt;- Não. Café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do sol&lt;br /&gt;O sábio&lt;br /&gt;Cegou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia-noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto&lt;br /&gt; o sino&lt;br /&gt;Indo-vindo indo-vindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neo-José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer ir para fora,&lt;br /&gt;Mas não está dentro&lt;br /&gt;E agora, Tito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos por Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-454482181359318594?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/454482181359318594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=454482181359318594' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/454482181359318594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/454482181359318594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2008/01/micropoemas-e-outras-coisas-no-srias.html' title='Micropoemas e outras coisas não sérias'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5160069102106832189</id><published>2007-12-19T12:30:00.000-08:00</published><updated>2007-12-19T12:31:13.051-08:00</updated><title type='text'>Em Queda Livre</title><content type='html'>E um,&lt;br /&gt;E dois, e foram três, quatro...&lt;br /&gt;E eu não contei mais, não prossegui, não previ. Não pude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mandei flores, não recebi recados, não tocaram sinos nem telefones; trombetas de anjo...&lt;br /&gt;Não caminhei aos domingos nem criei peixes em copos, nem bebi da fonte da praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui contraditório nem antagônico, não risquei papel branco nem amarelo, nem permiti que o que fosse branco amarelasse, nem o que fosse vermelho chegasse ao branco.&lt;br /&gt;Apenas o sangue perde a cor; às vezes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E contei um, dois, três, quatro...&lt;br /&gt;E foram passos e não anos.&lt;br /&gt;E foram passos e não pontes nem portas; janelas.&lt;br /&gt;E foram passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não enviei cartas, nem recados, nem bilhetes de amor.&lt;br /&gt;Não corei, não corri, não andei de joelhos nem pedi à imagem que me fizesse um pássaro.&lt;br /&gt;Nem tive sonhos nem pesadelos nem mármore nem granito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não choveu quando nasci, não era primavera no meu casamento, não foi outono nas minhas perdas, não sou poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um, dois e três.&lt;br /&gt;Foi no quatro que caí, que não tinha mais chão, que não tinha mais Deus, que não tinha mais eu, que não tinha mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia mais haver.&lt;br /&gt;Não havia mais.&lt;br /&gt;Não há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu não sorri quando ganhei meu primeiro par de sapatos, nem chorei quando perdi meu primeiro cão, nem gritei quando quebrei o primeiro osso quando o chão partiu meu todo.&lt;br /&gt;Quando eu penetrei no infinito da terra, que o infinito da terra não tem grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu não havia mais.&lt;br /&gt;E só havia mais não haver.&lt;br /&gt;E não há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5160069102106832189?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5160069102106832189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5160069102106832189' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5160069102106832189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5160069102106832189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/12/em-queda-livre.html' title='Em Queda Livre'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-6805136456611353844</id><published>2007-11-07T10:20:00.000-08:00</published><updated>2007-11-07T10:21:21.443-08:00</updated><title type='text'>O Retrato do Artista Enquanto Luminovive</title><content type='html'>Abre as narinas e sente o cheiro fraco e sonoro que brota vaga e pesadamente do chão e logo se espalha.&lt;br /&gt;Estica as mãos para ver se ao tato ainda resta um último toque antes do adeus final que leva tudo para longe e te abandona num vazio cheio de ausência e destatificação.&lt;br /&gt;Abre os olhos para contemplar sem lágrimas e sem lagos tua sedenta alma lamacenta que preenche os espaços vazios de teu corpo. O domínio da alma; beatificação.&lt;br /&gt;Abre por fim teu peito como duas cortinas e deixa entrar a luz que a boca não quis. Porque luz não tem som nem gosto. Deixa a luz e a recebe de uma única e completa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não haverá mais espaço para riso, nem torres brancas, nem sacrifícios monumentais a Deus.&lt;br /&gt;Não haverá rebanhos de cabras lanosas e balidentas cheias de leite e carrapatos. Não haverá planície gentil e graminiverde para receber teus cansaços, nem haverá repouso para teu descanso.&lt;br /&gt;Não haverá rezas a ti nem ao teu Deus interior que mora em teu estomago e que reclama a terça parte de tudo que comes e pensas. És um ateu de ti. Não haverá redenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas calma teu luminoso peito. Não haverá vida para ti, mas há dor e torção de músculos.&lt;br /&gt;Há um inferno luminossanto que também é parte da luz de teu céu.&lt;br /&gt;Calma teu luminopeito que há morte depois da morte e desacontecimentos para te ocupar.&lt;br /&gt;Que para ti não sobrou nada além da recompensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se não sobram terras sobram em cemitérios teu prêmios.&lt;br /&gt;Cheios e mornos cemitérios para tuas mil mortes, para tuas dez mil dores e tuas duzentas mil farsas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há terra quentefofaberta para ti.&lt;br /&gt;Madeira úmida e vegetal.&lt;br /&gt;Repousa teu nome no mármore e teu corpo na morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6805136456611353844?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6805136456611353844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6805136456611353844' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6805136456611353844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6805136456611353844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/11/o-retrato-do-artista-enquanto.html' title='O Retrato do Artista Enquanto Luminovive'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-89899628848488947</id><published>2007-11-03T07:03:00.001-07:00</published><updated>2007-11-03T07:03:47.595-07:00</updated><title type='text'>Reencarniviver</title><content type='html'>&lt;h3 class="smller" style="font-weight: normal;"&gt;Será cheio de vida e morte e pulsará e cortará a todos. Em meu peito que bate e debate uma antiga música retumbante. Meu peito que é como uma bomba que vai explodir e lançar pedaços de osso em todas as direções. Tudo é mais belo quando está repleto de sal e sangue.