domingo, julho 05, 2009

Testamento

Medo, meu filho, medo.
Será esse teu legado e tua herança.
Essas pedras amarradas ao teu pé direito,
Essas dores nos pulsos...
Essa angustia gangrenada debaixo da língua.

Medo.
Medo é o que foi separado para o teu nome.
É o que corre escuro pelas tuas veias e sussurra por entre as folhas.
Pura náusea será.

Esse coração-estômago ofendido
Essa ulcera cancerosa nas tuas fugas,
Esse bolor na vista,
Pura ânsia de vômito...
Pura ânsia.

Essa chuva que não cai
E promete nova tormenta para tuas manhãs.
Essa chuva anunciada e dançada e esquecida.
Conviveremos com o céu e sua ameaça.

Medo, meu filho.
Medo serão tuas pontes elevadiças, teus fossos de esgoto, teus castelos ocos.
Esse toque que não toca.
E essa faca cega que te finge suicida.

Teus olhos nervosos onde te levarão?
Teus ódios insolúveis em água,
Teus ácidos,
Carnes,
Fatalidades...
Teus fins...

Teu medo.

Tito de Andréa

2 Comentários:

Blogger Leandra Postay disse...

O medo me atrasa.

Gostei muito do poema, Tito.

4:40 PM  
Blogger G. disse...

Eu tenho medo, muito medo.

mais uma vez, genial.

5:24 PM  

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