&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;   &lt;div class="para"&gt;Em meu peito que é que vive o inicio.&lt;br /&gt;Nele é que deita a vida quando quer morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é tudo que eu tenho para dar para qualquer um que me pedir algo.&lt;br /&gt;Sempre as mesmas palavras colocadas em ordem diferenciada para dizer sempre as mesmas anti-idéias. Contravisões; árvores com raízes para o alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é tudo que eu tenho para depositar aos teus pés rudes e feitos de barro.&lt;br /&gt;É tudo que eu tenho para ofertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será cheio de lágrimas, suor e força. Será grande e grandioso como deve ser; será.&lt;br /&gt;E será alto e soará a todos que ouvirem como o anuncio dos novos dias.&lt;br /&gt;E arrancará de todos que tiverem olhos para ver e tato para sentir um irremediável pedaço.&lt;br /&gt;Uma ferida que não sara, será.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é tudo que eu posso ser e fui. As cordas que atam as mãos. Os pregos que prendem o mastro, as correntes que amarram a fera.&lt;br /&gt;E é tudo que eu pude sonhar e sonhei.&lt;br /&gt;Um mártir de si.&lt;br /&gt;Um passo e um salto.&lt;br /&gt;Um vôo e uma queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vida e outra e mil enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-89899628848488947?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/89899628848488947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=89899628848488947' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/89899628848488947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/89899628848488947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/11/reencarniviver.html' title='Reencarniviver'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-222874580748056914</id><published>2007-10-19T13:57:00.001-07:00</published><updated>2007-10-19T13:57:23.209-07:00</updated><title type='text'>Fragmentar</title><content type='html'>Levanta, vai até a janela, toca o vidro, olha para baixo e o homem gordo e descamisado ainda está lá sentado olhando os cães brigando.&lt;br /&gt;Sentado em sua eterna e imutável cadeira de rodas, pois tem as pernas amputadas na altura dos joelhos, e eu nunca pude nem quis saber o porque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morde os lábios enquanto vira para dentro de volta para longe dos devaneios que o homem sem pernas e de olhos focados em cães que brigam quando deveriam estar guardando o terreno; entreter o dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda pelo corredor que um dia esteve em sonhos estranhos de tiroteios e gatos baleados, e afasta com a mão a névoa de tempo que se forma ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senta-se e coloca as mãos na cabeça e os cotovelos nos joelhos.&lt;br /&gt;Tenta colocar em ordem o mundo que se partiu em vinte mil.&lt;br /&gt;Tenta reagrupar os pedaços do espelho torto que antes era a vida e que agora não é mais nada além de um monte de cães brigando e velhos sem joelhos rindo em voz alta e apontando e fragmentando a verdade em tudo que poderia ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senta e tenta converter de volta o que era dele de direito, mas agora não mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é dos cães, do velho, dos joelhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-222874580748056914?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/222874580748056914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=222874580748056914' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/222874580748056914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/222874580748056914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/10/fragmentar.html' title='Fragmentar'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-864832947181339180</id><published>2007-09-05T11:09:00.001-07:00</published><updated>2007-09-05T11:09:51.617-07:00</updated><title type='text'>O Lamento de Prometeu</title><content type='html'>Quem tem coragem de saber-se forte?&lt;br /&gt;De levantar as correntes e parti-las?&lt;br /&gt;Quem ousa levantar a voz e sair do Sabbath?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o meu testamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo para vocês minha forte, firme e rochosa desesperança.&lt;br /&gt;Meu desamor maledicente e doente paternidade.&lt;br /&gt;Deixo para vocês meu toque leproso, meu ranhoso e nodoso toque.&lt;br /&gt;Ódio fraternal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço minha cama na porta de entrada, onde é frio e desaconchegante.&lt;br /&gt;Faço minha morada no topo do céu.&lt;br /&gt;Ar, tenho pouco.&lt;br /&gt;Nada para ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem coragem de amamentar uma fera?&lt;br /&gt;De dormir de olhos abertos?&lt;br /&gt;Quem ousa chamar a vida pelo seu verdadeiro nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àqueles que se debatem e se partem e são mães e pais de seu medo.&lt;br /&gt;Àqueles que se geram em seus ventres e dentro de seu próprio pesar encontram mais abismos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois sonhei com uma montanha e era abissal.&lt;br /&gt;Pois sonhei com um sol e era invernoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vocês meu testamento.&lt;br /&gt;A vocês meus tesouros desnudos cheios de sobras e veneno.&lt;br /&gt;A vocês meus males e tudo que me foi de bom e pior.&lt;br /&gt;Sempre dos males o melhor.&lt;br /&gt;De mim para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo de cantar chegou!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tito de Andréa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-864832947181339180?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/864832947181339180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=864832947181339180' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/864832947181339180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/864832947181339180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/09/o-lamento-de-prometeu.html' title='O Lamento de Prometeu'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-1527465592803519481</id><published>2007-09-04T18:25:00.000-07:00</published><updated>2007-09-04T18:31:44.007-07:00</updated><title type='text'>O Azilo dos Santos.</title><content type='html'>O martelo bate.&lt;br /&gt;Bate&lt;br /&gt;Batebatebate.&lt;br /&gt;O martelar inconstante da dor de cabeça de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cá do quarto ao lado eu o escuto.&lt;br /&gt;De cá de além da parede de tijolos, cimento e duas camadas de tinta.&lt;br /&gt;Eu o escuto.&lt;br /&gt;Martelando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que diabos pensa tão alto?&lt;br /&gt;Será que não aprendeu a calar a cabeça?&lt;br /&gt;Será que Deus, bêbado e velho, não se cansa de praguejar e amaldiçoar seus filhos ingratos que o trancam e o condenam a uma vida eterna de mesquinhas orações e pedidos em papeis queimados e dízimos de pobre em dinheiro suado e sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que diabos pensa tão alto e não me deixa dormir em paz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cala!&lt;br /&gt;- Cala-me!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-1527465592803519481?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/1527465592803519481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=1527465592803519481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1527465592803519481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/1527465592803519481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/09/o-azilo-dos-santos.html' title='O Azilo dos Santos.'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-6157657290122895593</id><published>2007-08-31T11:12:00.001-07:00</published><updated>2007-08-31T11:17:35.454-07:00</updated><title type='text'>divino, demasiado Humano</title><content type='html'>Seis Bilhões de anos o Universo levou para construir a terra, e no sétimo o cansaço era tanto que descansou por um.&lt;br /&gt;Quando retomou seu cansativo e descuidado trabalho terminou por criar a vida e a vida viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vivendo mudou e cresceu e nasceu um dia, em um lugar tanto quanto sujo de barro, mas ainda assim belo para se viver, uma Mulher e - ao contrário do que se acredita, depois, de seu ventre veio o Homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem coabitou com sua ossuda mãe e deu à luz novos filhos que coabitaram entre sie por sua vez com seus novos filhos.&lt;br /&gt;E de sua orgia surgiu o primeiro povo que construiu casas e cercas, pois haviam decidido que não mais viveriam em árvores, pois não conseguiam mais evitar as serpentes e muitos morriam envenenados.&lt;br /&gt;A isso chamou-se Consciencia e mudaram-se do jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo então criado rebanhos, pomares e hortas decidiram os Homens que estavam sozinhos e criaram deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criou o Homem deus a sua imagem e semelhança e viu que isso era bom. E se alegrou o Homem de sua criação e nela encontrou regozijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por fim esqueceu o Homem que criara deus, mas não se esqueceu de dEle.&lt;br /&gt;E por mais fim ainda, acreditou o Homem que deus o criara e foi assim que Deus matou o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o homem andou e conquistou para Deus templos e catedrais, mas a isso Deus não viu, pois Lhe faltavam olhos muito fortes para ver.&lt;br /&gt;E mesmo sendo Deus plano e vasto a ponto de cobrir toda a terra, e mesmo sendo Deus fumacento para entrar, pelas narinas e olhos, nos homens, Deus não tinha olhos muito fortes e disso só ouviu falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o homem andou e povoou ainda mais o planeta e logo havia pouco espaço para Deus, mas Ele ainda assim decidiu ficar e os homens construiram para Ele altos e poderosos templos.&lt;br /&gt;Não sendo os templos suficientes, criou o homem o Céu para Deus povoar com anjos e Ele alegrou-Se.&lt;br /&gt;E do Céu criou Deus o Diabo e esse os homens não queriam entre si. Criaram então para o Diabo uma casa igualmente não amada, chamram-na inferno e o trancaram lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terra estava então livre de Deus e do Diabo, mas o homem continuou a lembrar-se dEles e a sacrificar seus melhores animais por amor de um e/ou temor ao outro, sem que possamos dizer qual dos dois na verdade é temido ou amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com medo ou amor e medoamor continuou o homem povoando, cercando e plantando a terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a comida precisava ser muita, pois Deus tem olhos pequenos, mas um estomago grande e prefere comer carne, como Caim e Abel descobriram tempos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o ouro precisava ser muito pois Deus gostava de joias e gostava de ver seus prediletos vendindo joias e precisava de templos para quando se cansasse do Céu viesse ver os homens de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os homens morriam.&lt;br /&gt;E os homens sentiram inveja de Deus que não morria e decidiram que não morreriam também. E que iriam para o Céu, com Deus e seus anjos, e que os homens que eles não suportavam, por motivo ou outro, iriam para o Inferno que os carregue, ficar a eternidade com o Diabo e seus demônios que este havia criado por inveja daquele que criara seus Anjos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tamanho era seu susto ao chegar a lugar nenhum e encontrar outros homens que lhes contavam que não havia vida eterna e que lá eles eram eternamente esquecidos e enfim estavam livres dos olhos mesquinhos de sua criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6157657290122895593?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6157657290122895593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6157657290122895593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6157657290122895593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/6157657290122895593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/08/divino-demasiado-humano.html' title='divino, demasiado Humano'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4279166971521973308</id><published>2007-08-19T14:05:00.000-07:00</published><updated>2007-08-19T14:06:37.262-07:00</updated><title type='text'>Epifania de uma vida</title><content type='html'>Ah, tenho ouvido falar de tetos nus e paredes que descascam. Portas que rangem e árvores secas; mas afasta de mim teus maus presságios. Arranca de mim teus dedos frios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, que me lembro de quando a tarde e o sol se confundiam ao som do piano e corríamos por paredes fortes e olhos atentos.&lt;br /&gt;Ah, que me lembro de quando subíamos em árvores e éramos mais fortes que tudo.&lt;br /&gt;Ah, que me lembro da água fria e das mangas quentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho ouvido falar de imagens que sangram leite e mel.&lt;br /&gt;Tenho ouvido falar de lágrimas nodosas que gemem à noite.&lt;br /&gt;Mas afasta de mim teus maus presságios, lentamente, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois toquei com as mãos inteiras a fria escadaria de mármore áspero e meu tato inteiro foi amor.&lt;br /&gt;Pois abracei com os olhos as paredes e as portas que deixam o sol passar e ouvi de olhos abertos às teclas amarelas do piano negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois nasci, cresci e tive tempo o bastante entre o céu e a terra para presenciar a casa onde Deus deixou suas marcas. E ainda nela pudemos enxergar nas colunas rachadas seus arranhões de Deus nauseabundo que morria e queria deixar um epitáfio para alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, que me faço mil outros mas volto sempre a mim.&lt;br /&gt;Ah, que a saudade de um tempo tão deles me invade e eu me faço eles e me dói também a dor que não é minha.&lt;br /&gt;Ah, que uma infância tão outra me bate a porta e eu caio de joelhos diante da maravilha do que não fui e posso tocar com as mãos inteiras as dádivas que me deram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, afasta de nós teus maus presságios e volta de onde veio.&lt;br /&gt;Ah, pois subimos um a um, e um a um abraçamos a vida com a alma cheia de ternura e calor.&lt;br /&gt;Ah, pois temos ouvido falar de tempos que não voltam, onde Deus era e nós éramos também.&lt;br /&gt;Ah, pois temos ouvido falar de maus presságios e paredes e tetos e imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois toquei com o corpo inteiro a vida inteira.&lt;br /&gt;E me afoguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-4279166971521973308?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/4279166971521973308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=4279166971521973308' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4279166971521973308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4279166971521973308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/08/epifania-de-uma-vida.html' title='Epifania de uma vida'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-599823038124102372</id><published>2007-08-08T11:33:00.000-07:00</published><updated>2007-08-08T11:36:39.807-07:00</updated><title type='text'>A Fornalha</title><content type='html'>Dói.&lt;br /&gt;A cabeça já não é mais um porto seguro, já não é mais um piscina de criança. Não há ondas em um lago;&lt;br /&gt;Um mar.&lt;br /&gt;Já tivemos muito tempo para ser simplicidade e jogamos todo fora com pensamentos demasiado complexos, não?&lt;br /&gt;Agora que tudo se bate e debate como um peixe frio numa rede, agora que tudo se forma e transforma e reforma. Parte e reparte.&lt;br /&gt;Não há tempo para parar e pensar enquanto todo o universo se recria e procria.&lt;br /&gt;Não há tempo para massagear os olhos nem para puxar mais um punhado de ar.&lt;br /&gt;Não há tempo para fazer as mãos doerem menos.&lt;br /&gt;Não há tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pensa. Apenas martela e com este grande e divino martelo molda a ferro frio teu novo mundo.&lt;br /&gt;Minha nova alma.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pensa. Quebra e reconstrói.&lt;br /&gt;Não há tempo para reparar. Não há tempo para enxergar, abrir olhos, tirar o suor.&lt;br /&gt;Não há tempo para tirar da boca o gosto amargo que a toma.&lt;br /&gt;Não há tempo para vômito, suplica, choro ou febre.&lt;br /&gt;Não há tempo para parar e fazer uma nova morada em pedras maiores.&lt;br /&gt;Contentemos-nos com o que temos e façamos pior sempre mais baixo, sempre mais fraco, sempre mais lento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há tempo para morrer.&lt;br /&gt;Só há tempo para as sobras.&lt;br /&gt;Para as moscas e para as ruínas.&lt;br /&gt;Só há tempo para carne velha e apodrecida.&lt;br /&gt;Só há tempo para frio e calor.&lt;br /&gt;Abrir e fechar a fornalha.&lt;br /&gt;Alimentar o fogo.&lt;br /&gt;Só há tempo para doer e moer mais e mais a si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cabeça não é mais um lugar a salvo. Estamos como aves assustadas abrindo as asas e batendo-as o mais rápido que podemos, mas não voamos.&lt;br /&gt;Não há tempo para sair do lugar, então apenas nos movimentamos o mais rápido e dolorosamente que conseguimos;&lt;br /&gt;Parados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há tempo para bater os braços e gritar por ajuda.&lt;br /&gt;Afogo-me silenciosamente nesse resplandecente fogo então.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-599823038124102372?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/599823038124102372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=599823038124102372' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/599823038124102372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/599823038124102372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/08/fornalha.html' title='A Fornalha'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-2821323502497262186</id><published>2007-08-03T18:32:00.000-07:00</published><updated>2007-08-03T18:33:22.019-07:00</updated><title type='text'>O guardador de cavalos</title><content type='html'>Primeiro foram os ossos depois mais ossos e então a carne e o sangue.&lt;br /&gt;Primeiro foram veias e depois mais veias e então os tendões e a medula.&lt;br /&gt;Primeiro foi a alma e então mais alma e depois a razão e a voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voz sempre tivemos de sobra.&lt;br /&gt;Sempre gritamos por tudo, sempre berrando alto e mais alto então.&lt;br /&gt;Até ficarmos surdos, mas de que vale a audição quando se tem voz e tanta alma contida?&lt;br /&gt;De que vale o corpo quando se tem tanto ser para ser, de que nos valeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, primeiro foi o sopro depois mais vento e então a vida.&lt;br /&gt;E nunca foi o bastante&lt;br /&gt;E sempre precisamos de mais e mais. E chegou o momento que era tanta que criamos algo ainda maior com ela e esse Algo era tão imenso que precisava se alimentar de alguma forma.&lt;br /&gt;E demos e Ele comida o suficiente para matá-Lo.&lt;br /&gt;Amamo-Lo tanto que Ele acabou por se afogar em amor e morreu.&lt;br /&gt;O funeral foi longo e lamurioso, mas suportamos a perda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro foi o dia e depois mais dia e então a noite.&lt;br /&gt;E foi tão longa que precisamos de cobertores, pois o frio era grande e estávamos sozinhos e mortos.&lt;br /&gt;E não parecia a mim tão ruim quanto era aos outros.&lt;br /&gt;Pois todos gemiam e caminhavam cegos.&lt;br /&gt;Não me foi ruim.&lt;br /&gt;Não me foi tão ruim, já que depois de surdos estávamos todos então: cegos.&lt;br /&gt;Era calmo e escuro onde eu estava e já não tinha a angustia viva pulsando e bombeando mais e mais dentro de mim.&lt;br /&gt;Era calma e escura a minha paz.&lt;br /&gt;Livramos-nos da morna e livre vontade de viver e tudo de uma única vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro foi medo e depois mais medo e então o sono.&lt;br /&gt;Mas não sem antes deitar tudo a perder.&lt;br /&gt;Não sem antes atear fogo às plantações e estábulos.&lt;br /&gt;Secou tudo.&lt;br /&gt;Não havia comida nem água.&lt;br /&gt;Só havia sangue e carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só havia suor e sol.&lt;br /&gt;Só havia frio e sangue e morte.&lt;br /&gt;E não éramos mais criadores nem criaturas.&lt;br /&gt;Éramos apenas eu.&lt;br /&gt;E eu só enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro foram nervos e depois mais nervos e então a dor.&lt;br /&gt;Foi no flamejante funeral de meus animais que eu me lancei.&lt;br /&gt;Meus cavalos vibravam e ardiam em chamas.&lt;br /&gt;E eu me regozijava com o choro e o estalar do fogo.&lt;br /&gt;E eu era também parte de tudo.&lt;br /&gt;E eu era louco e são e perda e vitória.&lt;br /&gt;E eu era tudo até não ser mais nada.&lt;br /&gt;Nada então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus cavalos fugiram à noite e não voltaram.&lt;br /&gt;Que sobra para mim então?&lt;br /&gt;O que resta do céu para aquele que viu tudo?&lt;br /&gt;O que ganho eu que presenciei e testemunhei cada minuto da vida?&lt;br /&gt;E a vi nascer, criar e minguar e o que ganho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardo em meu bolso o resto das cinzas de minha casa e estábulo.&lt;br /&gt;Ainda escuto, no meio da surdez e da cegueira o relinchar dos meus cavalos e eles estão livres e vivos em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivem em mim&lt;br /&gt;De mim e para mim.&lt;br /&gt;Amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-2821323502497262186?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/2821323502497262186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=2821323502497262186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2821323502497262186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/2821323502497262186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/08/o-guardador-de-cavalos.html' title='O guardador de cavalos'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-7863051631104421865</id><published>2007-07-30T10:02:00.000-07:00</published><updated>2007-07-30T10:17:37.768-07:00</updated><title type='text'>Tarde Branca</title><content type='html'>Arde na tarde,&lt;br /&gt;Algo meio que sem cor&lt;br /&gt;Meio que pálido;&lt;br /&gt;Frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo meio que vivo,&lt;br /&gt;Meio que algo,&lt;br /&gt;Meio que por partes;&lt;br /&gt;Inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arde no dia,&lt;br /&gt;E volta vivente,&lt;br /&gt;Algo meio completo;&lt;br /&gt;Infermo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tremem minhas janelas&lt;br /&gt;E meu telhado&lt;br /&gt;Treme toda a casa&lt;br /&gt;Tremo eu também,&lt;br /&gt;Com o violento vento&lt;br /&gt;Que chora em minha janela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta e retorna&lt;br /&gt;E por fim desaba&lt;br /&gt;Fazendo e desfazendo&lt;br /&gt;Pintando minha tarde&lt;br /&gt;Com todas as luzes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma vez só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-7863051631104421865?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/7863051631104421865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=7863051631104421865' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/7863051631104421865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/7863051631104421865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/07/tarde-branca.html' title='Tarde Branca'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-4575657890770868888</id><published>2007-07-28T10:02:00.001-07:00</published><updated>2007-07-28T10:04:02.541-07:00</updated><title type='text'>Ser</title><content type='html'>- Sou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heis, finalmente, a final resposta a pergunta feita e repetida através dos tempos.&lt;br /&gt;Sei que Deus perguntou a Adão enquanto este agitava de si o barro que sujava seu corpo.&lt;br /&gt;O primeiro homem nasceu sujo de barro.&lt;br /&gt;A primeira pergunta também repetida a Eva enquanto esta se limpava do sangue osseo que tanto a incomodou em seu primeiro momento de vida.&lt;br /&gt;A primeira mulher nasceu suja de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos perdidos e solitários foram gerados da pergunta de Deus, e para fugir dela comeram o fruto que lhes fora dado pelo Diabo.&lt;br /&gt;Adão e Eva estavam, enfim, perdidamente salvos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que isso se impregnou em mim porque sou um filho distante do momento inicial.&lt;br /&gt;Sinto pulsando em minha barrenta carne e sujando meu sangue enquanto respiro e me reviro na cama antes de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamos como feitos de sangue e barro caminhando e escrevendo e nos envolvendo em uma sólida casca como de um ovo pulsante.&lt;br /&gt;Continuamos e fomos até que não mais foi possível nos esconder dos olhos famintos de Deus e fomos quebrados e obrigados a revolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matamo-Lo.&lt;br /&gt;E então sua pergunta que foi o epitáfio de Adão em sua morte tornou-se o nosso.&lt;br /&gt;E não só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de todos os momentos reais e sólidos que o homem-livre passou depois de guardar em si - profundamente e eternamente em si - tal pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me do medo e do susto no rosto de todos quando viram a verdadeira razão de seu medo e susto.&lt;br /&gt;Quando encararam em mim a resposta para sua velada e sufocante pergunta.&lt;br /&gt;E lembro do terror pleno que encerrei neles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, acima de tudo, lembro-me dos olhos assustados d'Ele quando olhou em mim e disse:&lt;br /&gt;- E então: És?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-4575657890770868888?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/4575657890770868888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=4575657890770868888' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4575657890770868888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/4575657890770868888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/07/ser.html' title='Ser'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-8885562416443632808</id><published>2007-07-22T13:30:00.000-07:00</published><updated>2009-04-29T07:48:29.643-07:00</updated><title type='text'>Ex-quizofrenia.</title><content type='html'>Júlia se agarra a mim.&lt;br /&gt;Me aperta o peito com tamanha força que mal consigo respirar.&lt;br /&gt;Júlia se comprime contra meu corpo de modo que eu não sei onde termino e Júlia começa. Não há fronteiras. Somos um só no medo de Júlia.&lt;br /&gt;Júlia se comprime ao meu ser. E eu? Júlia me força a comprimir meu corpo contra a fria e metálica parede verde-escura. E todo meu corpo se arrepia com esse contato. E todo meu eu se espreme para um centro desconhecido.&lt;br /&gt;E comprimido em um centro só. No centro da minha caixa torácica, entre um peito e outro, sinto o sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendo agora, que todo o universo se gerou assim.&lt;br /&gt;Quando todo o ser de Deus se comprimiu em um único ponto de si e a matéria morta da qual Deus é feito viveu.&lt;br /&gt;O Big Bang.&lt;br /&gt;Mas o que teria feito que Ele esquecesse de si de tal forma?&lt;br /&gt;Deus permitiu-se um erro enfim.&lt;br /&gt;Permitindo que todo seu corpo convergi-se em uma explosão geradora de vida.&lt;br /&gt;Deus então passou de morte para vida.&lt;br /&gt;E sabemos todos que não se pode viver assim.&lt;br /&gt;Sabemos então que Deus somos todos nós.&lt;br /&gt;Sabemos então que tendo Deus obrigado-se a errar para poder enfim renascer em forma de vida pulsante teve seu eu dividido de forma tal que, não sendo mais, não o é. E somos nós, o túmulo dos restos vivos Dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não há tempo para lápides nem epitáfios crus.&lt;br /&gt;Júlia se aperta a mim e minhas costas nuas se apertam à parede verde-escura.&lt;br /&gt;Júlia preenche com sua respiração de feto natimorto o espaço vazio entre mim e o resto do mundo.&lt;br /&gt;Pois já não estou em meus olhos nem na ponta de meus dedos, que era da forma como eu costumava me enxergar. Estou agora encerrado em um pesadelo cardiovascular e quero explodir para poder recriar tudo que vi.&lt;br /&gt;Não há tempo para mim, nem para Júlia.&lt;br /&gt;Sinto que vou vomitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sentado no chão do banheiro abraçado à privada, sinto meu estômago aliviar-se de mim e posso encarar a verdadeira forma de meus pensamentos pré-digeridos.&lt;br /&gt;Júlia tem as costas encostadas à porta e os pés esquizofrenicamente parados.&lt;br /&gt;Minhas pernas fazem um ângulo estranho e de repente doem.&lt;br /&gt;Levanto-me sem ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Júlia fica de olhos abertos me encarando e imaginando como pude fazer isso com ela.&lt;br /&gt;Não sei o que ela acha que eu fiz.&lt;br /&gt;Sou o próximo a ser fuzilado. Sou eu o morto-vivo-vivo. Júlia não compreende que foi ela quem destruiu aos dois.&lt;br /&gt;Júlia não sabe que não existe.&lt;br /&gt;Júlia acha que sou eu, não ela o produto final de uma esquizofrenia simples.&lt;br /&gt;Júlia levanta e se lança aos meus pés e me encara perguntando a si mesma como eu pude fazer isso com ela.&lt;br /&gt;Júlia não sabe o universo que começa a se expandir no meu peito.&lt;br /&gt;Júlia não sabe a razão nova que brota da morte que nasce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois se de um único erro de Deus, uma distração simples de um momento em que Ele permitiu ser compactado em um único e aluminoso Ponto.&lt;br /&gt;Se Ele me visse agora saberia que a verdade é que somos todos produtos vivos de uma verdade muito menor.&lt;br /&gt;Teria Ele imaginado que tudo se repetiria?&lt;br /&gt;Teria Ele imaginado que Eu saberia o que ele sentiu?&lt;br /&gt;- Pois és minha imagem e semelhança Filho.&lt;br /&gt;- Vai e carrega o peso que eu carreguei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora então? - Júlia - ainda atirada aos meus pés - finalmente fala algo.&lt;br /&gt;Mas me surpreendo ao notar que a voz que fala é a minha. E fico parado encarando o sorriso morto em Júlia.&lt;br /&gt;Ela enfiou essas palavras tão rápido em minha boca que, eu, não pude pensar antes de dizê-las. - E agora então - Repete com a minha voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio só do banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas logo estou sentindo os braços de Júlia entrelaçando-se ao meu corpo.&lt;br /&gt;Júlia é fria.&lt;br /&gt;Júlia entra em mim e vai ao centro de mim para fazer sua morada.&lt;br /&gt;Júlia agora em forma de sangue percorre todo meu corpo.&lt;br /&gt;Júlia encontra o que procurava e infecta com vida toda a morte contida em meu ponto divino que quase me rompe.&lt;br /&gt;Júlia ri-se de mim dentro de mim.&lt;br /&gt;E minha recém contaminada morte se enche de vida e estoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi isso que Deus sentiu.&lt;br /&gt;Foi isso que o Universo sentiu.&lt;br /&gt;Agora serei eu a abandonar a todos em uma nova explosão de ainda mais luz.&lt;br /&gt;Para iluminar ainda mais o céu.&lt;br /&gt;Eu e Júlia.&lt;br /&gt;Um só.&lt;br /&gt;Eu, Júlia e nossa nova construção metafísica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi isso que Eu senti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-8885562416443632808?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/8885562416443632808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=8885562416443632808' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8885562416443632808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/8885562416443632808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/07/ex-quizofrenia.html' title='Ex-quizofrenia.'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-801412106276986409</id><published>2007-07-16T10:38:00.000-07:00</published><updated>2007-07-16T10:39:04.006-07:00</updated><title type='text'>Tarde Vermelha</title><content type='html'>Toma no copo&lt;br /&gt;Em um gole, toda a tarde&lt;br /&gt;Quente e infernal,&lt;br /&gt;Dia de Julho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traga o inverno&lt;br /&gt;Bebe-o de um gole só&lt;br /&gt;Para ver se aplaca a chuva&lt;br /&gt;Para ver se aplaca a calma.&lt;br /&gt;A ira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebe a vida&lt;br /&gt;À vida,&lt;br /&gt;Para ver se sobra algo&lt;br /&gt;Só pra saber se algo resiste&lt;br /&gt;E insiste,&lt;br /&gt;Vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebe o ácido vagaroso&lt;br /&gt;E pensa se ao menos,&lt;br /&gt;Se ao menos às formigas,&lt;br /&gt;Sobram as sobras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebra e reparte&lt;br /&gt;As mãos nos vidros&lt;br /&gt;E deita e rola,&lt;br /&gt;Sobre os restos caídos&lt;br /&gt;De tua velha janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E encobre teu sujo chão&lt;br /&gt;Com teu ainda mais sujo ser&lt;br /&gt;E acalma a tarde&lt;br /&gt;Que clama, reclama e insiste&lt;br /&gt;Por teu torcido e retorcido corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-801412106276986409?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/801412106276986409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=801412106276986409' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/801412106276986409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/801412106276986409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/07/tarde-vermelha.html' title='Tarde Vermelha'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-999258700565427675</id><published>2007-07-16T07:39:00.000-07:00</published><updated>2007-07-17T14:37:30.754-07:00</updated><title type='text'>Sangue de Areia Espumante.</title><content type='html'>Sento e me apoio à parca sombra de meu fardo e me pergunto como algo tão pesado consegue ter uma sombra tão mirrada. Seca e quente. Ainda sentado tento lembrar-me do frescor da água para matar minha sede e mastigo um punhado de ervas que encontro crescendo em qualquer monte mais vivo de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como venta aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo lugar em que eu via desertos, não me falaram que ventaria tanto.&lt;br /&gt;Sempre imaginei longas planícies de areia móvel e um grande sol amarelo. O sol é real. O sol não é invenção. Dói-me na pele e nos olhos. O sol é grande e visceral. Feito todo de um ódio incomum. O céu é mais claro aqui. Um azul cansado; amarelado.&lt;br /&gt;O céu e a areia parecem em si um céu e um mar malditos.&lt;br /&gt;Infernal.&lt;br /&gt;E como venta aqui.&lt;br /&gt;Em todo lugar em que eu via desertos, nunca mencionaram o vento.&lt;br /&gt;Mentiram-me.&lt;br /&gt;Há sol, areia e vento.&lt;br /&gt;E como venta.&lt;br /&gt;E o vento corta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento é meu capataz. Ele me diz quando levantar e quando carregar a âncora. E ele bate em minhas costas dizendo que acabou o descanso e é hora de erguê-la e voltar a andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa âncora, e agora que começo a falar dela parece-me ser muito mais pesada do que é - Se ao menos parasse de ventar eu a deitaria fora por alguns instantes mais - Mas não pára.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não parará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa âncora é a sobra de meu navio.&lt;br /&gt;É o despojo de meu naufrágio.&lt;br /&gt;É o resto de mim.&lt;br /&gt;É em mim. Parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visto que atei a ancora a mim a muito tempo e agora já a tarde para tecer redes de lamúria.&lt;br /&gt;Agora é tarde parar arder e desistir.&lt;br /&gt;Visto que me conhecendo e sabendo que desistiria atei a âncora ao meu pescoço com o mais complicado dos nós que conheci. E agora só tenho a glória da férrea e forte âncora.&lt;br /&gt;E não sou eu quem a carrega. É ela a carregar-me. É ela a ser vitoriosa.&lt;br /&gt;Assim como foi a cruz quem carregou Cristo, e assim como foi a cruz desse tal Cristo quem o venceu por fim. Visto que a âncora é meu último e verdadeiro amor, Carrego-a como a uma esposa cansada.&lt;br /&gt;Meu amor, o Deserto é nosso quarto.&lt;br /&gt;E essa noite que se estende nossa eterna e voluptuosa lua-de-mel.&lt;br /&gt;Abraça-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visto que sou como um novo Prometeu atado de vontade própria a uma montanha e, que despedacei meu pássaro inquisidor na primeira noite de castigo, sou livre pára caminhar e correr com minha montanha atada.&lt;br /&gt;Sou livre e trágico.&lt;br /&gt;Sou o novo e poderoso Titã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tenho sede.&lt;br /&gt;E a simples idéia de água já me leva para longe.&lt;br /&gt;Para meus dias de glória santificada.&lt;br /&gt;Da caça das baleias nas costas japonesas.&lt;br /&gt;Da pilhagem nos mares ingleses.&lt;br /&gt;Do tráfico de negros na África.&lt;br /&gt;Açúcar holandês e sangue caribenho.&lt;br /&gt;- Ah, Meu Deus.&lt;br /&gt;- Ah, Meu Deus! Porque me larga a essa infeliz sorte. Porque a fortuna não mais me sorri e eu só tenho para mim um pálido céu.&lt;br /&gt;- Ah, Meu Deus, por que não apenas mais uma tempestade, para que eu tenha, dos dias de luta no mar, apenas uma lembrança?&lt;br /&gt;- Por que não uma tempestade final? Uma tormenta!&lt;br /&gt;- Meu Deus! Faz de mim teu novo Noé! Dá-me um dilúvio, mesmo sem barco. Deixa-me dançar e me despedaçar em teus braços de polvo abrasador. Deixa-me dar fim a essa âncora. Dá-me ao menos teu tridente furioso para carregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus, sou eu, o filho do faroleiro. Sou eu o rebento do solitário, lembra-Te de mim!&lt;br /&gt;A mim cabe o fardo final de carregar a âncora pelos sete desertos.&lt;br /&gt;E carrego-a a tanto tempo que nem mais sei qual o gosto das águas marinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha boca seca.&lt;br /&gt;Nem ao menos tivesse água salgada para beber.&lt;br /&gt;Ao menos teria uma morte real.&lt;br /&gt;A primeira coisa que meu pai me ensinou quando naufragamos juntos.&lt;br /&gt;Nunca beba a água do mar, menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebê-la-ia para morrer como bom velho louco, atingido pela febre do mar que sou!&lt;br /&gt;Sou!&lt;br /&gt;Se há algo que ainda tenho em minha carne: é a febre.&lt;br /&gt;Minhas gengivas sangraram milhares de vezes. Meus dentes caíram e tornaram a crescer para cair de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, mas tenho atada as minhas costas com um indesatável nó uma imensa âncora de navio.&lt;br /&gt;E carrego-a até onde devo.&lt;br /&gt;Arrastar-me-ei quando não houver mais força.&lt;br /&gt;E beberei a água que minha boca baba.&lt;br /&gt;E essa água deve me levar de volta ao mar.&lt;br /&gt;Nem que seja breve como a saliva.&lt;br /&gt;- Ah, Meu Deus, não me negue! Abre teus braços e recebe-me. A mim e a âncora. Porque se ela não me arrasta ao inferno. Arrasto-a eu até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E tendo ele desmaiado, não sentiu a primeira gota de chuva que caiu em sua mais funda feria. Nem a segunda.&lt;br /&gt;Ah, mas me contaram que as tempestades no deserto são imensas. E ele deve saber, porque estava atado à uma âncora quando desabou-se o céu e não sentiu nada.&lt;br /&gt;E logo a chuva formou um salgado mar e o corpo dele dançou e despedaçou-se.&lt;br /&gt;E morreu sem muito sangue no corpo ou fora dele.&lt;br /&gt;E já não mais sentia sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-999258700565427675?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/999258700565427675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=999258700565427675' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/999258700565427675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/999258700565427675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/07/sangue-de-areia-espumante.html' title='Sangue de Areia Espumante.'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-5015531748426861381</id><published>2007-07-14T06:58:00.000-07:00</published><updated>2007-07-14T07:08:05.617-07:00</updated><title type='text'>Sapienti Sat</title><content type='html'>Ontem voltou a chover. E eu vi o momento inicial, quando a chuva tornou a desabar. Eu sou testemunha do vento e da tormenta.&lt;br /&gt;Eu estava lá.&lt;br /&gt;Estava lá quando desabou o céu e não tínhamos mais um homem de braços fortes para segurá-lo, não tínhamos mais Deus nem mais Diabo a quem culpar.&lt;br /&gt;Matamos o último.&lt;br /&gt;Eu fui aquele quem construiu a forca da última divindade.&lt;br /&gt;Eu a vi, erguida em (des)glória, com os olhos abertos. Eu a vi se agitando em convulsões febris até - bruscamente - parar e morrer.&lt;br /&gt;Meu irmão, o coveiro, foi aquele que a enterrou.&lt;br /&gt;De modo que estou ligado a isso.&lt;br /&gt;De modo que sou o construtor dessa nova liberdade amarga que vivemos, e em minha carne familiar estamos todos encerrados.&lt;br /&gt;De modo que dos olhos do último Deus consegui arrancar um lampejo de vida, e vi essa tal nova vida que brilhava ser convulcionalmente apagada. Assisti ao enforcamento do último Cristo com olhos cheios de saliva e a boca amarga. Sempre um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus calos nos dedos ainda doem.&lt;br /&gt;Construí aquela forca em dois dias, e era uma forca imensa.&lt;br /&gt;Construí aquela forca como quem constrói um monumento divino a uma nova e feliz Divindade. Uma nova e vibrante forma de contar a história. Uma nova e inovadora forma de criar a verdade. Aquela forca foi a ultima verdade construída.&lt;br /&gt;E o corpo que meu irmão enterrou em uma cova rasa é a expressão máxima dessa verdade. A verdade final e reveladora.&lt;br /&gt;Todo meu corpo treme com ela.&lt;br /&gt;Todo meu ser se inunda com essa verdade e meus músculos tremem à noite, queimo em ardores e a febre se espalha por toda a minha casa e em um novo culto a mim mesmo engulo a minha língua e tremo mais e mais e mais até ter-me envolto em uma nova dança a mim.&lt;br /&gt;Aquele rebento enforcado teria se orgulhado de mim ao saber o que fiz com o lampejo de vida que ele entregou a mim por falta de algo melhor para fazer com ele.&lt;br /&gt;Transformei a vida que ele me deu em mais vida.&lt;br /&gt;E mais e mais e mais.&lt;br /&gt;Até explodir a vida em uma morte reveladora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morte santa.&lt;br /&gt;Santíssima expressão do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã construirão a minha forca.&lt;br /&gt;E serei eu a nova Divindade a morrer.&lt;br /&gt;E passar o novo lampejo de uma nova verdade a meu suado executor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus meu, Deus meu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-5015531748426861381?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/5015531748426861381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=5015531748426861381' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5015531748426861381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29372005/posts/default/5015531748426861381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/2007/07/sapienti-sat.html' title='Sapienti Sat'/><author><name>Horla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702177655643817823</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_XksZBeTysBA/R4pJkyuyzDI/AAAAAAAAAEE/8tCULah6WwA/S220/Principe+du+plaisir,+Le.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29372005.post-6078830005095235412</id><published>2007-07-09T06:03:00.000-07:00</published><updated>2007-07-09T06:11:55.521-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não!&lt;br /&gt;Não há verdade final.&lt;br /&gt;Não há amor perdido e nenhuma vitória é plena a ponto de nela encerrar uma derrota - mesmo que interior e velada.&lt;br /&gt;Compreende minhas verdades, adota-as, e elas - eternamente - servir-te-ão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais pronuncie o nome do Senhor.&lt;br /&gt;Nada é ou foi em vão.&lt;br /&gt;Não há arrependimento que não seja uma denuncia de si.&lt;br /&gt;Não há mudança que não seja uma negação do eu.&lt;br /&gt;De modo que estamos sempre atirando-nos mais e mais para baixo.&lt;br /&gt;Negando-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais Me negue.&lt;br /&gt;Sou Eu teu Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou Eu teu novo comprador e agora que vejo que tem dentes podres lanço-te a um canto qualquer onde poderá exercer essa tua existência. Livre.&lt;br /&gt;Sede livre.&lt;br /&gt;(Comedidamente livre)&lt;br /&gt;Como me convêm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na há.&lt;br /&gt;Não há real verdade - creia-me, eu já procurei.&lt;br /&gt;Não há espaço em branco em tua alma no qual eu ainda não tenha estado.&lt;br /&gt;Não há canto poeirento do teu ser que eu ainda não tenha visitado.&lt;br /&gt;Não pedaço de ti que eu não conheça.&lt;br /&gt;Não há nada além de pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa-me agora aplacar teus ferimentos.&lt;br /&gt;Deixa-me derramar sobre tuas feridas algo quente e aprazível.&lt;br /&gt;Deixa-me sussurrar em teus ouvidos segredos imutáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não há verdade alguma escrita.&lt;br /&gt;Em verso ou em prosa. (Não há verdade alguma nos poemas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Apressa-te em sair vivo da vida.&lt;br /&gt;Teu tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tito de Andréa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29372005-6078830005095235412?l=palavrasdomeiodia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasdomeiodia.blogspot.com/feeds/6078830005095235412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29372005&amp;postID=6078830005095235412' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http
